Duas exposições em Paris celebram o fotógrafo Robert Mapplethorne

Robert Mapplethorpe - Auto-retrato - 1988
Robert Mapplethorpe – Auto-retrato – 1988

Controverso. Quando se pensa num fotógrafo com este título, o nome de Robert Mapplethorpe é o primeiro da lista.

No ano que completa 25 anos de sua morte, Paris o homenageia com duas exposições: ‘Robert Mapplethorne’ acontece de 26 de março a 13 de julho, no Grand Paris e ‘Mapplethorne – Rodin’, de 08 de abril a 21 de setembro, no Museu Rodin.
Obsecado pelo catolicismo e pelo erotismo, Robert Mapplethorpe (1946-1989) é célebre não apenas por seus icônicos retratos em preto e branco e suas controversas fotografias carregadas de conteúdo homoerótico, mas pela importância de seu nome na cena artística e contra cultural nova-iorquina dos anos 1970.
Homossexual, teve um relacionamento a cantora e poeta Patti Smith – com quem viveu por anos no tradicional Hotel Chelsea -, responsável pelos retratos de capa de quase todos os seus discos. Ambos eram assíduos frequentadores da Factory, sede dos projetos performáticos e em múltiplas plataformas de Andy Warhol e um dos pontos mais emblemáticos e efervescentes da história de Manhattan.
Robert Mapplethorpe - Patti Smith - 1976
Robert Mapplethorpe – Patti Smith – 1976

Drugs, sex, rock’n’roll and photo

Terceiro de seis irmãos em uma família de origem irlandesa, Mapplethorpe foi educado em uma escola católica no bairro nova-iorquino do Queens. Após um breve interesse em música, estudou artes gráficas, pintura e escultura no Brooklyn Pratt Institute, mas abandonou o curso antes de se formar. Ali, conheceu a maconha, cocaína, LSD, mescalina e anfetaminas que fariam parte de sua vida. Segundo relatos, ele jamais fotografou ‘limpo’.
Conheceu Patti Smith (mais tarde, ela se tornaria uma estrela do punk-rock) em 1967. Ela o sustentou trabalhando numa livraria. Alternativa, ela usava roupas masculinas – mesmo não sendo lésbica. Assim, como se pareciam fisicamente, acabavam sendo confundido um com o outro. Mesmo após o rompimento, ficaram amigos até a final da vida de Robert.
Em 1968, ele se mudou para São Francisco, onde conheceu a cultura gay sadomasoquista. Na época, havia uma glamourização da estética nas revistas de moda, conhecida como ‘brutalidade chique’. Este universo tornou-se uma referência para sua vida pessoal e profissional.
Começou a se expressar artisticamente com esculturas e colagens de revistas eróticas, interessando-se por fotografia influenciado por John McEndry, curador da coleção gráfica do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. McEndry foi o responsável por presenteá-lo com sua primeira máquina fotográfica, uma Polaroid SX-70.
Em 1972, conheceu seu mais importante mecenas, Sam Wagstaff, e começou a trabalhar com câmeras degrande formato. Montou seu próprio estúdio em 1976, já com sua principal ferramenta de trabalho, uma Hasselblad, e uma pequena teleobjetiva que servia basicamente para retratos, além de fundos neutros e flashes. Passaram por suas lentes nomes como Andy Warhol, Debbie Harry, Richard Gere, Grace Jones e Peter Gabriel.
Robert Mapplethorpe - Grace Jones - 1984
Robert Mapplethorpe – Grace Jones – 1984

Sucesso

Ganhou fama e popularidade ao contribuir para revistas como Vogue e Esquire, mas consagrou-se na cena cultural quando chegou aos museus. Em 1977, realizou duas importantes exposições: uma dedicada à fotografia de flores, outra a nus masculinos e iconografia sadomasoquista.
Em uma época em que a homossexualidade ainda estava distante das manifestações artísticas do século 20, Mapplethorpe explorou ora com delicadeza, ora com brutalidade, o nu masculino, o sexo entre homens e o sadomasoquismo. Mesmo que esses temas bastassem para que causassem controvérsia, suas imagens também apresentavam um conflito: o duplo papel do retratista como observador e participante. A polêmica atingiu seu auge décadas depois, até mesmo após o falecimento de seu autor.
Na década de 80, ele atingiu o auge da fama. Em 1981, realizou dez exposições individuais, em cinco países diferentes. Nos próximos 10 anos, fez 69 exposições, cinco livros e 15 catálogos.
Aos 49 anos, Robert Mapplethorpe morreu, em decorrência da AIDS, no dia 16 de março de 1989. Três meses antes, ele vendeu algo em torno de U$ 500 mil em fotografia.
(Fonte: Centro de Fotografia ESPM | (En)Cena – CEULP/ULBRA)