Série “As Panteras (Charlie’s Angels)” completa 40 anos

As Panteras 1976 - 1977 @ Reprodução
As Panteras 1976 – 1977 @ Reprodução

“As Panteras (Charlie’s Angel)” estreou no canal americano ABC em 1976. Rapidamente se tornou um sucesso dos fins de noite, conseguindo uma boa audiência. Da noite para o dia, as três detetives conquistaram a América, e na sequência, o resto do mundo. De repente, a imagem das atrizes estava em figurinhas de chiclete, pôsteres, lancheiras, bonecas e nas revistas (incluindo a Time – a mais importante publicação americana semanal). O seriado chegou a ocupar a quarta posição entre os mais vistos nos Estados Unidos.
O show foi criado por Ivan Goff e Ben Roberts, mas foi através dos produtores executivos Aaron Speling e Leonard Goldberg que a série funcionou, quando mudaram o formato, dando mais humor, charme e agilidade. Também contou com inúmeras participações de celebridades da época, como Gene Barry, Kim Basinger, Sonny Bono, Jamie Lee Curtis, Timothy Dalton, Sammy Davis, Jr e Robert Urich, entre muitos outros.
O piloto da série foi apresentado em 21 de março de 1976 com duração de 90 minutos. Aprovado, sua estreia aconteceu em 22 de setembro, rendendo cinco temporadas com 116 episódios de aproximadamente 50 minutos. Teve três trocas de atrizes e foi cancelado no dia 24 de junho de 1981.
Bastidores
Depois de vários testes com dezenas de atrizes, as escolhidas pelos executivos da ABC foram Kate Jackson (Sabrina Duncan) e Jaclyn Smith (Kelly Garrent). Para o papel de Jill Munroe, os produtores queriam uma loira com a sensualidade que misturasse a saudável “Garota de Malibu” com suaves doses de malícia e muito glamour.
Farah Fawcett Majors – atriz e modelo mais conhecida por ser esposa do ator Lee Majors, “O Homem de Seis Milhões de Dólares” – foi a última a ser escalada. Na realidade, ela ficou indecisa por um bom tempo, pois acreditava que, depois de uma bem sucedida participação no seriado do marido, ganharia um programa próprio. Contudo, aceitou e sua vida mudou.
No começo, Kate Jackson seria a protagonista. Com uma carreira “sólida” na tevê americana, ganhava um salário de US$ 10.000 por semana, enquanto as demais recebiam US$ 5.000. Só que o furacão Farrah, com penteado Pigmaleão que marcou a década de 70, logo roubou a cena e se tornou a primeira pantera a ganhar a mídia, capas de revistas e jornais, estrelando todas as ações de merchandising.

Farrah Fawcett Majors 1976 @ Divulgação
Farrah Fawcett Majors 1976 @ Divulgação

A carreira de Farrah Fawcett foi instantaneamente alavancada, graças também ao lançamento de seu famoso “pôster do maiô”, que vendeu milhões de cópias. Seu pôster aparecia em todos os lugares, incluindo o filme “Os Embalos de Sábado À Noite” – o grande hit de 1977.
Deslumbrada com tamanho sucesso, insatisfeita com o rumo que a personagem estava tomando e com inúmeras novas propostas de trabalho, Farrah decidiu deixar a série no final da primeira temporada. Sua saída chocou o público e os produtores, Aaron Spelling e Leonard Goldberg a processaram por quebrar um contrato de cinco anos. Fawcett foi substituída por Cheryl Ladd, que fez a irmã caçula de Jill, a personagem Kris Munroe. A pressão foi enorme em cima da jovem cantora e atriz, que, com medo de não repetir o sucesso da antecessora, optou por criar uma personagem muito bem humorada e que se metia nas maiores roubadas. Assim, mesmo com tristeza da legião de fãs de Farrah, Cheryl seguiu firme e forte, ficando até o final do programa. Para não piorar sua estória com a emissora, Farrah voltou como convidada especial de mais seis episódios até 1980.
Em junho de 1979, foi a vez de Kate Jackson também sair da série, sendo substituída por Shelley Hack, interpretado a personagem Tiffany Welles. Foi outro grande choque, pois sua personagem era a Tática, ou seja, aquela que determinava os movimentos das outras duas.
Vinda das passarelas e campanhas publicitárias, Shelley ficou pouquíssimo tempo no programa e foi substituída por Tanya Roberts (vivendo Julie Rogers). Na série, Jill deixou a agência de Charlie para ir para a Europa e se tornar uma campeã das corridas de carro. Mas ela voltou para ver sua irmã e suas ex-colegas de trabalho no final da temporada 1978-79, que representa o auge da série por apresentar as quatro Charlie’s Angels juntas! E assim elas formaram o melhor time de detetives já visto na TV.
As Panteras ganhou o People’s Choise Award como ‘Novo Programa’ em 1977. Também rendeu três indicações de melhor atriz para Kate Jackson no Globo de Ouro e duas ao Emmy. Farrah foi indicada ao Globo de Ouro pela única temporada que atuou. David Doyle, o divertido Bosley, também teve indicações aos dois prêmios.

As Panteras - 1976 @ Divulgação
As Panteras – 1976 @ Divulgação

A Estória
Saídas da Academia de Polícia de Los Angeles, três belas mulheres são contratadas pela Agência de Detetives Towsend, do misterioso Charlie Townsend. O trabalho das moças é investigar crimes em lugares exóticos e glamourosos. As três chamam atenção na eficiência ao manejar armas e na astúcia para desvendar os casos.
A agência ficava sob o comando do homem de confiança de Charlie, John Bosley, que além de servir de intermediário entre Charlie e suas “Panteras”, muitas vezes participava ativamente nas operações.
Sabrina Duncan é a mais esperta do grupo e tem maior habilidade para se disfarçar e mudar de voz. Kelly Garrett é a mais calma e calculista e Jill Munroe é a que usa da sensualidade para ajudá-la nas investigações. Todos recebiam as missões via um aparelho de viva-voz – que se tornou o ‘gagdet’ mais famoso da época. Em diversas ocasiões, elas tentavam conhecer seu chefe, mas era impossível. Somente no último episódio da série, tanto o público como as Panteras puderam finalmente conhecê-lo.
As missões das Panteras era combater e desvendar crimes em diversos lugares, de preferência locais exóticos e glamorosos, mas o destaque ficava mesmo por conta da beleza das jovens, dos seus lindos cabelos e pelo jeito especial feminino para resolver os mistérios.
Kate Jackson odiava isto. Era uma atriz ‘séria’, que pensava numa composição mais feminista em sua Sabrina Duncan. Raramente era possível, mas, rapidamente, este detalhe ganhou a atenção das lésbicas da época, que a adoravam, copiavam seus looks, incluindo roupa e cabelo.
Além de Kate, o assunto também chamou a atenção em outras emissoras, tornando motivo de piada. Em 1977, a CBS lançava a série ‘A Mulher Biônica’, estrelada por Lindsay Wagner, que foi construída numa imagem ‘mais real’ da mulher da década. O resultado que também agradou ao público, transformando a série num sucesso internacional.
Outras Versões
O produtor Aaron Spelling tentou reviver As Panteras no final da década de 80 com um elenco novo, porém, o piloto de Angels’ 88 nem chegou a ser exibido. Os tempos eram outros. As ‘novelas noturnas’ “Dallas” e “Dinastia” eram a cara da década governada por Ronald Reagan. O publico estava fascinado pelo jogo de poder entre famílias milionárias do ramo de petróleo.
Em 2000, Drew Barrymore foi uma das produtoras da versão “As Panteras” para o cinema, atuando ao lado de Cameron Diaz e Lucy Liu interpretando Dylan Sanders, Natalie Cook e Lucy Kiu. Arrecadou U$ 264,105 milhões de bilheteria interna e no mercado internacional. Com o sucesso desse filme a Columbia Pictures produziu ainda uma sequência em 2003, “As Panteras – Detonando”, que levou U$ 259,175 milhões. Apesar de divertido, ambos tinham séries problemas de roteiro e no desenvolvimento das personagens, que soaram caricatas para o novo milênio.
Em 2011, uma nova versão do seriado foi criada na rede ABC, estrelada por Rachael Taylor, Annie Ilonzeh e Minka Kelly. Apesar de não ser ruim, a emissora exibiu apenas quatro episódios, cancelando-a por falta de público.
No Brasil
A Rede Globo exibiu a série na sequência na faixa Quarta Nobre, e depois, já em reprise, na Sessão Aventura, no horário da tarde. Ainda, no início dos anos 1990 foi exibida pela TV Gazeta.
Depois de mais de dez anos fora da TV aberta brasileira, As Panteras retornaria em 2004 através da Rede 21, antes disto, porém, durante os anos 1990 a série foi apresentada no Brasil pelo canal por assinatura Fox.
Curiosidades
• O penteado de Farrah Fawcett, com seus cabelos loiros, longos e esvoaçantes, se tornou uma referência no final da década de 70. No auge, ela lançou uma linha de shampoos e condicionadores com se nome para cabelos de todos os tipos.
• Terno masculino, pantalonas, sleep dress, blusa de gola cacharrel  – usada com correntes douradas, sandálias plataformas e camisa xadrez usado com colete, algumas das peças usadas pelas personagens, se tornaram as principais referências da moda ocidental da segunda metade da década de 70.
• Kate Jackson tinha o temperamento mais oscilante das três. Segundo tabloides, sua saída do seriado não foi devido a crises conjugais com o seu então marido na época, o ator Andrew Stevens, alegadas pela atriz, mas sim, pelas discussões que vinha tendo com o produtor Aaron Spelling.
• A atriz Cheryl Ladd antes de participar do seriado, já havia trabalhado com a atriz Kate Jackson em Satan´s School for Girls, na sua 1ª versão em 1973. Ela também emprestou a voz para o desenho animado “Josie e as Gatinhas”.
• Os carros de As Panteras eram clássicos dos anos 70: Kelly dirigia um Mustang, Jill tinha um White Cobra II e Sabrina, um Orange Pinto.
• Em 1979, para o teste em substituição à atriz Shelley Hack, Michelle Pfeiffer quase ficou com o papel.
• Farrah Fawcett, apareceu pela 1ª vez na revista Playboy em 1978, com fotos sensuais. Somente em 1995, aos 48 anos de idade que tirou tudo para a edição de aniversário da revista, vendendo quatro milhões de exemplares.
• O trio esteve presente na celebração do aniversário de 50 anos da rede ABC de televisão em 2002.

• No Emmy 2006, o trio original participou da homenagem ao produtor Aaron Spelling, que tinha morrido naquele ano. Foi a última imagem juntas, pois em seguida, Farrah enfrentaria uma longa batalha contra o câncer, que a mataria no mesmo dia do Michael Jackson, 25 de junho de 2009.
• O clássico tema de abertura foi composto por Allyn Fergunson em parceria com Jack Elliot. (Fontes: InfanTV e IMDb)