Morre o estilista André Courréges – o pai da minissaia

O estilista André Courréges, um dos ícones da moda francesa do século XX e que popularizou a minissaia na década de 60, morreu na noite de quinta-feira aos 92 anos, anunciou nesta sexta-feira a marca que leva seu nome.
Em comunicado, a marca apontou que Courréges faleceu em sua casa de Neuilly-sul-Seine, perto de Paris, após mais de 30 anos de “combate contra o mal de Parkinson”.
André Courrèges criou sua própria marca em 1961 com o apoio de Cristóbal Balenciaga, seu antigo mestre, e revolucionou o mundo da moda com propostas que, em sua época, chocaram os princípios conservadores da sociedade.
A história
Ele nasceu na cidade de Pau, França, em 9 de março de 1923. Sempre teve muito interesse em arquitetura e design, o que o levou a cursar engenharia civil na l`Ecole des Ponts et Chaussées (Escola de Pontes e Barragens).
Em 1945, se transferiu para Paris e começou a trabalhar numa pequena casa de moda. Em 1949, ele conheceu o espanhol Cristóbal Balenciaga, com quem iria trabalhar por 11 anos. Foi nesse período que Courrèges aprendeu a arte do design de moda, o que o preparou para abrir sua própria maison em 1961.
Sempre ligado à arquitetura – assim como seu mestre – trabalhou suas coleções a partir de linhas retas, formas geométricas e um apurado equilíbrio técnico e artístico. Em busca de inovação, o estilista criou polêmica ao apresentar sua coleção de inverno em 1963, com o lançamento das pantalonas, calças que podiam ser usadas em todas as ocasiões pelas mulheres.
No entanto, em 1964, ele provocou a conhecida “revolução Courrèges” com uma coleção branca futurista chamada “space age”. O espírito jovem da época ficou imortalizado nas suas “moon girls”, vestidas de branco e prata, cores fluorescentes e materiais sintéticos.
Eram as idéias de tecnologia, viagens espaciais e futuro a inspiração para o look branco total, inclusive nas famosas botas sem saltos, de cano curto ou longo, usadas com as minissaias – no mesmo momento que Mary Quant fazia o mesmo em Londres – e mini-vestidos tubinho, tudo isso usado com maxi óculos – como nas imagens popularizadas pela atriz Audrey Hepburn.
Um visionário da moda, Courrèges imaginava a mulher do ano 2000 usando materiais plásticos, andrógina e espacial. Claro que isto não aconteceu, mas seu grande acerto estava na idéia de conforto, como as calças e shorts para mulheres e os conjuntos completos em malha. Ele queria fazer roupas práticas, simples, valorizando as texturas e usando a malha como uma segunda pele, concretizadas nos macacões e collants. Sua constante busca pela luminosidade o fez usar quase sempre cores claras e tons pastel.
Seguiu-se em suas coleções a criação de vestidos brancos com detalhes em bege, terninhos em branco e prata, vestidos e casacos em formato trapézio com detalhes em cores contrastantes e macacões espaciais.
Courrèges era contra a política de licenças, comum na maioria das maisons da época, e resolveu fabricar e distribuir ele mesmo suas criações, facilmente adaptáveis à fabricação em série devido à pureza e minimalismo de seu estilo. Nesse sentido, criou, em 1967, a linha “Couture Future”, fabricada em série, mas dentro dos padrões de qualidade e de estética da alta-costura.
A partir dos anos 70, ele começou a diversificar suas atividades e criou roupas para homens, perfumes [lançou o primeiro em 1971, chamado Empreinte], além de acessórios, móveis, telefones, pranchas de surf e bicicletas.
Nessa época, sua marca já estava em vários países, em butiques exclusivas e pontos de venda licenciados. Em 1983, cerca de 75% da grife Courrèges já estava sob controle japonês, que parou de investir no departamento de alta-costura. Isso resultou, em 1986, na perda do seu título de Grande Criador, conferido a poucas maisons que precisam cumprir uma série de exigências para serem consideradas de alta-costura.
Em 1993, o estilista francês Jean-Charles Castelbajac criou sua primeira coleção para a Courrèges, tendo o plástico como principal referência. Todas as criações remetiam aos anos 60, como roupas de tecido costurado em listras com plástico transparente, minissaias, capas de plástico com flores em relevo, zíperes e muita modernidade. No ano seguinte, trouxe uma coleção de linhas geométricas em cores fortes.
(Fontes: Terra | Almanaque da Folha)