MONDO MODA analisa as principais categorias do Oscar 2017

O Oscar 2017 acontecerá no domingo, 26 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, com exibição a partir das 21h30 pelo canal TNT. A (longa) cerimônia será apresentada pelo comediante Jimmy Kimmel, que foi escolhido após comandar o Emmy em 2012 e em 2016. Tirando a Ellen DeGeneris, que é a melhor do momento, ele funciona – lembrando que fez um tipo de humor muito americano.
MONDO MODA preparou uma análise sobre principais categorias: Filme, Diretor, Ator, Atriz, Ator e Atriz Coadjuvante do OSCAR 2017.
FILME

Emma Stone e Ryan Gosling em La La Land @ Divulgação
Emma Stone e Ryan Gosling em La La Land @ Divulgação

‘La La Land: Cantando Estações’ é o vencedor. Desde ‘Titanic’, em 1997, nenhuma vitória foi tão óbvia quanto essa. É um suflê bonitinho que usa Los Angeles como pano de fundo para mostrar um romance/musical com uma dupla de atores carismáticos e charmosos. Se tirasse a cena inicial e seis números musicais, seria um filme mais bacana. Enfim…
Porém, ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’ é o melhor filme. É um drama sensível, forte e ousado, que acompanha a vida de um garoto negro, gay e pobre da periferia de Miami, numa estória contada em três atos. O roteiro subverte alguns conceitos, quebra paradigmas e provoca discussão. Seria um avanço e tanto para a Academia.
O drama ‘Estrelas Além do Tempo’ conta a estória de três mulheres negras que, de formas diferentes, contribuíram pela corrida espacial dos Estados Unidos nos anos 60. É o tipo do filme edificante, contado de uma forma simpática e honesta. Tem cara de Sessão da Tarde. Nas últimas semanas, graças ao trabalho dos estrategistas e publicitários da máquina de Hollywood, ele começou a ganhar força. Acho pouco provável que funcione.
A saga de garoto em busca da família que ‘perdeu’ na Índia garante a ‘Lion: Uma Jornada Para Casa’ o título de mais emocionante do ano. Impossível não se envolver com sua saga. Apesar de perder fôlego na segunda parte, temos boas atuações de Dev Patel e Nicole Kidman.
Outros concorrentes: A chegada, Até o último homem, Um Limite Entre Nós, A qualquer custo e Manchester à Beira-Mar.
DIRETOR

Damien Chazelle @ Divulgação
Damien Chazelle @ Divulgação

Como um filme poder levar o Oscar e seu diretor não? Pois é, apesar de parecer óbvio, a Academia não pensa assim. ‘Spotlight’, ’12 Anos de Escridão’, ‘Argo’, ‘Crash’, ‘Chicago’, ‘Gladiador’, ‘Shakespeare Apaixonado’, ‘Conduzindo Miss Daysi’, ‘Carruagens de Fogo’ e ‘O Poderoso Chefão’ levaram o prêmio principal, mas seus diretores não. Sempre ocorre a pergunta: o filme se auto dirigiu?’ Enfim… Se ‘La La Land’ é o franco favorito, Damien Chazelle também deverá vencer (Dúvida: Será que ele fará uma limpeza de pele e um peeling para receber o prêmio?).

Barry Jenkins conta uma estória emocionante em ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’, fugindo do convencional. Sua vitória seria o reconhecimento de um trabalho sensível, numa estória emocionante e que foge do convencional.
Outros concorrentes: Dennis Villeneuve (A chegada), Mel Gibson (Até o último homem) e Kenneth Lonergan (Manchester à beira-mar)
ATOR
Baseado nos prêmios da crítica e do Globo de Ouro (depois da vitória de Lady Gaga como Melhor Atriz em Série Antológica ou Minissérie por ‘American Horror Story: Hotel’, a desconfiança que a premiação é comprada voltou a tona. Clique aqui para saber.), Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) é o favorito. No filme, ele faz um mal-humorado e antipático zelador de prédios residenciais em Nova York que, depois da morte do irmão, é obrigado a remexer nos fantasmas do seu passado em Manchester, em New Hampshire.
Segundo alguns críticos, Casey tem uma atuação ‘contida’. Ok, atuação não é ficar gritando ou exagerando nos gestos (isto é overacting), mas o ator (ou atriz) precisa passar alguma emoção – seja no olhar, pequenos gestos e atitudes. Tirando um ou dois momentos, Casey não sai da mesma sintonia mediana. Se isto o creditar, ele será leva o Oscar.
O problema é o seguinte: foi um ao fraco de atuações dos protagonistas. Veja o caso do Denzel Washington. Em ‘Um Limite Entre Nós’, ele atua e dirige. Normalmente, este tipo de coisa não dá muito certo. Ou você é bom numa coisa ou em outra. No seu caso, ele tem uma atuação teatral e exagerada. Na realidade, ele repetiu o mesmo tipo de atuação que teve em ‘Fences’, peça da Broadway, vencedora do Tony de Melhor Ator Dramático, em 2010, que ele trouxe para o cinema, com pouca preocupação em transformar num filme. Teatro e cinema são veículos muito diferentes. Denzel é excelente ator de cinema, que, eventualmente, se joga nos palcos em buscar de desafios. Porém, apesar do mesmo personagem, as atuações precisam sem diferentes. No seu caso, aqui ele beira ao caricato.

Viggo Mortensen Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.
Viggo Mortensen Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.

Como terceira opção, Viggo Mortensen mereceria. Nem tanto pela atuação no ótimo ‘Capitão Fantástico’, mas pelo conjunto da obra de atuações anteriores.
Outros concorrentes: Ryan Gosling (La La Land – Cantando estações) e Andrew Garfield (Até o Último Homem).
ATRIZ
Emma Stone é um show de carisma e simpatia. É uma atriz que a gente acompanha com prazer, principalmente em comédias, como ‘A Mentira’, de 2010. Em ‘La La Land’, ela canta bem, tem carisma e está bem. Mas, Isabelle Huppert (Elle) e Natalie Portman (Jackie) estão anos luz à frente de Emma.

Isabelle Huppert Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.
Isabelle Huppert Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.

Isabelle Huppert é uma das melhores atrizes francesas dos últimos anos. Ela se entrega a personagens pouco convencionais de uma forma que assunta às plateias menos avisadas. Em ‘Elle’, ela tem em mãos a melhor personagem feminina do ano. Ela faz a dona de uma empresa de videogames que é violentada dentro de casa. Sem se colocar como vítima, tem reações e atitudes inesperadas. É uma personagem que fascina na mesma media que causa estranheza. É uma atuação poderosa.
Até Michelle Obama, Jaqueline Kennedy Onassis era a Primeira-Dama mais famosa dos Estados Unidos. Além de jovem e bonita, ela apresentou um glamour desconhecido a função, principalmente porque era uma apaixonada por moda. Ganhou uma legião de admiradores. Em ‘Jackie’, Natalie Portman faz um retrato dos dias seguintes do assassinato de Kennedy, em Dallas.
É uma atuação construída com sutilezas e detalhes, como sua voz que captou com precisão o timbre que misturava afetação e futilidade, que resultava em algo falso. Outros detalhes da interpretação: a forma que acende o cigarro e o traga, mesmo que, eventualmente, afirme não gostava de fumar, o olhar apático de uma mulher medicada (ou viciada), o caminhar sem rumo pelo vazio solitário da Casa Branca, o jogo de cena que ela faz com Bobby Kennedy e sua família e na fala final com um padre. É uma personagem complexa, que Natalie defende com excelência.
Quanto às outras concorrentes, Meryl Streep (Florence: Quem é essa mulher?) diverte e emociona num papel complicado, que poderia render mais (mas o roteiro não permitiu) e Ruth Negga (Loving) pode até ser uma boa atriz, mas precisará provar no próximo trabalho. Aqui, a tal ‘atuação contida’ é tão discreta que ela parece muda e apática. É tão tenso que nem existe a famosa ‘Oscar Cene’, que é aquele momento do trabalho que é máximo para ser reconhecida no futuro. Ela será lembrada, isto sim, como a vitoriosa da campanha #oscarsowhite de 2016. Se não fosse negra, acho pouco provável que estivesse aqui, no lugar que poderia ser de Amy Adams (A Chegada) ou Annette Benning (Mulheres do Século 20), que tiveram atuação muito melhores do que a dela.
ATOR COADJUVANTE

Mahershala Ali Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.
Mahershala Ali Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.

É a categoria mais difícil do ano, pois todos estão ótimos. Mahershala Ali (Moonlight: Sob a luz do luar) ganha à frente com 41 prêmios da critica, incluindo o SAG Awards. Sua atuação é discreta, mas forte e emocionante.
Estranha ideia dos produtores em colocar Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa) como coadjuvante, uma vez que ele é o protagonista do filme. Foi uma estratégia questionável. De qualquer forma, ele está ótimo como um homem obsessivo em encontrar a família, que ‘perdeu’ na infância na Índia.
Outros indicados: Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar), Jeff Bridges (Até o Último Homem) e Michael Shannon (Animais noturnos).
ATRIZ COADJUVANTE

Viola Davis Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.
Viola Davis Oscar 2017 Portrait @ Andrew Eccles / A.M.P.A.S.

Let’s talk about Viola Davis. É a melhor atriz negra de Hollywood – do passado ou presente (ok, Halle se esforçou, mas perdeu o gás e Taraji precisa de um melhor currículo de boas atuações). Brilhante como Annalise Keating na série de TV ‘How To Get Away With a Murder’, ela está assombrosa em ‘Um Limite Entre Nós’. Diferente de Denzel, Viola optou por baixar vários tons de sua atuação teatral (ganhou o Tony 2010 pelo papel), mantendo-se discreta, mas com incrível presença cênica, até uma explosão de sentimentos que vale cada minuto do filme. Depois desta cena, o filme é dela, apresentando uma mulher com grande dignidade, mesmo depois da enorme safadeza feita pelo marido. Na atual conjuntura, Viola é a franca favorita.
Sua única forte concorrente é Naomi Harris, que teve uma ótima atuação em ‘Moonlight: Sob a luz do luar’, construindo uma viciada em crack com sutileza e discrição. Não será desta vez, mas será a atuação que irá credita-la futuros bons papés.
Desde sua vitória no Oscar em 2003, Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa) não mostrava serviço num trabalho digno. É a prova que o excesso de botox não atrapalhou seu talento.
Outras atuações: Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar), muito bem no papel, mas não será desta vez e Octavia Spencer (Estrelas além do tempo). Sempre simpática, ela repete o mesmo tom da sua personagem em ‘Histórias Cruzadas’, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Coadjuvante em 2011. Sem chances.

Artigo de Jorge Marcelo Oliveira