A trajetória histórica da franquia mutante estabelece o início da relação entre Charles Xavier e o homem que viria a ser conhecido como Magneto na década de 1950, em Haifa, Israel. O cenário do encontro, detalhado na edição Uncanny X-Men número 161, de autoria do roteirista Chris Claremont e do desenhista Dave Cockrum, é uma clínica de reabilitação psiquiátrica voltada ao tratamento de sobreviventes de campos de concentração da Segunda Guerra Mundial.
Naquele período, Xavier atuava como consultor em casos de trauma psicológico na instituição, enquanto Erik operava no local sob o nome de Erik Magnus Lehnsherr. A aproximação entre ambos ocorreu de forma confidencial em relação às suas respectivas condições mutantes. No entanto, a telepatia de Xavier identificou uma barreira de resistência mental ao tentar acessar os pensamentos de Erik, indicando uma assinatura neurológica diferente da de humanos comuns.

A convivência diária levou ao debate teórico sobre a possibilidade de surgimento de uma nova espécie humana dotada de mutações genéticas e a provável reação da sociedade a esse fenômeno. Enquanto Xavier defendia a tese de que a educação e a integração gradual seriam as vias para a coexistência civil, Erik argumentava que as minorias biológicas estariam sujeitas a tentativas de segregação ou aniquilação por parte da maioria estabelecida, tese baseada em sua própria vivência histórica durante o Holocausto.

Nesse período, Xavier iniciou um relacionamento afetivo com Gabrielle Haller, uma sobrevivente do campo de Dachau (Baviera, Alemanha) que se encontrava em estado catatônico e que foi despertada com o auxílio das habilidades mentais do telepata. Erik incentivou o avanço da relação entre os dois.
Contudo, o cotidiano na clínica foi interrompido quando agentes da organização criminosa Hidra, sob as ordens do Barão Von Strucker, sequestraram Gabrielle Haller. O objetivo do grupo era obter informações sobre a localização de um carregamento de ouro confiscado pelos nazistas durante a guerra.
Para resgatar Gabrielle, Xavier e Erik utilizaram suas habilidades de telepatia e magnetismo de forma coordenada, revelando sua condição mutante um ao outro no processo. Após neutralizarem as forças da Hidra, Erik confiscou o ouro nazista localizado e abandonou o grupo de forma imediata. O montante financeiro obtido nessa operação foi utilizado posteriormente para estruturar sua infraestrutura de combate, incluindo o desenvolvimento de sua base orbital.

O encerramento do conflito em Israel resultou na separação dos dois homens. Xavier retornou aos Estados Unidos sem o conhecimento de que Gabrielle Haller estava grávida de seu filho, David Haller, personagem que futuramente manifestaria habilidades de nível ômega sob a identidade de Legião.
A designação de Magnus, frequentemente utilizada por Xavier para se referir ao seu opositor ideológico nas séries de televisão animadas das décadas de 1990 e 2000, deriva do pseudônimo de Erik Magnus Lehnsherr, estabelecido pela editora como sua identidade oficial durante décadas. A revelação de seu nome de nascimento real, Max Eisenhardt, ocorreu apenas na publicação da minissérie X-Men Magneto Testament no ano de 2008.
Adaptação para as telas

Ao contrário do cânone construído nas histórias em quadrinhos, a adaptação cinematográfica iniciada pelo longa-metragem “X-Men Primeira Classe” (2011) e continuada em “Dias de um Futuro Esquecido” (2014) modificou a origem dessa relação.
Nos filmes, o primeiro contato entre ambos é transferido para o ano de 1962, durante um confronto marítimo contra Sebastian Shaw, descartando a clínica de Israel e a presença de Gabrielle Haller. A cronologia do cinema também reposicionou personagens de diferentes gerações editoriais e inseriu Raven Darkhölme, a Mística, como figura central no recrutamento da primeira equipe, escolhas que representaram decisões de roteiro distantes das publicações originais.
Diferenças de mídia à parte, Haifa permanece no cânone como o ponto de origem de uma bifurcação histórica. Ao se despedirem naquela década de 1950, as diretrizes para o futuro estavam traçadas. Charles Xavier retornou aos Estados Unidos para estruturar a escola voltada à integração de jovens mutantes, enquanto Erik partiu para atuar nos bastidores geopolíticos globais sob uma perspectiva de resistência armada.
O destino de Gabrielle

Após o confronto com a Hidra, Gabrielle Haller permaneceu em Israel, se graduou em Direito, especializou-se em ciências políticas e atuou na diplomacia internacional, ocupando o cargo de Embaixadora de Israel na Grã-Bretanha e de Ministra de assuntos exteriores. No campo jurídico, ela participou da equipe de defesa de Erik em julgamentos conduzidos por tribunais internacionais.
Em relação à maternidade, Gabrielle manteve em sigilo a paternidade de David Haller. O jovem desenvolveu transtorno dissociativo de identidade após sofrer as consequências psicológicas de um ataque terrorista em Paris, evento que também ativou seus poderes de alteração da realidade. Para evitar que Xavier interferisse na criação do filho, ela enviou David para a Ilha Muir, sob a guarda da cientista Moira MacTaggert, onde ele passou a ser tratado e catalogado pelo codinome Legião.
A trajetória de Gabrielle Haller encerrou-se em decorrência de um ataque perpetrado por um grupo extremista anti-mutante que invadiu sua residência. O homicídio da diplomata provocou um surto de retaliação violenta por parte de David Haller.
Embora o universo ficcional apresente dinâmicas de ressurreição e linhas temporais alternativas, a biografia oficial da personagem registra sua morte como consequência direta das tensões sociais e políticas que cercavam a questão mutante no período.
