O verdadeiro conceito do Museu Oscar Niemeyer em Curitiba

Coluna assinada pela arquiteta Patrícia Forte – especial de Curitiba para o MONDO MODA
Patrícia Forte @ Paula Poltronieri
Patrícia Forte @ Paula Poltronieri

Curitiba é uma cidade encantadora, na maioria dos aspectos, principalmente pelos pontos turísticos e pela facilidade de acesso a eles. Há um ônibus da linha turística, conhecido como ‘jardineira’ que passa por esses principais pontos turísticos e culturais da cidade, permitindo a visitação de quase todos em um único dia com um preço acessível aos turistas interessados.

Destacando-se entre os pontos mais interessantes está o Museu Oscar Niemeyer, parada obrigatória para quem gosta de cultura e arte, começando pela sua construção, forma arquitetônica e linguagem. Em alguns dias da semana a entrada é gratuita aos visitantes.
Projetado por Oscar Niemeyer em 1967, o prédio foi inaugurado apenas em 1978, ganhando o nome de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco. Ele conta com um projeto arquitetônico que valoriza os vãos livres e balanços, caixa suspensa sobre pilotis, fachadas cegas e iluminação zenital, em si já justificavam sua apropriação enquanto espaço de arte e arquitetura. Em 2001, 23 anos depois de sua inauguração, as autoridades do Estado decidiram transformar a generosa área em museu e, em 22 de novembro de 2002,foi inaugurado o pavilhão anexo. Dos 35 mil metros quadrados da construção, 17 mil foi ocupado pela área expositiva do museu. Nasceu um anexo frontal que, pela forma, foi batizado de “Olho”, abrigando a sala principal de exposições e criando uma nova identidade ao espaço, enriquecendo o centro cívico de Curitiba. Constitui-se em um grande volume de concreto e vidro, cuja criação se vale dos traços sinuosos do arquiteto com o objetivo de propiciar leveza e simplicidade, suspenso do solo de modo a não esconder a construção original.
A inspiração
MON é a verdadeira prova da relação direta entre arquitetura e arte, no melhor International Style (estilo arquitetônico do MON), o Edifício Anexo tem uma forma peculiar, que gera uma falsa impressão de que é um olho (como é popularmente conhecido por 90% dos visitantes e é carinhosamente chamado como “Museu do Olho”), mas o que poucos sabem é que o conceito e inspiração de sua forma, pensados por Niemeyer são bem mais complexos. Ele desafiou a forma na grande maioria de seus projetos, desenvolvendo um partido arquitetônico baseado no conceito desenvolvido a partir das curvas da mulher brasileira. Aqui não foi diferente, mas não era na curva da mulher, mas no movimento de seus quadris.
Na área amarela que é a base da construção do edifício nos espelhos d´agua há a prova da inspiração da forma deste anexo. O desenho é uma moça fazendo um movimento da ginástica rítmica com fita. A forma do anexo do museu é exatamente o espaço vazio que há entre os braços abertos e a fita. A arte amarela da construção é o corpo da mulher usado como base deste movimento, criando uma estrutura magnífica a partir de um conceito muito interessante e quase desconhecido pelo público.
O anexo do MOM é um ícone visual de Curitiba e tem uma linguagem escultural de traços, formas e conceitos peculiares, onde em algum ponto contrariam a matemática e a física, desafiando os cálculos estruturais da engenharia comum.

(Fotos: Patricia Forte)