A Escolhida (Antebellum) é um filme que você precisa assistir

“O passado nunca está morto. Ele ainda nem passou”. William Faulkner

Antebellum é uma palavra latina que significa “antes da guerra”. Ela se refere ao período da história americana antes e depois da Guerra Civil, em 1812. Também conhecida como Guerra de Secessão, aconteceu de 1861 a 1865, entre o Norte (a União), e o Sul (os Confederados).
Ficou conhecido pelo auge da discussão sobre o fim da escravatura americana e a gradual polarização entre os que defendiam e os que eram contrários à abolição. Enquanto ao Norte do país crescia com o início da Revolução Industrial, o sul mantinha sua economia na colheita de algodão graças à mão de obra escrava.
É um assunto tão complicado que a banda country Lady Antebellum mudou de nome para Lady A depois da pressão dos fãs. Logico que surgiram aqueles (brancos, naturalmente) que enxergaram a discussão sobre revisão do passado ‘um exagero’.

O filme

Essa introdução é para entender o tema de ‘A Escolhida’, título em português de Antebellum, com direção e roteiro de Gerard Bush e Christopher Renz e protagonizado pela atriz e cantora Janelle Monáe (sim, ela surpreende).
O filme começa num plano sequência de quase cinco minutos – com uma incrível trilha sonora – mostrando uma rica fazenda. Da enorme casa, passando por soldados, mulheres negras estendendo roupas brancas no varal, pequenas casas de madeira, uma mulher sendo carregada numa cavalo e termina num casal negro que está sendo separado por outros soldados.
Eles eram fugitivos que foram capturados. A mulher corre, enquanto o homem já com uma espécie de coleira de ferro se contorce para se desvencilhar das mãos dos soldados. A mulher é ‘laçada’ com uma corda no pescoço. Cai. Pede para ser morta. É atendida.
Difícil você ver uma abertura de um filme tão chocante quanto essa em 2020. Pode acreditar.
Na sequência, vemos a mulher que era carregada no cavalo ser levada para uma das casas. Enquanto isso, algo é queimado num casinha ao fundo.
Na casa, um homem mais velho entra. Faz um discurso sobre não confiar na mulher e começa a agrida-la. Exige que ela fale seu nome. Ela se recusa. Volta a agredi-la e finaliza ‘marcando-a’ com um ferro em brasa. Ele volta a exigir saber seu nome. Ela diz: Eve.
Corta.

Outra realidade?

A mesma mulher acorda numa confortável cama ao lado do marido. Recebe uma ligação. É um aviso sobre o horário do seu voo.
Ela é a conceituada escritora Veronica Henley, casada e com uma linda filha pequena, que se prepara para uma palestra em outra cidade. Durante o café da manhã, o marido elogia sua participação num programa de TV no qual ela faz uma fala empoderada sobre a questão racial.
Pouco antes de sair de casa recebe uma chamada de vídeo de uma estranha mulher, que não diz coisa com coisa. Rapidamente Veronica desliga.
Horas depois, Veronica está no hotel. É o lançamento de seu mais recente livro para uma plateia lotada de mulheres negras.
O que acontece entre as realidades as realidades de Veronica e Eden é o maior mistério que o filme ‘Antebellum’ irá revelar.
Como não desejo dar nenhum ‘Spoiler’, paro aqui qualquer revelação.

Antebellum - Janelle Monae e Gabourey Sidibe @ Divulgação
Antebellum – Janelle Monae e Gabourey Sidibe @ Divulgação

Comentários

É um filme de terror. É chocante, porém, não no sentido literal do gênero que estamos acostumados. Ele segue a linha de ‘Corra’, o ótimo filme de Jordan Peele, que praticamente criou um novo gênero de filmes sobre racismo.
Aqui ele é potencializado para uma realidade tão assustadora que, assim que terminei de assistir, fiquei curioso para saber se era baseado em alguma estória real.
É tão inacreditável o que o roteiro propõe que mexe com nosso inconsciente. Porém, é tão crível e possível, principalmente nesse 2020, com tantas coisas inacreditáveis que estamos experimentando.
O filme estava programado para estrear nas telas, porém, foi antecipado para os serviços de streaming. Encontrei-o no Top Dez Filmes.
Acredite em mim: você precisa assistir!

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