Três nomes da fotografia da moda: Horst P. Horst, Richard Avedon e Helmut Newton

“Moda é uma das mais ricas formas de expressão dos desejos, ambições, medos, insegurança e segurança da humanidade” – Richard Avedon

Como toda data de celebração profissional, o Dia do Fotógrafo, comemorado neste 08 de janeiro, é controversa. O Dia Mundial da Fotografia foi instituída pela Academia de Ciências da França, é 19 de agosto. A data consagra o Daguerreótipo – processo desenvolvido pelo francês Louis M. Daguérre.

Segundo a história, o abade Louis Compte trouxe a novidade de Paris para o Rio de Janeiro, no dia 16 de janeiro de 1840 e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II (oficialmente, o Imperador foi o primeiro fotógrafo brasileiro).
Porém, segundo o historiador Bóris Kossoy, houve uma descoberta isolada da fotografia no Brasil feita pelo pesquisador Hércules Florence, seis anos antes do anúncio oficial do feito de Daguerre… Sem conhecimento das pesquisas na Europa, Florence descobriu a fotografia e foi a primeira pessoa a usar o termo, em 15 de Agosto de 1832, em Campinas.

Enfim… Polêmicas à parte, MONDO MODA relembra a trajetória de três nomes que revolucionaram a história da fotografia da moda internacional.

Horst P. Horst nasceu em Weissenfels, na Alemanha, em 1906. Depois de estudar arte em Hamburgo e em Paris com Le Corbusier (1929), tornou-se assistente nos estúdios fotográficos da Vogue. Em 1932, ocupou a função de diretor dos estúdios em substituição de Hoyningen-Hune.
A fotografia de Horst moveu-se essencialmente em duas áreas – moda e retrato – e é profundamente evocativa do espírito dos anos 30. O trabalho de Horst apresentou a mulher plena de sensibilidade e delicadeza em poses complexas, produto de uma observação atenta da dança.
O nu, a natureza morta, a arquitetura e a publicidade também fizeram parte do trabalho deste artista.
Influenciado por Edward Steichen e pelo seu grande mestre Hoynningen-Hune, as imagens de Horst são caracterizadas por uma luz dramática, onde prevalece o jogo claro/escuro e uma abordagem aos cenários teatrais.
Em 1984 o International Center of Photography de Nova Iorque organizou uma retrospetiva da obra de Horst, que faleceu em 1999.

Natural de Nova Iorque, Richard Avedon teve os primeiros contatos com a fotografia aos 12 anos, no YMHA Camera Club. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Avedon serviu as forças armadas como fotógrafo da Segunda Classe da Marinha Mercante. Durante os dois anos que esteve lá, usou a Rolleiflex com lente dupla que havia ganhado de presente de seu pai para fazer os retratos de identificação dos tripulantes. Foi nessa época em que adquiriu mais conhecimentos técnicos e começou a desenvolver um estilo dinâmico. Dois anos depois, Avedon deixou a Marinha Mercante para trabalhar com fotografia de moda e estudar com o diretor de arte Alexey Brodovitch, no Laboratório de Design da New School for Social Research.
Em 1945, ele montou estúdio próprio e passou a trabalhar como fotógrafo freelancer para diversas revistas como Theater Arts, Life, Look Magazines e Harper’s Bazaar, onde se destacou rapidamente e, com o apoio de Brodovitch, teve ascensão meteórica.
Lá ele desenvolveu uma abordagem original para fazer fotografias de moda: incentivadas por Avedon, as modelos eram colocadas em ação, atuando e sorrindo. Também nesta época, inspirado pelo foto jornalista Martin Munkacsi, Avedon saiu do estúdio e fotografou modelos nas ruas, em casas noturnas, arenas de circo e em outros lugares até então incomuns.
Ele era fascinado pela capacidade da fotografia de sugerir a personalidade de seus modelos:

“As minhas fotografias não vão além da aparência externa. Tenho muita fé nela. Uma boa aparência externa está cheia de pistas.” disse ele, que fotografava poses, atitudes, estilos, roupas e acessórios como se fossem vitais.

Quando parou de trabalhar para a Harper’s Bazaar, em 1965, Avedon iniciou uma relação duradoura com a revista Vogue até 1988. Ele também estabeleceu parcerias criativas com a francesa Egoiste e com a norte-americana The New Yorker, onde revigorou seu estilo com dinamismo teatral. Além disso, ele fez peças publicitárias para marcas como Calvin Klein, Versace, e Revlon.

Desde muito cedo, Helmut Newton se interessou por fotografia. Durante a adolescência trabalhou com o fotógrafo Yfa, em Berlim. Na década de 1940, abriu um estúdio em Melbourne, na Austrália e pouco tempo depois casou com a atriz June Brown, que também se tornou fotógrafa, usando o nome Alice Springs. Nos anos 60, o casal mudou-se para Monte Carlo e Helmut Newton produziu divertidos editoriais para as mais conceituadas revistas de moda, como a Vogue. Mas foi no início da década de 70 que Newton encontrou a estética que o tornou tão famoso.
Os seus provocadores retratos de mulheres nuas – Newton adorava fotografar mulheres altas, de ombros largos e longas pernas – foram muitas vezes considerados escandalosos.
Seu trabalho apareceu em várias publicações, desde a Vogue ao The New Yorker, e o seu nome ficou associado a vários designers, em especial a Yves Saint Laurent. Ele assina a famosa foto do ‘Le Smoking’, com a modelo fumando cigarro usando terno YSL numa rua em Paris.
Newton mudou a fotografia de moda com as suas controversas imagens.

“O seu mundo de imagens glamourosas era simultaneamente chocante e atraente” declarou Tom Ford ao International Herald Tribune, quando Newton faleceu em 2004.

“A proposta de Tom Ford de uma mulher forte com maquiagem, cabelo arranjado e saltos altos foi muito influenciada pela fotografia de Helmut, tal como a roupa de Saint Laurent”, afirmou Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana, acrescentando: “Procuramos sempre algo provocador, surpreendente e perverso em Helmut Newton”.

(Fontes: Portoweb | Centro de Fotografia ESPM | Site Horst P Horst)