Livro ‘Color Forecasting: As Previsões e Tendências de Cores na Moda’

Você já parou para pensar em como as tendências da moda, cor e estilo entre elas, são definidas? Além disso, qual será a importância de se renovar a cada estação as roupas e acessórios disponíveis? Esse tema é tratado em profundidade no novo livro Color Forecasting: As Previsões e Tendências de Cores na Moda, escrito pela professora Clarice Garcia, coordenadora do curso de Design de Moda do Centro Universitário IESB.

“A moda é a expressão, primeiramente, do efêmero. Depois, é a expressão de um contexto sociocultural, sobre como transformar a cultura em um objeto”, conta Clarice. “Ela ultrapassa o vestuário e é movida pela mudança. Por isso você precisa propor as tendências. Se todas as cores do arco-íris fossem produzidas a todo o tempo, o mercado se enfraqueceria muito”, continua.

Definir quais cores estamparão as vitrines não é tarefa simples. Pesquisadores de tendências precisam ficar de olho em quais são as cores que estão surgindo e se repetindo nos filmes, na arquitetura, no design, na mídia e na arte. Além disso, esses estudos levam em conta o comportamento da sociedade e das diferentes gerações que convivem lado a lado.

“Agora, por exemplo, você tem essa busca por uma nova espiritualidade, por práticas religiosas. O roxo, o violeta são cores que estão psicológica e culturalmente ligadas à espiritualidade”, conta Clarice. “Você busca o que os consumidores estão preferindo, mas você também sempre busca os motivos. No filme Blade Runner 2049, você consegue ver a cor roxa sendo muito usada no vestuário, na iluminação, em tudo”, completa.

Cor Pantone 2018 Ultra Violet @ Divulgação

Com esses estudos baseados no comportamento da sociedade, as grandes empresas da moda divulgam suas apostas de tendências para o futuro, o que acaba criando um certo acordo na área sobre onde focar os seus esforços. A mídia também tem um papel importantíssimo nessa definição, pois leva as informações para seu público-alvo e abre a discussão sobre as novas possibilidades ou sobre o resgate e renovação de tendências antigas.

Oscar 2018 Lupita Nyong’o (Versace) @ Getty

“Hoje em dia, você tem o roxo como uma cor importante. Porém, eu também tenho visto, de um ponto de vista mais amplo, a necessidade de cores um pouco mais brilhantes, que invocam diversão e otimismo. Isso é uma resposta ao período pessimista em que estamos vivendo”, conta Clarice.

Sobre a autora

Clarice Garcia é coordenadora do curso de graduação em Design de Moda e dos cursos de pós-graduação em Previsão de Tendências e Comportamento do Consumidor e em Design e Inovação do Centro Universitário IESB.
É pesquisadora de tendências e de comportamentos freelancer das empresas Kantar Futures e Box 1824, tendo trabalhado em projetos para empresas como Unilever, Souza Cruz, Renner e Melissa. Ministra aulas e palestras sobre o assunto desde 2010.
Dirige a consultoria Atmosfera em Brasília. É arquiteta formada pela Universidade de Brasília em 2003, estudou moda na escola Politecnico di Milano e Coolhunting pelo Instituto Europeu de Design de Milão em 2007. É mestre em Design pela Universidade de Brasília.