Entrevista com Fernando Consoni

Fernando Consoni tem 28 anos, é Arquiteto – com pós-graduação em Administração de Empresas – e acaba de ser premiado pelo ambiente Estúdio Eco Décor na Campinas Décor 2010.
Ocupadíssimo com os preparativos com o novo ambiente para a Casa Cor Campinas Casa Hotel, este querido profissional cedeu um tempo para responder algumas perguntas da entrevista especial para o Mondo Moda.
Por que alguém vira Arquiteto?
Na verdade, comecei o curso de arquitetura meio por acaso. Meu pai tem uma distribuidora de vidros na cidade de Araras há quase 40 anos e por estar ligado à construção civil, achei que seria interessante me envolver no ramo.  Arquitetura é fascinante e as possibilidades são infinitas, mas se não houver paixão e muita disposição, a pessoa pode se frustrar com a profissão, pois o reconhecimento pode demorar a aparecer.
Como você descobriu que tinha vocação?
Como disse anteriormente, comecei a faculdade de arquitetura meio por acaso, mas foi durante o curso que descobri que tinha vocação e realmente me apaixonei pela arquitetura. Hoje não me vejo em outra profissão. Muito se aprende mesmo com a prática, com o dia a dia. Nem tudo na arquitetura é fruto de inspiração.
Quais foram seus trabalhos mais marcantes?
Sem dúvida alguma o trabalho mais marcante foi o “Estúdio Eco Decor”, realizado na Campinas Decor desse ano. Foi realmente um desafio construir uma habitação completa em uma mostra de arquitetura. Sem contar que esse projeto me rendeu o 2º lugar na categoria Arquitetura, Decoração e design de interiores, no prêmio Campinas Decor 2010.
E aqueles que você acredita que poderia fazer melhor?
Sou extremamente perfeccionista, mas tenho como pressuposto de trabalho a satisfação do cliente. Nunca faço um projeto para mim, mas sim para o cliente. O projeto tem que estar perfeito para o cliente porque como profissional, defronte a um projeto, sempre acho que algo pode melhorar mas se fosse colocar na prática, nenhum projeto teria fim.
Quais profissionais deste mercado que você admira e por quê?
Difícil falar. Campinas tem muitos profissionais de qualidade. Muitos já bem estabelecidos no mercado e outros em plena ascensão profissional. É muito complicado falar em admiração, pois admiro muitas pessoas daqui, seja pela longa história profissional ou pela estética do traço, das obras. Mas posso dizer que costumo me espelhar, em um âmbito maior, em arquitetos como Álvaro Siza, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas e Décio Tozi. Sou um admirador convicto da escola paulista de arquitetura, do minimalismo e do brutalismo.
Sustentabilidade virou a palavra do momento. As pessoas realmente saber o seu significado? E você não acha que isto pode ser apenas um modismo?
Fico feliz que as pessoas tenham criado a consciência de que se não cuidarmos do planeta, ele pode acabar. E não digo isso por demagogia, por achar bonito ou por ser “eco-chato”. Digo porque as evidências estão à mostra. Infelizmente a palavra “sustentabilidade” ganhou um cunho comercial muito forte e vem sido usada para agregar um valor subjetivo aos empreendimentos que nem sempre são reais. Sustentabilidade está ligada ao reuso, à consciência ecológica, ao consumo consciente de recursos . De nada adianta realizar um empreendimento dito sustentável, sem a utilização de materiais que não agridam ao meio ambiente, que tenham uma emissão controlada de gás carbônico e gerar toneladas de resíduos durante sua construção.
Quanto ao modismo, espero e também trabalho para que as pessoas realmente se importem em serem mais críticas quanto ao consumo, que se questionem a respeito da procedência dos materiais e quanto impacto eles geram ao meio. Sustentabilidade não pode ser modismo, deve ser um pensamento coletivo, para que o mundo possa ser um lugar equilibrado e de todos.
Você acabou de ser premiado pelo ambiente na Campinas Decor 2010. Conte sobre este trabalho e da importância do prêmio.
Ter o trabalho reconhecido já é um prêmio muito gratificante. Mas esse prêmio do Campinas Decor veio em um momento muito importante para minha carreira. Todo o processo para a Campinas Decor 2010 foi um grande desafio, pois o prazo de execução foi muito curto e não se tratava apenas de um ambiente onde seria exigida somente um projeto de interiores, foi uma obra completa. Ser avaliado por um júri tão significativo, e ter esse resultado, acredito que um prêmio como esse, além de me valorizar como profissional para o mercado, ainda me dá confiança de que o trabalho que venho realizando, está sendo correto e tem agradado bastante.
Casa Cor Campinas 2010 está chegando. Você poderia falar sobre seu ambiente?
O ambiente será uma referência ao museu da aviação da TAM e a um lounge vip de sala de embarque, onde os visitantes poderão conhecer um pouco mais da história da empresa. Será um espaço corporativo para interação e resgate do glamour dos tempos áureos da aviação. Ainda terão comissários vestidos com os uniformes usados na década de 70, em referência ao projeto vintage da TAM e ainda produtores circulando em todo o evento atraindo a atenção do público ao prazer de voar.
E quais seus planos pós-Casa Cor 2010?
Certamente, participarei da próxima edição da Campinas Decor e no momento, estamos reformando e ampliando as atividades do escritório.

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