Globo de Ouro é suspeita de corrupção

Novamente, a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood é alvo de acusações de corrupção. As novas denúncias foram publicadas em uma reportagem do jornal americano Los Angeles Times, domingo (21/02).
Segundo integrantes e ex-integrantes da associação, seus membros aceitam dinheiro, viagens e presentes em troca de indicações para o Globo de Ouro 2021, que acontecerá no domingo, 28/02.
O Los Angeles Times entrevistou alguns desses críticos e teve acesso a documentos fiscais internos, conversas de emails e depoimentos de pessoas do grupo.
Registros financeiros da associação mostram que no final do ano passado a organização pagou cerca de US$ 100 mil a seus membros, que em troca assistiam a filmes, faziam viagens e participavam de outras atividades relacionadas ao comitê em questão. A medida é, no entanto, contestada por críticos do prêmio e especialistas em direito, como mostrou a reportagem.

“É incomum que todas essas pessoas estejam sendo pagas”, disse Daniel Kurtz, sócio do escritório de advocacia Pryor Cashman, ao Los Angeles Times. Ele explicou que a HFPA é um tipo de organização isenta de impostos porque existe para “promover a profissão ou indústria, e não interesses dos membros individuais”.

Assim como Kurtz, o advogado Douglas Varley falou ao jornal sobre a medida. “Se a associação está pagando a seus membros por esses serviços, ela deve estar recebendo serviços de valor proporcional, que beneficiem os interesses da indústria”, afirmou.

Absurdos de 2021

A fraquinha série “Emily em Paris” é um dos casos que aumenta a lista de suspeitas contra as dinâmicas de funcionamento da Associação. Em 2019, a Paramount Network, desenvolvedora do programa, convidou membros da associação para visitar as filmagens da série e a se hospedar num hotel cinco estrelas. Representantes da Paramount Network e Netflix não quiseram comentar o assunto. Mas um membro da HFPA disse à reportagem que a série “não pertence a nenhuma lista dos melhores de 2020” e que os comitês precisam parar de aceitar esse tipo de convite.
Outro caso que chamou a atenção envolve a (quase) ausência de atores negros entre os indicados. Viola Davis é a única entre as 25 indicadas nas cinco categorias de atrizes (protagonistas ou coadjuvantes – nos campos de Cinema ou TV). Entre os atores, cinco foram indicados (Chadwick Boseman, Daniel Kaluuya, Leslie Odom Jr., Don Cheadle e John Boyega).
Elogiados filmes como “Destacamento Blood”, de Spike Lee, e “A Voz Suprema do Blues”, de George C. Wolfe, e séries como “I May Destroy You”, de Michaela Coel, ficaram de fora nas categorias de Melhor Filme Dramático e Série Comédia.
Ainda segundo o Los Angeles Times, um documento de 2017 revela que a indicação de um filme à principal categoria do prêmio e a sua vitória poderiam levar ao pagamento, por parte do estúdio responsável, de bônus de US$ 20 mil e US$ 30 mil, respectivamente, a membros do comitê.
A gravação de uma reunião, obtida pelo jornal, mostra também que em abril do ano passado, Lorenzo Soria, então presidente da HFPA, falou aos seus sócios que muitos membros da associação haviam recebido cheques de subsídio.

“Acho importante não sabermos isso em detalhes”, disse na reunião Gregory Goeckner, diretor de operações e conselheiro-geral da HFPA. “Nos ajuda em defesa, do ponto de vista fiscal. Quanto mais perto dos membros saberem quem tem dinheiro, fica difícil para nós defendermos.”

A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood disse ao Los Angeles Times que não impôs condições a quem recebia as bolsas, a não ser que os fundos fossem para jornalistas que dependiam daquela renda em meio à pandemia. A entidade também negou todas as acusações de corrupção e afirmou que não há nenhuma prova.

Em resposta a perguntas feitas pelo jornal, um porta-voz da associação disse que “nenhuma dessas alegações foi comprovada em tribunal ou em qualquer investigação e simplesmente repetem velhas noções sobre a entidade e refletem preconceito inconsciente contra os seus diversos membros”.

(Fontes: Los Angeles Times – Folha de S. Paulo)