A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que Glenn Close será homenageada com um Oscar Honorário durante a cerimônia do Governors Awards, marcada para 15 de novembro de 2026.
A distinção reconhece a contribuição extraordinária da atriz para o cinema ao longo de mais de cinco décadas de atuação e encerra uma das estatísticas mais comentadas da história recente da premiação: oito indicações competitivas ao Oscar sem uma vitória.

A homenagem coloca Glenn Close ao lado de nomes como Ridley Scott, Floyd Norman, Christine Vachon e Pamela Koffler entre os agraciados deste ano. Segundo a Academia, o prêmio reconhece artistas cujas carreiras tiveram impacto significativo e duradouro na indústria cinematográfica.
A trajetória de Close no cinema começou de forma relativamente tardia. Após consolidar uma carreira nos palcos, a atriz estreou nas telas em O Mundo Segundo Garp (1982), papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Nos dois anos seguintes, voltou a ser indicada como atriz coadjuvante por O Reencontro (1983) e Um Homem Fora de Série (1984), tornando-se rapidamente uma das intérpretes mais respeitadas de sua geração.

O reconhecimento internacional se ampliou na segunda metade da década de 1980. Em Atração Fatal (1987), Close interpretou Alex Forrest, personagem que se tornou um dos símbolos do suspense psicológico daquele período. No ano seguinte, recebeu nova indicação ao Oscar por sua atuação como a Marquesa de Merteuil em Ligações Perigosas (1988), adaptação do romance de Choderlos de Laclos que conquistou três estatuetas da Academia.
Ao longo das décadas seguintes, a atriz transitou por diferentes gêneros e registros. Sua interpretação de Cruella de Vil nos filmes 101 Dálmatas (1996) e 102 Dálmatas (2000) apresentou a personagem a uma nova geração de espectadores. Ela também integrou produções como Marte Ataca! (1996), de Tim Burton, e Air Force One (1997), consolidando uma filmografia marcada pela diversidade de papéis.
Entre seus projetos mais pessoais está Albert Nobbs (2011), adaptação que Close ajudou a desenvolver durante anos antes de chegar às telas. O trabalho lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar.

Em 2018, voltou ao centro da temporada de premiações com A Esposa, performance amplamente elogiada pela crítica e vencedora do Globo de Ouro, do SAG Awards e do Critics Choice Awards. Apesar do favoritismo, a atriz acabou superada por Olivia Colman na disputa pelo Oscar de Melhor Atriz.
Sua oitava e mais recente indicação veio por Era Uma Vez Um Sonho (2020), reforçando uma trajetória marcada pela consistência artística e pela permanência entre os principais nomes da interpretação cinematográfica.

O Oscar Honorário chega em um momento de intensa atividade profissional. Em maio deste ano, ela esteve no Festival de Cannes como integrante do elenco de La bola negra, filme dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, vencedor do prêmio de Melhor Direção. Recentemente, também participou da tradicional cerimônia de impressão das mãos e pés no TCL Chinese Theatre, uma das honrarias mais emblemáticas de Hollywood.

Embora não substitua uma vitória em categoria competitiva, o Oscar Honorário insere oficialmente Glenn Close entre os artistas reconhecidos pela Academia por suas contribuições excepcionais à história do cinema. Para uma atriz cuja carreira atravessa mais de 50 anos de transformações na indústria, a homenagem representa o reconhecimento institucional de um legado construído por meio de algumas das atuações mais marcantes de sua geração.
Premiações de Glenn Close
Teatro (Broadway)
Tony Awards
Glenn Close possui quatro indicações ao prêmio máximo do teatro estadunidense e conquistou 3 vitórias, todas na categoria de Melhor Atriz Principal:
1984: The Real Thing (Melhor Atriz em Peça)
1992: Death and the Maiden (Melhor Atriz em Peça)
1995: Sunset Boulevard (Melhor Atriz em Musical, por sua lendária Norma Desmond)
Drama Desk Awards
A premiação que engloba produções da Broadway e Off-Broadway deu a ela 1 vitória:
1995: Sunset Boulevard (Melhor Atriz em Musical)
Cinema e TV (Premiações da Indústria)
Primetime Emmy Awards
Com um total de 14 indicações ao longo da carreira, Glenn faturou 3 estatuetas:
1995: Servindo em Silêncio: A História de Margarethe Cammermeyer (Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme)
2008: Damages (Melhor Atriz em Série Dramática, por seu papel de Patty Hewes)
2009: Damages (Melhor Atriz em Série Dramática)
Globo de Ouro
Glenn acumula 16 indicações em sua trajetória (entre cinema e TV) e saiu vitoriosa em 3 ocasiões:
2005: Bárbaros & Traidores (Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme)
2008: Damages (Melhor Atriz em Série de TV – Drama)
2019: A Esposa (The Wife) (Melhor Atriz em Filme – Drama)
SAG Awards (Screen Actors Guild)
O prestigiado prêmio do sindicato dos atores reconheceu Glenn com 2 vitórias individuais:
2005: Bárbaros & Traidores (Melhor Atriz em Telefilme ou Minissérie)
2019: A Esposa (The Wife) (Melhor Atriz Principal em Cinema)
Critics Choice Awards
Na premiação da maior associação de críticos de Hollywood, ela conquistou 1 vitória marcante:
2019: A Esposa (The Wife) (Melhor Atriz em Cinema — em um empate histórico com Lady Gaga por Nasce Uma Estrela)

A Jornada de Glenn no Oscar
1983 — O Mundo Segundo Garp (The World According to Garp)
Categoria: Melhor Atriz Coadjuvante – Logo em seu primeiro papel no cinema, aos 35 anos, Glenn chocou a indústria ao ser indicada vivendo Jenny Fields, a mãe do protagonista vivido por Robin Williams.
1984 — O Reencontro (The Big Chill)
Categoria: Melhor Atriz Coadjuvante – No ano seguinte, ela voltou a ser indicada pelo retrato sensível e contido de Sarah Cooper, nesta obra-prima de Lawrence Kasdan que se tornou o retrato definitivo de uma geração.
1985 — Um Homem Fora de Série (The Natural)
Categoria: Melhor Atriz Coadjuvante – Fechando uma sequência espetacular de três indicações em três anos, ela foi lembrada pelo papel de Iris Gaines, o antigo amor que serve de farol moral para o jogador de beisebol vivido por Robert Redford.
1988 — Atração Fatal (Fatal Attraction)
Categoria: Melhor Atriz Principal – Sua primeira indicação como protagonista veio com a magnética e perturbadora Alex Forrest. Ela transformou o thriller psicológico em um debate cultural global sobre obsessão e fidelidade.
1989 — Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons)
Categoria: Melhor Atriz Principal – No ano seguinte, Glenn entregou aquela que muitos críticos consideram a maior atuação de sua vida: a manipuladora Marquesa de Merteuil, destilando veneno, elegância e hipocrisia na aristocracia francesa pré-revolução.
2012 — Albert Nobbs (Albert Nobbs)
Categoria: Melhor Atriz Principal – Após focar intensamente no teatro e na televisão durante os anos 1990 e 2000, Glenn retornou ao Oscar com um projeto pessoal que lutou duas décadas para produzir, passando por uma transformação física radical para viver um homem na Irlanda do século XIX.
2019 — A Esposa (The Wife)
Categoria: Melhor Atriz Principal – A consagração que parecia óbvia por sua atuação contida, expressada nos silêncios e no olhar de Joan Castleman, culminou na vitória surpreendente de Olivia Colman na noite da entrega.
2021 — Era Uma Vez um Sonho (Hillbilly Elegy)
Categoria: Melhor Atriz Coadjuvante – Sua oitava indicação veio com uma caracterização pesada e irreconhecível como a avó durona “Mamaw”. Foi a indicação que a igualou a Peter O’Toole no histórico de indicações sem vitórias, criando o cenário perfeito para a reparação histórica que o Oscar Honorário finalmente trará agora.
