Impressões de uma primeira visita ao Salone del Mobile Milano 2015 – Parte 2

Coluna assinada pela correspondente internacional Ana Paula Barros – direito de Milão
Ana Paula Barros @ Selfie
Ana Paula Barros @ Selfie

Dando sequência à série de artigos sobre a visita à Milão, partimos para a segunda etapa no Salone del Mobile Milano 2015. (Clique aqui para acessar a primeira parte).

1)      MOROSO
Com a cenografia assinada por Patricia Urquiola, uma floresta geométrica composta por ripas de madeiras, formando um jogo de luz e sombra, apresentava as coleções em dispostas em plataformas, criando um percurso. Alinhados com a visão da empresa, os diferentes designers desenvolveram produtos imprimindo sua personalidade em vários lançamentos. Entre eles estão a poltrona “Gemma”, do arquiteto Daniel Libeskind, que traz uma ideia de contraste entre os ângulos assimétricos das formas (marca de Libeskind em seus projetos) com a suavidade do material.

 

 

O sofá “Matrizia” de Ron Arad remete à um colchão moldado, um “sofá-escultura”, bem confortável e informal. “Bold”, sofá com assinatura de Patricia Urquiola, com um estofamento bem macio (dá para ver pela foto), que afunila nas bordas e com detalhe da costura destacada.

Na coleção de poltronas destaca-se “Husk” de Marc Thorpe, com desenho minimalista e acabamentos sofisticados, variando a altura do encosto, a inspiração veio da palha que envolve o milho, uma forma fechada. A já conhecida “Clarissa Hood” da Urquiola (essa mulher é demais!), foi reapresentada com novos acabamentos e cores.
Banco “Float” do designer japonês Nendo, estrutura metálica e assento em madeira com uma curvatura, explorando a dinâmica da força. Projetados por Tokujin Yoshioka, o pufe “Brook” é lançado em novos tamanhos e acabamentos em degradê (amei!).
Peças complementares e curingas na decoração também fazem parte desse amplo catálogo como o meio-poltrona-meio-sofá “Ottomano” de Scholten & Baijings, mas a função é clara: relaxar. Para terminar, a já consagrada e imponente poltrona “Shadowy” (2009) de Tord Boontje compondo esse ambiente “outdoor” com a coloridíssima linha “Banjooli” (2013) de Sebastian Herkner.
Sim, esse espaço estava fantástico, sou fã!
2)      VITRA
Projetado por Jo Nagasaka do escritório Schemata Architects (Tokio), especializado em projetos comerciais. Com elementos simples como pallets, que recebiam uma camada de uma resina colorida, ressaltava-se a ideia de um ambiente temporário. A proposta assemelhava-se a um armazém. E estava recheado de peças incríveis, já conhecidas e aclamadas.
Uma das peças que mais admiro, a cadeira “Panton” da década de 60, do dinamarquês Verner Panton, estava lindamente apresentada, em miniaturas e várias cores. Essa foi a primeira peça em plástico moldado, em uma peça única, com um design inovador: “sem pernas”.
Entre os lançamentos estão o sofá “Mariposa”, em diversas opções de tamanho, pensando-se nas diversas dimensões de espaços nas cidades e com pufes complementares em três tamanhos, a peça possui encosto e braços ajustáveis, seja para sentar, relaxar ou tirar uma soneca.
3)      KNOLL
Investir no design do estande é um requisito para essas grandes fabricantes, e a Knoll arrasou na parceria com o escritório holandês OMA, que tem como fundador o arquiteto Rem Koolhaas (um dos mais brilhantes atualmente) e Petra Blaisse do estúdio Inside Outside. Um grande neon indicava: “this is Knoll”, essa frase simples, direta e, levando-se em consideração os seus produtos, diz muito. Qualidade e design são intrínsecos.
O espaço era dividido em seis setores, separados por longas cortinas pretas e cinza brilhantes, trazendo as peças clássicas e os lançamentos. Gostei mais da cenografia e de revisitar as conhecidas: como não se encantar novamente com o a icônica poltrona “Bird” (1952) de Harry Bertoia acompanhada da mesa lateral Saarinen (década de 50) e a mesa de centro Platner (1966). Outra peça que não conhecia e achei muito bonita foi a cadeira Washington Skeleton (2013) de David Adjaye, um pattern geométrico e uma estrutura que parece desafiar o equilíbrio, destacava-se com o acabamento cobre.
4)      EDRA
Um palácio de espelhos, é a melhor definição. Alinhados, levavam ao infinito. Uma iluminação bem pontuada, dramática, cores sóbrias e as peças surgindo em meio a esse brilho todo, sendo algumas com acabamento brilhante. Como exemplo, a cadeira “Vermelha” (1998) dos Campanas e seus 500m de corda, dourada. Dos lançamentos, gostei da cadeira “Ella” de Jacopo Foggini, em poliarbonato moldado, manualmente, o que confere essa irregularidade na sua superfície. Seu formato lembra uma flor, as pétalas sobrepostas, num mix de verde e azul.
5)      KARTELL
O tema desse ano “Kartell Contemporary Lifestyle”, era apresentar o conceito da marca: versátil e eclética. Misturar estilos clássico e contemporâneo no mesmo ambiente. Os expositores eram revestidos com um lamindado que assemelhava-se a um mármore em amplos painéis. Sobre esse fundo, as peças complementavam a ambientação. Algumas destas revisitadas, como a coleção “Precious Kartell”, com efeitos metálicos, como o abajour “Bourgie” (Ferruccio Laviani) e a cadeira “Masters” (Philippe Starck).
A parceria com Emilio Pucci para criar estampas para a cadeira “Madame” (Philippe Starck), com o tema “Cities of the World”, foi uma das atrações. Representações estilizadas das ruas, praças e skylines onde boutiques estão localizadas, em quatro estampas: Paris Avenue Montaigne, Roma Piazza di Spagna, New York Madison Avenue e New York Fantasia. Aproveitando, é possível encontrar uma edição limitada de lenços com a mesma temática, nas lojas da Emilio Pucci.
Lançadas em janeiro desse ano na Maison&Objet (Paris), a “Kartell Fragances” traz oito diferentes essências em quatro diferentes tipos de difusores (todos cheios de charme, lógico): velas, vaporizadores, dispositivos eletrônicos com cápsulas e varetas-difusor, em diferentes cores e formatos. No total são quase 70 opções para tornar ambientes ainda mais agradáveis, estimulando o sentido olfativo.
6)      DESIGUAL
Já é sabido há tempos que Moda e Design, andam juntos, sejam nas referências e direcionamento de tendências, como na parceria entre os dois setores (haja visto a Kartell acima) e, também, no complemento da decoração. E, nesse quesito, a marca de roupas espanhola Desigual, coloridíssima, apresenta essa “vestimenta para casa”. Um estande super descolado, com um bar na entrada e um mix de texturas, cores e estampas incrível. Para quem não tem medo de ousar!
7)      DRIADE
Explorando o conceito “design atemporal”, o grande espaço da marca trouxe várias versões de sua coleção já consolidada. Diversas cadeiras “Lago” (2014) de Philippe Starck, flutuavam sobre o átrio central do espaço, que era preenchido com as mesas “Koishi” (2004 – Naoto Fukasawa), inspirada pedras dos jardins japoneses, nas quais alguns visitantes sentavam. Nos corredores laterais, encontravam-se outras peças como a “Nemo” de Fabio November, uma máscara com características clássicas (nunca tinha visto tantas juntas) e a “Lou Read” de Philippe Starck e Eugeni Quitllet. Contraste de cores vibrantes e tons neutros nas peças.
8)      CASSINA
Homenageando os 50 anos da morte de Le Corbusier e comemorando o 50º aniversário da coleção LC, o espaço da Cassina trazia em baixo relevo alguns desenhos de um dos mais importantes arquitetos. Para os lançamentos de 2015, o designer espanhol Jaime Hayon apresenta uma nova coleção de objetos, inspirados nas formas orgânicas da arquitetura de Le Corbusier. Chamada “The Réaction Poétique”, é composta por centros de mesa, bandeja e mesas laterais, feitas em madeira escura (ash-wood) com acabamento em baixo brilho. As peças estava, distribuídas e ambientadas em diversas configurações. Na foto, a poltrona icônica “LC2”, datada de 1928, com revestimento e cores inusitadas.
Esse é o fim da jornada pelo Salone del Mobile. Ainda tem mais algumas coisas bacanas para contar sobre Milão e o fim de semana design no qual me aventurei. Acompanhe aqui no MONDO MODA!
(Fotos: Ana Paula Barros – especial para o MONDO MODA)