Ruth Negga será Josephine Baker em série limitada

A etíope-irlandesa indicada ao Oscar de Melhor Atriz por ‘Loving’ em 2017,  Ruth Negga será a protagonista e produtora de uma série limitada sobre a vida de Josephine Baker.
Desenvolvida pela ABC Signature, direção de Millicent Shelton e roteiro de Dee Harris-Lawrence, ‘Josephine‘ terá a difícil missão de retratar a vida do vulcão artístico dos anos 20.

Josephine Baker @ Reprodução

Origem

Nascida Frida Josephine McDonald, filha da lavadeira Carrie McDonald e do músico Eddie Carson, em 1906, Josephine teve uma infância desgraçada em Saint Louis, Missouri, sul dos Estados Unidos.

Algumas vezes, dançava nas ruas para ganhar algumas moedas. Como a mãe, a irmã e uma tia, trabalhou como lavadeira na casa de senhoras, digamos, ‘gente boa (uma delas chegou a lhe escaldar as mãos porque tinha gasto muito sabão…)’.
Um dia, Josephine arrumou emprego como camareira da cantora negra Clara Smith. Um dia, substituiu uma das coristas. Aos 15 anos, casou- se com William Howard Baker e ganhou seu sobrenome famoso. Contudo, o casamento terminou dois anos depois, quando o racismo que gritava em Saint Louis.

Paris

Aos 16 anos, partiu para Nova York, onde arrumou vaga como dançarina no Music Hall. Em pouco tempo, a produtora Caroline Reagan a enviou para participar do musical “Revue Nègre” em Paris.
Sua estreia aconteceu no teatro de Champs-Elysées, em 1925, onde fez uma dança selvagem, se contorcionando, cantando com voz de passarinho tropical e usando apenas uma tanga de penas. A plateia – com Léger, VanDongen, Jean Cocteau e Dorius Milhaud, entre outros – veio abaixo. Ninguém tinha visto coisa igual.

Jean Cocteau a descreveu como “um ídolo de aço escuro e bronze, ironia e ouro“.

Seguiram-se apresentações nos Folies Bergères (quando usou a famosa tanga com bananas) e no cassino de Paris. No Chez Josephine, ela apresentava uma dança que trouxera do sul dos EUA e que ninguém ainda conhecia na Europa: o Charleston.
A popularidade de Josephine Baker era ilimitada. Ela tornou-se um símbolo da década de 20 em Paris. Seu corte de cabelos curtos com brilhantina tornou-se uma febre.
No auge do sucesso, mandou estofar os assentos do seu carro esporte com couro de cobra. Seu animal doméstico era um leopardo. Seus cachês milionários lhe permitiam todo tipo de extravagância. Através do diretor de teatro Max Reinhard, a estrela exótica passou a apresentar-se também em Berlim.

Racismo

Josephine Baker @ Reprodução

Em Berlim, porém, Josephine Baker teve o seu primeiro contato com o racismo na Europa. Os nazistas começavam a ganhar terreno. Com vaias, os simpatizantes do nazismo impediam suas apresentações. Em alguns jornais, ela era difamada como “macaca”. Como penitência “pelos graves delitos contra a moral, cometidos por Josephine Baker”, a cidade de Viena mandou celebrar missas especiais durante as suas apresentações.
Josephine buscou refúgio nos Estados Unidos, porém, em Nova Iorque, foi expulsa de um restaurante “só para brancos”. Decepcionada, ela retornou a Paris.
No auge do sucesso, ela protagonizou os filmes “A Sereia Negra” (1927), “Zuzu” (1934) e “Princesa Tam-Tam” (1935), entre outros.

Résistance

Em 1929, após uma turnê na América do Sul, conheceu o arquiteto Le Corbusier na viagem de navio de volta à Europa. Segundo a biografia escrita por Phyllis Rose, os dois foram amantes. Também se casou com Jean Lion, Joe Bouillon e Robert Brady. A lista de admiradores incluía Georges Simenon, Pablo Picasso, Alexander Calder, E. E. Cummings e outros.
O seu engajamento na Resistência, durante a Segunda Guerra Mundial, valeu a Josephine Baker altas condecorações do Estado francês.

Josephine Baker @ Reprodução

No pós-guerra, como não teve filhos biológicos, adotou doze órfãos de diversos países, passando a criá-los em seu castelo, Les Milandes, nas vizinhanças de Paris. Também adotava animais. Chegou a passear por Paris com um leopardo (chamada Chiquita) que, de vez em quando, escapava da coleira dentro de um teatro, quando ela insistia em levá-lo para assistir a uma peça.

Últimos anos

No final dos anos 1960, parou de se apresentou e começou a ter dificuldades financeiras. Sabendo disto, a princesa Grace de Mônaco ofereceu uma casa no Principado para um novo espetáculo que fez grande sucesso em 1974. No mesmo ano fez apresentações em Nova York.
Estava se preparando para comemorar em Paris os 50 anos de palco, quando entrou em coma e morreu aos 68 anos, em 12 de abril de 1975. Seu funeral foi em Paris e enterrada em Mônaco.

Brasil

Josephine Baker esteve no Brasil diversas vezes. A primeira vez em 1929 quando se apresentou no Teatro Cassino, no Rio de Janeiro. Contracenou com Grande Otelo no show “Casamento de Preto”, onde cantava “Boneca de Piche” em português, em 1952. Em 1963 fez uma temporada no Copacabana Palace e apresentou-se no Teatro Record, em São Paulo. Em sua passagem pelo país, em 1971, fez shows no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Josephine Baker já teve um telefilme biográfico da HBO em 1991 chamado “The Josephine Baker Story”, que rendeu um Emmy de Melhor Atriz para Lynn Whitfield. Na série de terror da HBO, “Lovecraft Country”, Carra Patterson a representa.

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