Uma cicatriz não é apenas um traço disforme na pele; ela pode ser um marco que guarda histórias profundas, às vezes de um homem, às vezes de um país inteiro.
Desde pequena, Débora Castro ficava intrigada com a cicatriz do pai, Claudinei, mas as explicações nunca eram satisfatórias. Muitos anos depois, a busca por respostas sobre esse passado deu origem ao documentário ‘Cicatriz’, que chega ao público de Campinas com uma proposta urgente e necessária: refletir sobre os impactos da violência institucionalizada, a importância da memória e o direito à liberdade.
Partindo da história pessoal de seu pai, ex-preso político da ditadura militar, Débora lança um olhar mais amplo sobre traumas históricos e suas reverberações na sociedade atual, entrelaçando histórias do passado com a luta atual de uma nova geração, filhos e netos que carregam a missão de manter viva a memória das vítimas da ditadura militar brasileira.

“Este documentário é uma jornada de resgate, reconhecimento e resistência contra o esquecimento”, explica Débora, cujo trabalho também estabelece conexões com o presente, trazendo depoimentos de adolescentes em medidas socioeducativas. “A presença desses adolescentes no filme evidencia como estruturas de repressão e exclusão ainda operam nos dias de hoje”, prossegue.
O documentário estreia no domingo, 09 de março, às 19h30 e 20h30, no MIS – Museu da Imagem e do Som de Campinas, Rua Regente Feijó 859, Centro.
‘Ainda Estou Aqui’
A idealização e produção do documentário ‘Cicatriz’ começou muito antes do estrondoso sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’, filme de Walter Salles inspirado no livro de mesmo nome de Marcelo Rubens Paiva, e Débora celebra a feliz coincidência de seu filme estrear em data tão próxima do Oscar, apesar da temática árida.

“Além do orgulho pelas três indicações ao Oscar de ‘Ainda Estou Aqui’, esse sucesso todo mostra a importância do tema. O que ‘Cicatriz’ tem em comum com o indicado? Ambos falam da brutalidade da ditadura”, resume ela. “Mais que a história do meu pai, o filme fala da história do país e relata a violência do Estado na ditadura e também nos dias atuais. Trazer à tona essa memória e esclarecer os traumas deixados nas famílias e no Brasil, é importante para que esse cenário nunca mais se repita”, completa Débora.
Com uma abordagem sensível e crítica, “Cicatriz” é uma obra necessária para quem deseja compreender as marcas deixadas pelo passado e os desafios do presente.
Canal do Instagram @cicatriz.doc.
Sobre a diretora

A campineira Débora Castro Cabral é formada em Produção Audiovisual pela Universidade Paulista e em Pedagogia pela Unicamp. Atua há 17 anos no audiovisual, com experiência em longas-metragens como Vai que Dá Certo 2, O Jornaleiro, O Monstro e Café, um Dedo de Prosa, em diferentes funções, como editora e designer de produção.
Trabalhou nos curtas Rainha do Maracatu, Uma mão anima a outra, Na Roça, Dudu está solteiro, entre outros. Foi vencedora de dois prêmios por videoclipes: Melhor Roteiro no Festclip 2013 e Melhor Filme Independente Nacional no Festclip 2012.
O documentário também será exibido na quinta-feira, 20 de março, às 19h30, na Casa de Cultura Aquarela, (Rua Antônio Carlos Neves, 338 – Chácaras Campos Elíseos – Campinas/SP) e no sábado, 29 de março, às 19h30, no MIS Campinas.

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