A poderosa voz de Jennifer Holliday

Premiada com o Tony e o Grammy, Jennifer Holliday é uma cantora/atriz com uma rara potencia vocal, daquelas que quando você ouve… Pode até se incomodar com a intensidade, mas não consegue ficar blasé.
Suas performances já foram assistidas dos palcos da Broadway, assim como na Casa Branca e em clubes noturnos, onde as pessoas deliram diante de sua dramaticidade.
Broadway
Nascida em Houston, Texas, no dia 10 de Outubro de 1960, Jennifer foi descoberta aos 17 anos por um produtor do musical “Chorus Line”, que estava sendo montando em sua cidade natal.
Além do convite para se apresentar no musical, ele também a convocou para uma audição em Nova York para a remontagem de “Your Arm’s Too Short to Box With God”. Ela aceitou. Foi contratada.
Em 1981, aos 21 anos, ela ganhou o papel de Elfie White na peça musical “Dreamgirls”, que se tornou num dos maiores sucessos do começo dos anos de 1980.
Sua interpretação de “And I Am Telling You I’M Not Going” se tornou um clássico e sua atuação lhe rendeu o Tony (Oscar do Teatro americano), o Drama Desk, o Theater World e o Grammy de Melhor Cantora de R&B.
Música
No auge de sua aclamação por “Dreamgirls”, a Geffen Records ofereceu seu primeiro contrato para um álbum em 1983, ‘Fell My Soul’, onde trabalhou com o produtor Maurice White (o fundador do grupo Earth, Wind & Fire). Recebeu excelentes críticas e a canção “I Am Love” foi a número 2 entre os hits de R&B do inverno de 1983.
O próximo disco foi “Say You Love Me”, com o sucesso “No Frill Love”. Anos depois, esta canção foi redescoberta, ganhou diversos remix e virou um clássico nas pistas gays.
Peso
Jennifer é uma mulher gorda. Bem gorda, a propósito, graças a isto ganhou seu papel de Elfie.
Ela já emagreceu e engordou diversas vezes, no famoso efeito “sanfona”, que sua saúde ficou ficou abalada. Fez redução de estômago. Voltou a engordar. Deu entrevistas falando sobre esta questão e seu peso virou uma atração extra nas capas de seus álbuns.
Não se sabe se por isto ou não, mas sua carreira entrou em declínio nos anos 90, onde sumiu da mídia, apesar de participações em programas de televisão, como na série ‘Touch By An Angel’ e ‘Hang Time’.
As coisas começam a mudar em 1996, quando ela lançou “The Best of Jennifer Holliday”, onde faz um balanço de sua carreira e ela volta a ser notada.
Ícone gay
Dois anos depois, ela participou de seis episódios da série de TV “Ally McBeal”, no papel de Lisa Knowles, uma cantora de igreja batista, que processa seu pastor, após o término de um romance. O sucesso do programa recolocou Jennifer em evidência.
A grande guinada acontece em 1999, quando Jennifer grava o hino feminista “A  Woman’s Got The Power”. Sua primeira versão era quase uma balada, mas no ano seguinte, quando a canção teve inúmeros remixes, ela se tornou um dos clássicos das pistas gays em todo o mundo. É a favorita entre oito entre dez drag-queens para performances de bate-cabelo (digite “A Woman’s Got The Power” no You Tube, que você entenderá o conceito).
Em 2000, ela regrava “Think it Over”, sucesso da década de 70 de Cissy Houston, numa incrível roupagem moderna e deliciosamente kitsch, que se torna um novo sucesso.
Ambas ganharam o primeiro lugar na Parada Dance da Billboard dos EUA. No embalo, chegou as lojas nova coletânea chamada “The Best of Jennifer Holliday  – The Millennium Collection”.
Nesta época, com estas duas canções, Jennifer vira presença garantida numa série de eventos da comunidade LGTB em todo o mundo para arrecadar verbas para ONGs, Paradas do Orgulho – inclusive fez show no Brasil.
Dreamgirls
Em 2006, a peça musical “Dreamgirls” ganhou versão para o cinema. Muitos acreditavam que ela faria alguma participação especial, assim como Loretta Devine (uma das atrizes da versão original do musical). Por algum daqueles estranhos motivos do destino, isto não aconteceu.
No papel representado no teatro por Jennifer, chega a novata Jennifer Hudson. De candidata derrotado do programa ‘American Idol’, Hudson virou estrela do dia para a noite e levou os principais prêmios da crítica e da indústria americana (Oscar, Globo de Ouro, SAG). Em todos os agradecimentos, ela não se esqueceu de agradecer a interprete original do papel.
Para dar aquele gosto de “como seria…”, as duas se encontram em junho de 2007 no BET Awards (prêmio da música negra) para interpretarem “And I’m telling…”. Foi uma gritaria sem tamanho que levou a platéia para uma espécie de histeria coletiva.
Único papel
Infelizmente, apesar de sua poderosa voz e grande intensidade de sua interpretação, Jennifer Holiday parece vitima da “Síndrome do único papel”. Nos últimos tempos, quando participa de algum programa ou show, ela só canta “And I’m Telling You…”.  O que nas primeiras audições era incrível… Na vigésima é insuportável. Quem sabe isto não muda com a chegada do novo álbum ‘Goodness & Mercy’, que ela lançou nesse ano?