Há 20 anos, estreava a revolucionária ‘Sex and the City’

No dia 06 de junho de 1998 estreava na HBO Sex and the City, a série que revolucionaria o universo feminino e fashionista da primeira década do novo milênio e transformaria Manhattan no desejo de consumo internacional.
Criada por Darren Starr (mesmo de ‘Melrose Place’ e ‘Barrados no Baile’), baseada no (chatíssimo) livro de Candace Bushnell e dirigida em maior parte por Michael Patrick King, a série era estrelada por Sarah Jessica Parker (Carrie Bradshaw), Cynthia Nixon (Miranda Hobbes), Kim Cattrall (Samantha Jones) e Kristin Davis (Charlotte York Goldbenblatt).
Teve seis temporadas (1998-2004), rendeu dois filmes de sucesso (2008 e 2010) e uma ‘prequel’ em 2013 (‘The Carrie Diaries’, que retratava a vida de Carrie quando adolescente – teve duas temporadas).
Contava a estória da vida da colunista de sexo de um jornal pequeno de Manhattan, Carrie e suas amigas de 30 a 40 anos. Mulheres de perfis diferentes, que buscavam o amor, o sexo e o casamento numa Nova York dos sonhos – antes do 11 de setembro de 2001, que mudou os EUA.

Sucesso de público

Vencedora de 37 prêmios (entre eles, quatro Emmys e oito Globo de Ouro), seu sucesso foi arrebatador e se tornou um fenômeno da cultura pop. Unir uma colunista de sexo de um jornal de segunda classe, uma advogada com os pés no chão, uma RP fogosa (transou com 42 pessoas em seis anos) e uma marchand romântica, que se encontravam para cafés da manhã, almoços, happy-hours e coquetéis alimentaram o imaginário de mulheres e gays – ambos foram os responsáveis pelo sucesso da série.
Os críticos detestavam o programa. Diziam que era uma série sobre ‘sapatos’ ou outras futilidades. O público, por outro lado, amava o programa.

Num certo momento, a diversão entre grupos de amigos era apontar “qual personagem você se identifica em ‘Sex and the City?”.

Lembrando que, era uma época que desconhecia a existência de conexão rápida de internet, Smartphone, Tablet, etc. A forma de comunicação à distância era telefone fixo, orelhão, carta ou telegrama. Netflix, nem pensar. A forma de assistir televisão era tradicional – poucos tinham acesso a TV por assinatura.
No recém-lançado livro ‘Sex and the The City and Us’, a crítica televisiva Jennifer Armstrong revela o impacto que o programa teve em Nova York. Para ela, a cidade era o quinto personagem da série. Foi a primeira série a ser gravada em locações reais em diversos pontos da cidade, transformando os mesmos em pontos turísticos. Magnolia Bakery, cenário dos cupcakes, era cult.
Jennifer conta que, na época, ninguém queria ser como a Miranda – vista como uma chata e aborrecida workholic. Todos queriam, isso sim, ser a Carrie, badalada, fashionista, que frequentava os bastidores da moda, tinha um melhor amigo gay (Stanford Blatch) e com um emprego que poderia fazer de casa (escrever os 92 questionamentos que davam o tom de cada episódio). Não se falava em ‘home office’ em 1998.
Claro que ninguém se questionava como uma colunista – de um veículo do baixo clero na escala profissional do jornalismo de Nova York – conseguia pagar o aluguel de um apartamento (na época, ele custava U$ 750/mês – hoje custa U$ 3.000/mê), comprar sapatos Manolo Blahnik, Jimmy Choo e Christian Louboutin – todos com preços entre U$ 600 a U$ 1.300, roupas, cigarro e Cosmopolitan (dose de vodca, suco de cranberry e limão), que tomava ao lado das amigas em lugares caros e badalados. Teve um único episódio na quarta temporada que Carrie descobriu que, dentre as quatro, era a única que pagava aluguel. Com a ajuda de uma delas, ela comprou seu apartamento (vendido em 2012 por U$ 40 milhões).
Hoje, porém, as jovens mulheres de Nova York não querem ser Carrie. Desejam, isso sim, ser como Miranda, rica, bem sucedida e com os pés no chão. A cidade não permite mais o sonho e a fantasia. Tornou-se tão cara que bairros menos nobres se tornaram escolhas mais apropriadas para quem tem está começando a ganhar dinheiro. Paqueras são feitas por aplicativos de celular. Uber concorre com os taxis, assim como outros serviços de transporte do gênero.

MODA

O guarda-roupa das personagens (assinado pela figurista Patricia Field, quatro vezes premiada pelo Costume Designers Guild), em especial de Carrie, ganhou tanto destaque, a ponto de influenciar os estilistas do circuito Elizabeth Arden (Paris, Milão, Londres e Nova York).

Carrie Bradshaw resgatou a pochete em ‘Sex and the City’ @ reprodução

O ‘descombinado’, o ‘hi-lo’ e todas as desconstruções que a moda passou na década de 2010 se deveu a série. Também foi a responsável pela ascensão da profissão de Consultora de Moda – profissional que ensinava a combinar estilos diferentes sem parecerem fugitivas de manicômio. Hoje, a profissão se esgotou – tamanha a quantidade de profissionais no mercado.
A editora Melcher Media lançou o livro ‘Sex and the City – Kiss And Tell’, da escritora Amy Sohn, um balanço completo dos 94 episódios das seis temporadas, de todos os personagens principais e coadjuvantes que foram surgindo, do guarda-roupas de cada uma delas, um mapa dos lugares que frequentavam, entre outros. Depois, lançou outros dois para os filmes de 2008 e 2010.

Sex and the City Livros do acervo de Jorge Marcelo Oliveira @ MONDO MODA

Em 2013, na celebração dos 15 anos de estreia da série, o site Huffington Post contabilizou 50 participações especiais de astros e estrelas, como Bradley Cooper, Alanis Morissette, Sarah Michelle Gellar, Sonia Braga, Justin Theroux, Heather Grahan, que apareceram nos seis anos de programa. Até Donald Trump aparece numa cena ao lado de um pretendente de Samantha.

“É minha sala de terapia. Tenho o Box com todas as temporadas. Anualmente, revejo. Cada ano, eu tenho uma percepção diferente da que tinha do ano anterior, eu juro. Por exemplo, já dei por muitos anos razão para os homens e as culpava por muitas situações. Com meu envelhecimento e porque não amadurecimento, passei a me ver nelas com mais frequência. Passei a entende-las e a me identificar com elas. Entendi que a atitude dos caras era absurda – que elas fizeram o máximo que puderam – igual na vida, pelo menos na minha vida. Sempre achei a personagem da Carrie muito irritante, hoje eu amo seu instinto, sua personalidade e sua essência. Aconselho a quem puder assistir a mesma coisa por muitos anos, porque a obra é a mesma, mas não somos a mesma pessoa. Ainda bem”, revelou a booker Nelcy Tocco, uma das apaixonadas pela série.

Sex and the City marcou minha vida por diversos motivos. Primeira série a tratar os assuntos mais ousados sobre sexo como raramente tinha assistindo. Pensa: uma mulher loira, linda e sofisticada, como Samantha provando sabores de esperma não era algo que assistimos todos os dias. Ou Miranda mostrando uma cueca suja para explicar as partes ruins de um casamento… Ou Charlotte incomodada com o hábito do novo marido de se sentar pelado no sofá branco do chiquérrimo apartamento… Nem a versão americana de ‘Queer As Folk’, que estrelaria em 2000, foi tão fundo nesse tipo de provação. Os roteiristas apontaram diversas situações – incluindo as citadas e outras do gênero – que, até hoje, são pertinentes num relacionamento à dois. São vários momentos que poderia citar para garantir a excelência da série. 20 anos depois, Sex and the City continua única e original. E, sim, revolucionária!, conclusão de Jorge Marcelo Oliveira.

 

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