Vichy: versátil e atemporal

Coluna assinada pela correspondente internacional Ana Paula Barros – direto da Suiça
Ana Paula Barros @ Selfie
Ana Paula Barros @ Selfie

Mais conhecido pelo seu nome em francês vichy, o tecido em algodão é também chamado de gingham. O padrão pode variar entre quadriculados pequenos e grandes, suas cores mais tradicionais são azul/branco e vermelho/branco.

Como os fios que formam a trama já são coloridos, quando entrelaçados, o tecido mantém a mesma aparência dos dois lados, não existe avesso.
Tem sua origem na Malásia, à época colônia holandesa, onde era chamado de genggang, que significa listrado, que era seu padrão inicial.
Chegou à Europa no século XVII e ganhou ampla aceitação, pois seu custo de produção era  barato e resultava em um tecido prático e durável. Porém há uma “briga” entre vários países que reclamam sua origem, entre eles Alemanha, França, Itália e Estados Unidos. Em todos, o desenvolvimento da indústria têxtil estava atrelado à produção em massa desse tecido.
Por ser um produto barato, conquistou espaço em roupas de casa (toalhas, cortinas, aventais), característico de um visual mais rústico (estilo country) e também vestuários de trabalho e estabelecimentos comerciais, muitos bistrôs e restaurantes usavam nas toalhas de mesa. Desde então, ciclicamente, reaparece ganhando novas cores e utilizações.
Na década de 20, pós Primeira Guerra Mundial era uma opção de baixo custo para a fabricação de roupas, uma vez que a economia se encontrava em reconstrução.
Na década de 40, Katharine Hepburn no filme “The Philadelphia Story” (Núpcias de Escândalo no Brasil) e Judy Garland como Dorothy Gale no filme “O Mágico de Oz”, apareceram em vestidos à moda gingham e se tornaram referências, aumentando a procura por peças nesse tecido.
Nos anos 50, nos Estados Unidos, o tecido novamente foi resgatado com nostalgia, como um ícone da vida doméstica e tornou-se parte de uma campanha de valorização do lifestyle americano: mulheres cuidando da casa enquanto seus maridos trabalhavam.
Ao mesmo tempo virou o símbolo de rebeldia da crescente cultura rockabilly, jovens buscando uma identidade e as moças usando camisas masculinas amarradas e marcando bem a silhueta, com jeans, ultra ousado para a época! Mas o vichy ganhou fama internacional quando Brigitte Bardot usou-o em rosa e branco em seu vestido de casamento com Jacques Charrier.
Estrelas de Hollywood como Marylin Monroe, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn, cada qual no seu estilo, mas tendo em comum o quadriculado fazendo parte do visual da época.
Nos próximos anos, o gingham/vichy permeou a moda, reinventado e apropriado por diferentes estilos, desde jovens até a alfaiataria e a alta costura.
Nos dias atuais, ainda se encontram releituras e inúmeras cores em revestimentos e acabamentos para decoração. Já na moda, para quem gosta de um toque retro, é definitivamente uma ótima referência.