A estreia de Alexandre Galhego de CASACOR São Paulo 2026

Com o ritmo acelerado das grandes cidades, encontrar espaços que permitam desacelerar e apreciar o momento tornou-se um item de descompressão essencial. A partir desta necessidade de reconexão, o paisagista Alexandre Galhego concebeu sua primeira participação na CASACOR São Paulo 2026.

CASACOR SP 2026 – Ambiente Alexandre Galhego Paisagismo @ Miti Sameshima

Implantado sob a sombra de uma figueira centenária no Parque da Água Branca, o ambiente “Clareira na Mata”, de 290 metros quadrados, inspira-se nas aberturas que surgem naturalmente nas florestas. O espaço é um convite para parar, respirar e observar o entorno por meio de caminhos elevados, mais de 4,5 mil mudas e áreas voltadas à contemplação.

Engenheiro agrônomo e mestre em Botânica com três décadas de atuação, Galhego estruturou a curadoria vegetal com foco na adaptação das espécies às condições de luminosidade, solo e microclima do local.

“Uma clareira legítima não se trata de um espaço construído, mas de um fenômeno natural que abre um respeito dentro da mata. Essa analogia com a vida contemporânea diz muito sobre as oportunidades em que podemos olhar para nosso entorno e avistar a luz que nos fará bem”, explica o paisagista.

CASACOR SP 2026 – Ambiente Alexandre Galhego Paisagismo @ Miti Sameshima

O ambiente divide-se em três núcleos de convivência ao longo de um percurso com vegetação organizada em camadas e diferentes alturas. A composição prioriza texturas, volumes e tonalidades de verde por meio de filodendros, monsteras e íris, sem recorrer ao excesso de cores ou floradas sazonais.

CASACOR SP 2026 – Ambiente Alexandre Galhego Paisagismo @ Miti Sameshima

Por estar localizado dentro do Parque da Água Branca, espaço tombado pelo patrimônio histórico e ambiental, o projeto exigiu soluções de baixo impacto. Nenhuma árvore foi removida. A figueira centenária serviu como ponto de partida da composição, enquanto parte da vegetação arbustiva existente passou por transplante para áreas do próprio parque que necessitavam de recuperação.

Para preservar o solo e o relevo original, o percurso utiliza um deck suspenso de eucalipto tratado, proveniente de reflorestamento. A estrutura funciona como uma ponte apoiada sobre pontos específicos, variando de 20 a 80 centímetros de altura em relação ao terreno. O desenho do deck foi trabalhado para minimizar o descarte de material, mantendo quase a totalidade do tamanho original das ripas de madeira.

O percurso revela três estações de permanência: uma voltada à observação da paisagem, outra voltada para conversas intimistas e a terceira configurada como um estar ao ar livre, equipado com sofás, poltronas e balanços sob a copa das árvores. Estruturas verticais de biribas atuam como filtros visuais entre as áreas, criando jogos de luz e sombra.

CASACOR SP 2026 – Ambiente Alexandre Galhego Paisagismo @ Miti SameshimaAs mais de 4,5 mil mudas que integram o projeto estão dispostas, em sua maioria, em grandes cachepôs metálicos em tons de areia. A seleção vegetal combina espécies nativas e exóticas de comportamento controlado, adaptadas ao sombreamento da área. As íris, presentes em múltiplos pontos, garantem textura e movimento ao espaço mesmo fora do período de floração.

Após o encerramento da mostra paulistana, as novas espécies plantadas no local permanecerão incorporadas à vegetação do parque, contribuindo para o fortalecimento do patrimônio paisagístico da área pública.

 Sobre Alexandre Galhego

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Biologia e Botânica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alexandre Galhego acumula 30 anos de atuação em projetos de paisagismo residenciais e comerciais.

Sua linha de trabalho utiliza o conhecimento técnico da botânica para integrar espécies vegetais, arquitetura e uso humano em paisagens funcionais e equilibradas em diversas regiões do país.

Sua opinião

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.