Entenda a importância da atriz Cicely Tyson – ícone das atrizes negras de Hollywood

A atriz Cicely Tyson morreu na noite de quinta-feira, 28, aos 96 anos, anunciou seu empresário. Tyson. Seu trabalho mais recente foi como Ophelia Harkness, mãe de Annalise Keating, interpretada por Viola Davis na série ‘How To Get Away With a Murder’, entre 2015 e 2020.

Cicely Tyson e Viola Davis “How to Get Away with Murder” @ Ali Goldstein via Getty Images

Sua biografia ‘Just As I Am’ foi lançada na terça-feira passada (26/01). Ela recebeu três Emmy Awards, quatro Black Reel Awards, um SAG, um Tony, um Oscar Honorário e um Peabody Award.

Cicely Tyson na biografia Just As I Am 2021 @ Reprodução

Nascida no East Harlen em Nova York, filha de pais caribenhos, Tyson trabalhou como secretária da Cruz Vermelha até ser descoberta por um fotógrafo da revista Ebony e se tornou uma modelo de sucesso. No auge apareceu nas páginas da Vogue e da Harper’s Bazaar.

Cicely Tyson na revista Eboby @ Reprodução

Estudou no Actors Studio e ao lado de Lloyd Richards e Vinnette Carroll, estreou off-Broadway o revival do musical ‘The Dark of the Moon’.

Comprometida com a luta contra o racismo e pela justiça social, ela rejeitava  papéis que perpetuavam clichês raciais, especialmente como viciadas em drogas, empregadas ou prostitutas.

Estreou na TV na série ‘Frontiers of Faith’ em 1951. Se tornou a primeira atriz negra a protagonizar uma série ‘East Side/West Side’ (1963). Também participou de ‘Gunsmoke’, ‘Missão Impossível’, ‘The Bill Cosby Show’, entre outros. No cinema, fez uma ponta no filme policial ‘Homens em Fúria’, ao lado do astro Harry Bellafonte em 1959.

Cicely Tyson em East Side West Side @ Reprodução

Tyson participou do elenco original da peça de Jean Genet ‘The Blacks’, ao lado de Maya Angelou, James Earl Jones e Louis Gossett Jr. O espetáculo teve 1,408 performances, tornando-se o mais longo do circuito off-Broadway da década de 1960.

Ela se recusou a participar dos filmes ‘blaxploitation’ que faziam sucesso no final da década de 1960.

Só voltou a atuar em 1972 no drama ‘Lágrima da Esperança/Sounder’, papel que rendeu indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro e três prêmios da crítica.

Cicely Tyson em Sounder @ Reprodução

Em 1974, ganhou dois Emmy (Melhor Atriz e Atriz do Ano) pela atuação no filme ‘The Autobiography of Miss Jane Pittman’, sobre uma mulher que completa 110 anos na época do movimento pela luta civil pelos direitos e relembra como sobreviveu da época que era escrava no sul dos Estados Unidos em 1850.

Em 1977, Cicely integrou o numeroso elenco da premiadíssima ‘Raízes’, considerada a melhor minissérie da TV americana, vencedora de 17 prêmios, incluindo o Globo de Ouro e o Emmy.

Além das telas, ela foi premiada com um Drama Desk Award em 1962 pela peça off-Broadway ‘Moon on a Raibow Shawl’. Em 2013, levou outro Drama Desk, além do Tony Awards pela atuação em ‘The Trip to Bountiful’.

Cicely Tyson na Revista Time@ Reprodução

Em 2015 ganhou o Prêmio Kennedy Center Honor por suas contribuições artísticas. No ano seguinte, recebeu a Medalha Presidencial de Liberdade pela luta pelos direitos civis. Em 2018, ela recebeu um Oscar honorário por toda a sua carreira e finalmente ganhou um lugar no Hall da Fama da Televisão em 2020.

“Ela é uma rainha para todos os afro-americanos”, disse o então ator e diretor Tyler Perry. “Ela teve que trabalhar dez vezes mais e receber cem vezes menos” porque era negra, disse.

“Quando Cicely Tyson nasceu, os médicos previram que ela não aguentaria três meses por causa de um sopro em seu coração. O que eles não sabiam, o que não podiam saber, era que Cicely tinha um coração diferente de qualquer outro – o tipo que não apenas bateria por mais 96 anos, mas deixaria uma marca no mundo que poucos poderiam igualar”, escreveu o ex-presidente Barack Obama.

“Estou devastada. Meu coração está partido. Eu te amei tanto!! Você foi tudo para mim! Você me fez sentir amada, vista e valorizada em um mundo onde ainda existe um manto de invisibilidade para nós, meninas de cor de chocolate. Você me deu permissão para sonhar … porque era apenas em meus sonhos que eu podia ver as possibilidades em mim mesmo. Ainda não estou pronto para você ser meu anjo. Mas… eu também entendo que é somente quando a última pessoa que tem uma memória sua morrer, que você realmente estará morta. Nesse caso, você será imortal. Obrigado por mudar minha vida. Obrigado pelas longas conversas. Obrigado por me amar. Descanse bem”, escreveu Viola Davis.