Os Desenhos Animados despertaram minha paixão pelo Jazz

Mesmo não sendo um profundo conhecedor (por falta de tempo para me dedicar como gostaria), adoro a sonoridades do jazz.
Do vocal, Billie Holiday, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Dinah Washington, Nina Simone, Diane Schurr, Nancy Wilson, entre outros, aos sonoros, Duke Wellington, Miles Davis, Benny Goodman, etc, me acompanham em diversos momentos – dos tristes aos alegres – com a mesma facilidade.

Há alguns anos comecei uma pesquisa das canções de jazz que gostava. Quando chegou a 200, parei. Mesmo assim, rendeu uma coletânea com clássicos. Algumas canções se repetiram pelas ótimas regravações.
Durante muito tempo, martelava uma dúvida: de onde veio este gosto?

Da minha memória musical surgiam as canções de Maysa Matarazzo, cantora preferida de minha mãe, ouvidas a exaustão. Além dela, Nora Ney, Dolores Duran e outras cantoras do rádio dos 50. Infelizmente, não lembro o gosto musical do meu pai. Assim, recorri a minha babá eletrônica: a televisão.
Sabe o que descobri? Foram as animações as responsáveis por este gosto.

Tom & Jerry, Mickey, Donald, Os Jetsons, Manda-Chuva, Os Flintstones e A Pantera Cor de Rosa (com o inesquecível tema criado por Henry Mancini) foram os principais veículos para me apresentar este gênero musical.
Os estúdios Disney, Hanna Barbera, Walter Lantz, Warner Bros., Universal e MGM, desde as décadas de 30 e 40, ofereciam o Jazz como parte integrante das suas animações.

Eu me lembro daqueles desenhos que ensinavam as canções usando uma bolinha. Mesmo não sabendo inglês, eu decorava a sonoridade das palavras.
Quando entrei para um curso de inglês aos 10 anos, foi um grande momento. Aprendi as primeiras regras básicas com facilidade. Também ajudou no desenvolvimento de outra paixão: o cinema.
Nos últimos tempos, a personagem Lisa Simpsons, da família amarela mais antiga na TV americana, garantiu uma sobrevida do estilo musical as novas (nem tão jovens) gerações. A famosa canção de Louis Prima de 1936, que ganhou versão definitiva por Benny Goodman, foi usada duas vezes em Os Simpsons, 1994, no episódio que mostra o triângulo amoroso entre o Sr. Burns, o vovô Simpsons e a Sra. Bouvier (mãe de Marge) e novamente 1999 quando Homer ouve no carro quando se lembra de uma memória do passado.

No final da adolescência, o jazz encontrou uma concorrente a altura no meu gosto musical: o rock inglês misturado com sintetizadores dos anos 80 – The Smiths, Eurythmics, Depeche Mode, New Order, Bronsky Beat. Volúvel, eles dividiriam espaço com a impressionante força do pop americano. Mas isto já outra conversa.