Mondo Moda entrevista Mário Queiroz

Mario QueirozMário Queiroz é estilista de moda masculina há mais de 20 anos.
Importante ressaltar esta frase, uma vez que falamos de um universo dominado por criações para as mulheres. Aos homens… Sobra (aparentemente) pouco.
Observe o calendário de desfiles no São Paulo Fashion Week, por exemplo, para entender que, no meio de 40 marcas, Mário divide o foco com pouco mais de cinco nomes – que se reduz, quando filtramos àqueles que também apresentam desfiles femininos.
Mário é estilista, professor e consultor de Moda. É um dos responsáveis pelo projeto e implantação do curso de graduação de Design de Moda na Universidade Anhembi Morumbi.
Ele tem loja própria nos Jardins (São Paulo) e suas criações também podem ser encontradas em mais de 30 multimarcas pelo resto do país.
Em Julho passado, lançou o livro “Herói Mascarado”, pela editora Estação das Letras e Cores, que faz uma interessante análise do homem do final do século XX e começo do XXI, a partir de imagens produzidas pelos editoriais de moda.
É uma excelente oportunidade para entender alguns dos mecanismos deste universo tão pouco explorado: moda masculina.

Leia entrevista com Mário Queiroz – exclusivamente para o Mondo Moda.
Quem é o Herói Mascarado?
Nós homens que carregamos primeiro o peso do herói – soldado, marido, pai, vitorioso – e por isso vivemos mascarados – sem poder demonstrar a nossa vaidade.
Você concorda que o brasileiro é mais conservador na hora de montar seu guarda-roupa? Por quê?
Não é só uma característica do brasileiro, todo o homem ocidental sofreu toda uma influência cultural que não permitiu ao homem pensar em moda do final do século XIX prá cá. É claro que para um europeu a situação pode ser um pouco diferente porque há um repertório maior.
Como os estilistas poderiam “se comunicar” com este homem conservador?
Se o homem é clássico não é problema, encontrará nas coleções do estilista algo que possa se adequar ao seu perfil, mas se o homem é resistente, se realmente não gosta de moda, o diálogo não acontece.
Quais os maiores desafios na hora de criar para o homem brasileiro, com características regionais tão diferentes?
Com certeza a questão climática quando falamos de inverno.
heroidesmascarado1O que falta para o São Paulo Fashion Week se tornar o quinto maior evento de moda do mundo? E você acredita que isto seja importante?
Temos Paris, Milão, Nova Iorque, e em minha opinião, na sequência vem São Paulo. Os jornalistas estrangeiros dizem que São Paulo supera Londres. A importância não é só para o mercado externo, mas para os próprios brasileiros acreditarem mais em seus designers
Para onde vai a grande quantidade de estudantes de moda que se formam anualmente no país? Tem mercado para tantos profissionais?
Algumas regiões não têm condições de ter escola de moda, afinal quem são os professores? Dificilmente os formandos não conseguiram uma posição no mercado. Mas nos grandes centros onde há bons cursos a questão de colocação profissional vai de cada estudante, como em qualquer outro curso.
Finalizando: qual sua opinião sobre a mídia especializada em moda no Brasil?
Temos excelentes jornalistas. Temos os que buscam se especializar e muitos que são pretensiosos, que não tem base nem se preocupam com a formação, sobre eles o que tenho a dizer é que Moda não é “carão”.

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