As confusões entre a imprensa e os convites para eventos sociais

Imprensa
Sou plenamente consciente que recebo convites para eventos (moda, decoração, gastronomia, social, beleza, etc.) graças ao meu trabalho no MONDO MODA. Se amanhã, por algum motivo, não estiver num veículo de comunicação, os convites sumirão. É simples: os convites são para o veículo que represento – e não para mim. É importante ter muito discernimento sobre isto.
Dependendo do evento, as assessorias de imprensa enviam e-mails explicando as regras: sites, blogs e rádio têm direito a mandar um profissional; jornais e revistas, dois e TVs podem enviar de dois a três.
Ou seja, é o modelo antigo. Hoje, sites e blogs de qualidade têm editores, colaboradores e fotógrafos. Mesmo assim, de São Paulo a Campinas, ou seja, da Capital ao Interior, essa prática aparece.
Le Monde
Convites de assessorias de imprensa ainda têm prioridade. Principalmente as antigas, com profissionais que entendem que, toda a divulgação espontânea é válida. Entendem que o post tem sua importância, pois será lido por duas, dez ou cem mil pessoas. O mesmo vale para os compartilhamentos pelas redes sociais. Claro que nem todas pensam assim. Pior: em Campinas, têm assessorias de imprensa que só reconhecem o trabalho de jornal impresso – mesmo que, anualmente, ele seja lido por um número minúsculo de pessoas, em detrimento aos veículos online, que só crescem em número de acessos. Programas de TV ignoram a maioria dos assuntos que não seja ‘Hard News’. Eventualmente, assuntos ‘menores’ rende uma pauta de um minuto num quadro daqueles programas exibidos em horário que ninguém assiste…
Uma vez, uma assessora me convidou para um almoço de abertura de um restaurante. Quando cheguei, encontrei os colegas colocados em mesas próximas às paredes – como se fosse um ‘paredão’. Logo entendi: o convite não era para almoçar. Era para fotografar os convidados. Tanto que, a cada pessoa que chegava, ela se aproximava para avisar que ‘tal pessoa’ estava disponível para foto! Foi um porre!
Vogue Party
Convites vindos de lojistas são confusos. A maioria não sabe qual o papel do jornalista – mas também não se informa para entender quem é você e muito menos o que representa para seu comércio. Neste caso, quando não conheço o lojista, leio com muita atenção o convite e recuso. Mesmo assim, vira e mexe, apesar de calejado, ainda entro em roubadas!
Claro que, existem exceções. Uma minuscula parcela de lojistas são informados. Entende que você é um formador de opinião e independente de levar câmera fotográfica ou não, sua presença é importante. Uma foto no Instagram pode fazer maravilhas para a imagem de um evento. Infelizmente em Campinas, lojistas assim são raridades. A maioria ainda se comporta como se Campinas estivesse congelada na década de 80. E lojista, veja bem, é muito esperto. Ninguém é dono de uma mega loja no Cambuí, de quatro ou cinco franquias, ou tem dois, três ou quatro comércios diferentes sendo ‘bonzinho’, ‘fofo’ ou ‘amigo’. Empresário pensa numa única coisa: lucro! Nada mais.
Estas chatices não acontecem apenas comigo! Colegas especializados em coberturas sociais vivem sendo convidados para roubadas. Quem convida não se preocupa em perguntar se aquilo terá algum custo. Eles acreditam que profissional de imprensa sobrevive do glamour ou da ‘comida do buffet’! Isto quando tem buffet, pois, em alguns casos, lojista adora comprar ‘lanchinho’ de padaria… Bolo de supermercado… Tenso!
Alone in Party
Quando chega um convite ‘individual’ para eventos noturnos – leia-se: é para o fotógrafo! Ou seja, é para fazer cobertura fotográfica DE GRAÇA do evento. Seja um evento interessante ou não, quem convida acredita que sua presença é para ‘trabalhar’ e não para ‘badalar’. É preciso ter muita clareza sobre esta questão. Assim, ninguém se frustra. Mas também existem os abusos. Num jantar num badaladíssimo hotel da cidade, o fotógrafo poderia ir, trabalhar e… Voltar para casa. Ou seja, ele não tinha direito de jantar e ainda pagou uma fortuna pelo estacionamento! Olha o grau da meiguice!
Enfim… Ainda sobre o convite individual para eventos noturnos… Recebo e confirmo minha presença, assim como de meu acompanhante. Em seguida, recebo um e-mail ou telefonema da assessora de imprensa, toda ‘constrangida’, explicando que o evento é para 50 ou 70 pessoas e o cliente autorizou apenas uma pessoa por veículo.
“Você acha que vou sair da minha casa à noite para ir a um evento sozinho? Se me pagassem, é outra conversa”.
Convite individual para eventos diurnos, no caso, café da manha, brunch ou almoço, é aceitável. Afinal, são horários mais complicados para duas pessoas. Raramente, acompanhantes estão disponíveis para isto. Mas ‘à noite’? ‘Sozinho’? Oi?
Imprensa paga
Desde o fenômeno das ‘blogueiras’, a linha que divide a cobertura jornalística da comercial ficou muito confusa. Não acho ruim. O surgimento das blogueiras desnudou a prática do jabá, que sempre foi um assunto delicado nas redações. É a famosa ‘troca’, que pode ser em formato de ‘panetone’ ou ‘final de semana com tudo pago em hotel fazenda’.
As assessorias de imprensa passam apuros para conseguir mídia espontânea – ou seja, divulgação do evento em veículos de comunicação que não cobram nada! Além do mais, elas ainda têm que concorrer de forma desleal com colegas que cobram valores muito abaixo do mercado. Assim, em algumas rodas, assessores comentam que o negócio está cada vez mais desanimador.
Robot work on the computer

Jornais e revistas só divulgam assuntos de clientes ligados ao departamento comercial. É uma prática comum em qualquer cidade – grande ou pequena. Assim, o papel da assessoria de imprensa se torna cada vez mais penoso.

Entendo que a coisa está tensa, principalmente na hora de enviar um convite e depois ser obrigada a avisar que seu cliente só permite uma pessoa por veículo – de preferência que não coma, não beba e não dê qualquer despesa. Mas, sempre penso: para garantir uma boa mídia, por que não diminuir o número de veículos e priorizar aqueles que realmente são relevantes?
Hoje, convite individual para eventos noturnos são gentilmente recusados. Adoro ficar em casa, lendo, assistindo alguma série no Netflix, brincando com meus cachorros ou simplesmente não fazendo nada. Aproveito para tomar um taça de vinho, corto uns pedacinhos de queijo e ganho uma noite de tranquilidade.
(Artigo: Jorge Marcelo Oliveira)

4 comentários

  1. Fantástico tudo o que escreveu.
    Ditia que tem muita gente tão cara de pau que orrde a noção.
    Gosto muito do seu trabalho

  2. PARABÉNS.
    ( PURA REALIDADE !)
    Marcos Limoli ( Linkedin)

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