Envelhecer sem os julgamentos externos por Elizabeth Barboza Pereira

Um processo natural do ser humano se torna complicado na sociedade quando mulheres são implacáveis no julgamento com outras ‘mulheres’.
Pensando nisso, MONDO MODA convidou a pesquisadora Elizabeth Barboza Pereira, uma mulher bem resolvida no alto dos seus 51 anos, a falar sobre isso.
Confira:

“Mudanças fazem parte de nossas vidas. E a mudança na matéria física, ou seja, no nosso corpo, é inegável e, sim, é cruel!
Mas acredito que mais cruel ainda é o retorno da sociedade, principalmente das próprias mulheres.
Quando você passa dos 40 anos começa a ouvir coisas absurdas com relação ao seu rosto, ao seu cabelo ou ao seu corpo.
Hoje estou com 51 anos, sou formada em Letras, já trabalhei em diversas áreas, mas posso dizer que minha profissão pontual é ser dona de casa, esposa e mãe. No entanto, isso jamais me coibiu de me manter saudável e em forma, ou seja, de me cuidar.
Mesmo assim a cobrança é inegável. As mesmas mulheres que se dizem “empoderadas” são as primeiras a emitirem suas opiniões negativas sobre os corpos alheios. Primeiro elogiam. Depois pontuam algo negativo.
Acho que precisamos definir melhor esse termo e buscar o significado da união entre as mulheres nesse contexto.

Elizabeth Barboza Pereira @ Acervo Pessoal

Já ouvi as seguintes frases e perguntas de mulheres: Você é tão bonita, porque não coloca um Botox para tirar esse vinco da testa? O seu corpo está bem delineado, mas você não acha que deveria engordar um pouquinho? O seu cabelo está lindo encaracolado, mas é natural mesmo? Seu nariz ficou perfeito, quem fez a cirurgia? Não deixe os cabelos brancos não, envelhece muito. Um pouco mais de maquiagem acho que iria lhe cair bem!
Não condeno ninguém que queira fazer quaisquer procedimentos estéticos, eu mesma já fiz, porém, eles existem para ficarmos em paz com os nossos corpos e não uma vitrine para a sociedade fazer julgamentos e criticas. Afinal, ainda estamos sendo censuradas?
Embora a linha seja tênue, há uma diferença gritante entre ser honesto e maldoso, ou honesto e cruel. A honestidade precisa ser aplicada com pessoas que lhe são caras, intimas e quando o assunto vem à tona, caso contrário, é falta do querido bom senso e da empatia, aliás, artigos raros hoje em dia.
Por isso me pergunto qual é realmente o papel da mulher na sociedade atual?
Quero me sentir bonita do jeito que sou, com pouca maquiagem sim, com cabelos crespos ou não, brancos ou tingidos, com o corpo magro ou não e com meus vincos e minhas rugas também. Por que não? Afinal, tudo isso conta minha história. É a minha vida, minha identidade. Quero ter o direito de ser quem eu bem entender e não ser julgada ou criticada por isso.
Cada um deve envelhecer com a dignidade que lhe cabe”.