A ascensão do fast-fashion e a decadência da Alta Costura

Fast Fashion (2)Desde os primórdios da história da vestimenta, a moda representa diferenciação e hierarquia social e isto cresceu ainda mais com o surgimento da Alta Costura em 1864.
A criação de modelos únicos, luxuosos e feitos sob medida satisfazia a necessidade de exclusividade e status da alta sociedade da época. Após a revolução industrial, houve uma ambiguidade no mercado fashion: de um lado a unicidade da haute couture e do outro a produção em massa, ou seja, qualidade versus quantidade.
Atualmente, a Alta Costura vem decaindo. Isto coincide com a explosão das redes fast-fashion – o conceito surgiu no final dos anos 1990, batizado pela mídia ao se referir a efemeridade cada vez mais constante na moda da época. Uma busca para satisfazer os desejos momentâneos dos clientes e produzindo peças fashion e sazonais, não se importando com a qualidade, mas mantendo a questão da exclusividade, já que são limitadas e efêmeras. Sem contar que há uma enorme diferença em relação ao trabalho, tempo e dinheiro gastos entre ambos os extremos.
O curioso é que, apesar dessa decadência, a maioria das fast-fashion se baseia em tendências lançadas pelas grifes da Alta Costura, principalmente no Brasil que a moda ainda é muito inspirada em outros países. Pode-se dizer, então, que essas redes reproduzem produtos exclusivos lançados por marcas de luxo de maneira acessível, mas ao mesmo tempo limitada, mantendo a unicidade e o desejo do consumidor, ou seja, a famosa ‘modinha’.
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Outro modelo ditador de tendências no Brasil é a telenovela, já que segue o conceito da efemeridade. Um bom exemplo disso era o anel da Jade. Quem não teve o seu? O mais curioso é o efeito de persuasão que há por trás disso tudo, porque, que atire a primeira pedra quem nunca aderiu uma tendência que estava ‘na moda’ e que, após o período de decadência, olhou para trás e pensou ‘por que eu usava aquilo?.
No século XXI – uma época onde tudo é dinheiro, se conecta e se transforma – o conceito fast-fashion cresce de forma assustadora. Temos a liberdade de usar a moda como maneira de expressão, de mostrarmos nosso estilo único, onde ser diferente é ser legal.
Hoje, a moda, mais do que nunca, é para todos e, mesmo aderindo à ‘modinhas’ à la fast-fashion, é importante lembrar e possível manter a exclusividade com nosso toque pessoal, já que a nossa própria essência nunca sai de moda.
(Artigo colaborativo: Bruna Said Miguel)