Série de TV é uma paixão antiga

‘Batman’, ‘Túnel do Tempo’, ‘A Feiticeira’, ‘Perdidos no Espaço’, ‘Terra de Gigantes’, ‘Jeannie é um gênio’ e ‘The Muppet Show’ são alguns títulos que surgem quanto penso quais foram às primeiras séries de TV que assisti. Provavelmente eram reprises. Sou velho, mas nem tanto (rs).
A principal influência por séries veio da Dilza, uma vizinha de meus pais, que fazia às vezes de babá e que se tornou parte da minha família até meus 24 anos, quando perdemos contato.  Ela não gostava de novela, mas de séries. Gostava do formato de acompanhar uma estória diferente a cada semana. Assim, era possível assistir várias ao mesmo tempo. Com ela, lembro, principalmente de ‘Os Pioneiros’, uma série sobre uma família que se muda para uma nova cidade americana e tem que enfrentar as diferenças de hábitos e costumes, principalmente pelo fato de serem pobre.  Não lembro direito, pois jamais revi. Porém, lembro da personagem da atriz Melissa Gilbert (que foi Presidente do Sindicato dos Atores), que era a ‘rebelde’.
No início da adolescência, minha mãe contou sobre uma série com três moças bonitas que eram detetives, chamada ‘As Panteras’, que a TV Globo exibia às 23h. Como estudava pela manhã, era difícil ficar acordado. Mas, um dia, assisti e fiquei viciado.

Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith foram paixões imediatas.

Quando Farrah saiu, também me apaixonei por Cheryl Ladd, a irmã mais jovem. Enquanto Farrah era exuberância pura, Cheryl era divertida e mais ousada. Lembro que anotei os nomes das atrizes e levei para minha professora de inglês me ensinar a pronúncia correta.

As Panteras 1976 - 1977 @ Reprodução
As Panteras 1976 – 1977 @ Reprodução

Aquela paixão, porém, tinha duas concorrentes: ‘Mulher-Maravilha’ e ‘A Mulher Biônica’. Naquela idade, gostava da beleza da Lynda Carter, mas achava a estória fraca. A segunda, por outro lado, tinha um roteiro melhor. Sem contar que, Lindsay Wagner era melhor atriz. Também gostava do ‘O Homem Invisível’, ‘Ilha da Fantasia’, ‘Poderosa Isis’, ‘Agente 86’ e ‘Buck Rogers’. A fantasia, desde cedo, despertava minha atenção.

Lynda Carter era Mulher Maravilha @ Divulgação

No começo dos anos 80, a Globo começou a exibir ‘Dallas’. Era um novelão – assim como as obras brasileiras. Não gostava muito, mas a atriz Victoria Principal, no auge de sua beleza, se tornou minha nova obsessão. Nesta época, minha única fonte de informação sobre televisão (ou cinema, outra paixão que surgiria anos depois) era a coluna da jornalista Dulce Damasceno de Britto, na revista Contigo.

Gostava tanto que escrevia pedindo o endereço das atrizes americanas para solicitar foto autografada. Minha carta foi citada duas ou três vezes (tenho uma pasta com essas coisas… ). Na realidade, Dulce passava o endereço das agências que representavam as estrelas. Escrevi para todas e só recebi resposta da Victoria Principal.

Quando a foto chegou, não tenho exata noção, mas foi muito emocionante. Guardo até hoje, claro. Criei até fã-clube. Com um único participante: eu!

Victoria Principal era estrela de Dallas @ Reprodução

Naquela época, Globo, Record, Band e SBT dominavam o Brasil. As três primeiras exibiam séries americanas. A TV Cultura não exibia séries, mas se tornou uma obsessão quando descobri o programa ‘Som Pop’, mas isto é outra estória.

Com exceção da Record, as outras não respeitavam os espectadores. Mudavam de horário ou tiraram da programação sem pestanejar. Eu tentava ficar atento, mas, normalmente, perdia as últimas temporadas. Somente nos anos 90, graças a reprises, que assisti aos episódios finais de ‘A Mulher Biônica’ e ‘Mulher Maravilha’. Perdi meu interesse por ‘Dallas’, assim que Victoria Principal saiu. Já não curtia muito a trama, depois de sua saída, então, piorou.
Nos anos 80, surgiram outros títulos, como ‘Super Máquina’, ‘Gemini Man’, ‘Casal 20’, ‘Alf’, ‘A Dama de Ferro’, ‘A Gata e o Rato’ e ‘Manimal’, porém, conforme a década avançava, outras descobertas da adolescência me afastaram das séries, despertando, isto sim, minha atenção total ao cinema. Mudança total quando entrei na Universidade. No curso de jornalismo dos anos 80, falar em cultura pop americana era pecado. Assim, deixei de lado estes programas – por um tempo…

Arquivo X TV @ Divulgação
Arquivo X TV @ Divulgação

Depois de livre daquele pensamento careta e cafona de estudante de jornalismo, retomei minha paixão nos anos 90, graças a minha amiga, Sandra Regina Sousa. Foi ela quem me indicou ‘Arquivo X’, que passava na Record. Depois de alguns episódios, eu já era fã.

Também comecei a assistir ‘Barrados no Baile (primeiras temporadas)’ e ‘Melrose Place’, numa faixa vespertina na Globo.

No SBT, nas madrugadas de sábado, assistia alguns episódios de ‘Oz’. Era muito ousada. Somente quando comprei o Box com as seis temporadas que consegui entender direito a trama que se tornou uma das minhas preferidas.

Adewale Akinnuoye-Agbaje era o sensacional Adebise Simon de Oz @ divulgação

Na metade da década de 1990, o sinal da NET chegou a meu bairro. Rapidamente me tornei assinante. A partir dali, ‘Buffy, a Caça Vampiros’, ‘Os Simpsons’, ‘Will & Grace’, ‘Ally McBeal’, ‘O Desafio’, ‘Charmed’, entre outras, invadiram meu universo.

Revelações: na época, todo mundo amava ‘Seinfeld’ e ‘Friends’. Da primeira, achava um humor muito americano e da segunda, detestava a dinâmica da série, dos personagens e achava as atuações toscas. Fora Lisa Kudrow, o elenco era canastrão. Era motivo para não me interessar. Mesmo assim, acompanhei os últimos dois ou três anos da série.
Com a TV a cabo em casa, comecei a assistir as premiações do Globo de Ouro e ao Emmy – que nunca foram exibidas nas TV abertas. Com a exibição destas premiações fiquei curioso para assistir todas séries concorrentes. Assim como o Oscar e o Grammy, comecei a gravar as premiações em VHS. Sendo assim, a data exata é 1996.

Ally McBeal Season One (1998) @ Divulgação

No começo dos 2000 surgiu ‘Sex And The City’. Sem HBO no meu pacote da Net, esperei o canal Multishow exibir os episódios na sequência. Nova obsessão, assim como ‘Absolutamente Fabulosas’. Ambas, por motivos diferentes, entraram para minha galeria de preferidas. A paixão pela primeira ganhou novos ares quando Flávio Casagrande me presenteou com o Box das seis temporadas no meu aniversário em 2005. Apesar de tudo, só revi na sequência todas as temporadas uma vez.

Sex And The City Primeira Temporada 1998 @ HBO

Bree Van De Kamp (Marcia Cross), Susan Delfino (Teri Hatcher), Lynette Scavo (Felicity Huffman) e Gabrielle Solis (Eva Longoria) entraram em minha vida em 2002 pelo canal Sony pela série Desperate Housewives. Eram quatro amigas que moravam em Wisteria Lane, uma condomínio ficcional de Fairview , vivendo as rotinas de donas-de-casa típica da classe média americana, que, num belo dia, mudam o rumo de suas vidas quando, Mary Alice, uma quinta amiga, comete suicídio.
Por oito temporadas, acompanhei os 180 episódios da série de humor negro criada por Marc Cherry, no qual, a morte era a personagem principal, que, a cada temporada, era tratada de formas diferentes.
Diferente da busca do ‘príncipe encantado’ disfarçado de comédia sofisticada, debochada e picante de ‘Sex And The City’, as mulheres de Wisteria Lane tinham preocupações mais profundas para se preocupar. Até hoje, cinco anos pós seu encerramento, continuo me identificando com Bree Van de Kamp…

Desperate Housewives @ Divulgação

O começo do milênio, graças a ‘Os Sopranos’, a história das séries de TV ganhou um novo capitulo. Antes restrita ao gosto americanizado, elas se tornaram fenômenos da cultura pop. Entre os motivos, uma enorme melhora na qualidade dos roteiros e a presença de atores mais talentosos. No passado, séries de TV era um trampolim para o cinema, como aconteceu com as carreiras de Bruce Willis, Tom Hanks e Robin Williams.

O pensamento era que, TV era espaço para atores ‘menores’, assim, todos queriam o sucesso e reconhecimento nas telonas. No final da década de 90, porém, isto mudou.
Desde então, grandes nomes de Hollywood deixaram seus preconceitos de lado e aceitaram papéis em séries e minisséries, como Glenn Close (The Shield e Damages), Jessica Lange (American Horror Story), Kathy Bates (American Horror Story), Claire Danes (Homeland) e Viola Davis (How To Get Away With a Murder), que viu sua carreira decolar – inclusive no cinema, ganhando o Oscar, Globo de Ouro, Emmy e SAG Awards.

Elas encontraram na TV grandes papéis em carreiras que estava adormecidas no cinema – com exceção de Viola, que é uma estrela tardia e que, hoje, transita pelos dois veículos. Com isto, ganharam reconhecimento, prêmios e uma legião de novos fãs.
Entre os atores, Kevin Spacey encontrou em Frank Underwood sua ‘volta’ ao sucesso, encerrada pelas acusações sobre sua conduta sexual.

John Travolta tentou a sorte na série antológica ‘The People v. O.J. Simpson: American Crime Story. Ganhou uma indicação ao Emmy e ao Globo de Ouro.

Emmy 2019 Game of Thrones @ Reuters

Mais do que consolidada, as primeiras décadas do milênio celebrou o sucesso de ‘Desperate Housewives’, ‘Nip/Tuck’, ‘Law & Order: Special Victins Unit’, ‘House’, ‘Dexter’, ‘True Blood’, ‘Lost, ‘Downton Abbey’, ‘The Walking Dead’ e o fenômeno ‘Game of Thrones’. São programas que se tornaram tão cultuados quanto os blockbusters das telonas de Hollywood. Nas redes socias, TWD e GOT dividiram espaço para discussão com os sucessos da Marvel ou DC.
Stranger Things @ DivulgaçãoPorém, o maior fenômeno que mudou a forma de assistir séries chama-se Netflix.

De um serviço de streaming que alugava filmes, a guinada aconteceu quando começou a cobrar mensalidades e lançar séries próprias.

‘Orange is The New Black’, ‘Sense8’, ‘House of Cards’, ‘Strange Things, ‘The OA’, ‘Casa de Papel’, ‘Black Mirron’, entre outros, se tornaram os programas mais vistos do mundo e discutidos dos últimos anos.

Há dois anos, os prêmios recebidos pelo filme ‘Roma’ quebraram outro paradigma sobre ver cinema em casa.

A possibilidade de assistir TV em casa, na sala, banheiro, quarto, na escola, clube, etc, é uma realidade. Isso, sim, é revolucionário!

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