O MET Gala 2026 movimentou a noite desta segunda-feira, 4 de maio, em Nova York. Sob a liderança de Anna Wintour acompanhada de Beyoncé, Nicole Kidman e Venus Williams, o Metropolitan Museum of Art abriu suas portas para a exposição Costume Art, propondo o tema “Fashion is Art”.
A proposta foi explorar o corpo vestido como uma verdadeira tela em branco, transformando as vestimentas em expressões de arte plástica e estrutural.
Ou seja, mais do que simplesmente estar bonita ou dentro dos padrões clássicos de elegância, o evento pediu e exigiu o famoso surto. Entenda: a ousadia, a originalidade e a irreverência que ultrapassam o convencional dos tapetes vermelhos, trazendo looks que provocam, questionam e desafiam a gravidade e o bom gosto tradicional.
A grandiosa escadaria do museu foi palco para os mais variados graus de interpretação da temática proposta. Enquanto alguns nomes abraçaram o conceito com ousadia e experimentaram a sua versão mais vanguardista, outros convidados optaram por uma leitura um pouco mais tímida, dividindo as opiniões da crítica especializada e dos entusiastas da moda ao redor do globo.

O MET Gala 2026 arrecadou o valor recorde de US$ 42 milhões. Esse montante representa um salto extraordinário em relação aos US$ 31 milhões arrecadados no ano anterior, consolidando esta edição como a mais lucrativa em quase oito décadas de história do evento.
O anúncio do valor total foi feito pelo CEO do Metropolitan Museum of Art, Max Hollein, durante as atividades oficiais do evento em Nova York. Grande parte desse sucesso financeiro é atribuído ao patrocínio de peso desta edição. Jeff Bezos e Lauren Sánchez, que atuaram como presidentes honorários, realizaram uma contribuição pessoal de US$ 10 milhões para o museu.
Além da doação pessoal dos anfitriões, o interesse corporativo atingiu níveis inéditos. Gigantes da tecnologia como Meta, OpenAI e Shopify garantiram mesas exclusivas por valores que chegaram a US$ 350 mil por grupo. Os ingressos individuais, vendidos a convidados selecionados sob o crivo de Anna Wintour, foram comercializados por cerca de US$ 75 mil.
Os Trajes

O traje da influenciadora Emma Chamberlain foi um dos mais aclamados e fiéis ao tema “Fashion is Art” de 2026. A criação é assinada pelo designer francês Chet Lo. O design apresentou a técnica trompe l’œil, que faz com que o vestido pareça pinceladas de tinta vibrante aplicadas diretamente sobre o corpo. A paleta de cores, com tons de amarelo, verde e azul intenso, cria um efeito gradiente visualmente impactante.

As texturas são um destaque à parte. O tecido tem um aspecto molhado e orgânico, quase como se fosse argila moldada ou uma mistura de tintas ainda fresca. O detalhe mais impressionante são as longas franjas e os elementos pendurados nas mangas e na barra do vestido, que parecem derreter e escorrer, adicionando movimento e drama à peça.
O styling foi meticulosamente pensado para complementar essa estética artística e de vanguarda. O cabelo loiro curto e descolorido e a maquiagem com olhos marcados em tons de verde e azul criam um contraste moderno e “edgy” com a organicidade do vestido.

Entre os grandes acertos da noite, Sabrina Carpenter chamou atenção ao usar um modelito retrô feito inteiramente com rolos de filme de 1954, ligando a história do cinema à arte visual e à moda, em um verdadeiro surto criativo que exalava originalidade. Mais tarde, ela se apresentou para os presentes ao lado da lenda do rock Stevie Nicks. Elas interpretaram os clássico “Landslide”, “Gypsy” e “Edge of Seventeen”.

A modelo e apresentadora Heidi Klum também se destacou, optando por uma produção de Mile Marino que a transformava em uma autêntica estátua de mármore.

O visual de Sam Smith no MET Gala 2026 foi um dos mais comentados da noite. O artista surgiu no tapete vermelho com uma proposta dramática e teatral, capturando a essência e a ousadia exigidas pelo tema “Fashion Is Art” da exposição Costume Art.
O traje foi criado pelo estilista e seu parceiro, Christian Cowan, contando com o styling de Law Roach. A peça foi concebida como um híbrido entre um vestido e um sobretudo, chamando a atenção pelo peso impressionante de mais de vinte e três quilos, resultado da densa aplicação de pedrarias e cristais bordados à mão.

Uma década de ausência, Beyoncé retornou ao MET Gala usando Olivier Rousteing. O vestido traz uma silhueta que simula uma estrutura anatômica de esqueleto humano, inteiramente cravejado de pedrarias e diamantes. Para adicionar ainda mais drama à subida da escadaria, o look foi complementado por um casaco volumoso com uma cauda longa de plumas, que exigiu o auxílio de assistentes durante a entrada, e um adorno de cabeça em formato de coroa com raios de sol. Uma coisa Clovis Bornay de ser…

Chase Infiniti fez sua estreia no tapete vermelho do MET Gala 2026 entregando um dos visuais mais comentados e elogiados da noite. A estrela apostou em uma criação sob medida assinada por Thom Browne, inspirado na estátua da Vênus de Milo, de Alexandre de Antioquia, do século II a.C. A peça foi executada com uma técnica de trompe l’œil adornada com mais de 1,5 milhão de lantejoulas e franjas de seda dispostas em cerca de 600 cores diferentes.
O efeito visual foi planejado para imitar o movimento de pinceladas, transformando a peça em uma verdadeira tela artística que se alinhou perfeitamente com o tema “Fashion is Art” (A Moda é Arte). A silhueta redesenhou os traços do corpo de forma tridimensional e muito texturizada.

O traje utilizado por Gracie Abrams no MET Gala 2026 foi diretamente inspirado na obra do pintor austríaco Gustav Klimt. A escolha da peça trouxe um visual dourado e brilhante que remete aos mosaicos, à paleta de cores e aos padrões geométricos que são a principal marca da fase de ouro do artista.

A estrutura do vestido traduziu para o tecido a mesma fluidez e a riqueza de detalhes das pinturas, como o famoso quadro O Beijo, transformando a vestimenta em uma verdadeira tela artística.

O design do vestido uniu a estética clássica da pintura à alta-costura contemporânea. A elaboração do modelo trabalhou o caimento e o brilho para simular as texturas ricas de Klimt, alinhando-se com perfeição ao conceito “Fashion is Art” proposto para a edição de 2026.

O cantor Bad Bunny causou um grande burburinho ao usar maquiagem para envelhecer, integrando a temática dos corpos envelhecidos da exposição. Lógico que quase ninguém entendeu a proposta.

A proposta do traje de Madonna no MET Gala 2026 foi uma tradução direta do tema do evento, inspirando-se na obra surrealista A Tentação de Santo Antônio, pintada em 1945 pela artista Leonora Carrington. O visual assinado por Anthony Vaccarello para a Saint Laurent trouxe um ar místico e teatral ao tapete vermelho, composto por um véu dramático e uma estrutura que remetia às figuras etéreas e ao inconsciente retratadas na pintura.

Para complementar a apresentação nos degraus do Metropolitan Museum of Art, a cantora esteve acompanhada por sete assistentes com os olhos vendados, responsáveis por ajudar a sustentar o peso e o volume do vestido. O look também contou com um acessório escultural de cabeça que remetia a elementos místicos e teatrais. Lembrando que ela está em época de lançamento da parte dois do álbum “Confessions of a Dance Floor”.

Janelle Monáe trouxe uma produção vanguardista e escultural, explorando a tridimensionalidade e as formas geométricas. A sua escolha destacou o cruzamento entre a moda e o cubismo, provando que o volume e a proporção são elementos fundamentais para que o vestuário se afirme como uma manifestação artística.

Doechii destacou-se pela ousadia estrutural com um modelito sob medida assinado por Marc Jacobs. A cantora exibiu texturas dramáticas e volumes exagerados que se destacaram entre os fotógrafos, reafirmando o compromisso com a vanguarda e a experimentação visual que o evento exige.

A tenista Venus Williams também entrou de cabeça no conceito, revelando um vestido cuja inspiração veio da troca de pele e da anatomia humana. Anna Wintour, por sua vez, apostou em um visual assinado por Matthieu Blazy para a Chanel, unindo um degradê esverdeado com uma capa de plumas que adicionou volume e leveza escultural.

Nos bastidores, o evento não escapou de controvérsias. A presença do bilionário Jeff Bezos e de Lauren Sánchez como copresidentes honorários gerou reações negativas nas redes sociais e até protestos do lado de fora do museu, questionando as conexões entre o mundo da moda, a riqueza e as questões sociais da atualidade.
