30 anos do clássico feminista ‘Thelma & Louise’

Há 30 anos Hollywood balançava as estruturas do movimento feminista com a estreia de Thelma & Louise. Dirigido por Ridley Scott e roteiro de Callie Khouri, o filme era estrelado por Susan Sarandon e Geena Davis, nos papéis que definiram suas carreiras. No time masculino, Harvey Keitel, Michael Madsen e Brad Pitt, em seu primeiro papel de destaque.
Na época, o filme foi acusado de retratar os homens de forma negativa. Apesar disso, tornou-se um sucesso de crítica e público, recendo seis indicações ao Oscar (Filme, Direção, Atrizes, Fotografia e Montagem). Ganhou Melhor Roteiro Original. Os altos números de feminicídio estão aí para comprovar que aquilo foi tão pouco…
Eu me lembro do impacto que o filme teve. Fiquei atônico com a cena final. Até aquele momento, em 1991, nunca tinha visto tamanha ousadia e coragem. E tive a certeza que era a melhor conclusão que uma estória como aquela pudesse ter.
Em seguida, percebi que estava diante de uma obra de importância no contexto histórico cultural pela luta por igualdade entre mulheres. Era a primeira que vez que assistia uma obra no qual as mulheres tinham o poder de decidir por suas vidas – sem depender de homem algum. Tive uma certeza: estava diante de um clássico!

O Argumento

1991 Thelma & Louise – Susan Sarandon e Geena Davis @ Reprodução

As amigas Thelma Dickinson (Geena Davis) e Louise Sawyer (Susan Sarandon) resolvem passar um final de semana numa cabana de pesca nas montanhas para dar uma pausa na vidinha besta no Arkansas. Thelma, uma atrapalhada dona de casa, é casada com um idiota vendedor de tapetes Darryl (Christopher McDonald), enquanto a garçonete Louise namora um músico, Jimmy (Michael Madsen), que prefere passar mais tempo na estrada a ao seu lado.
Na primeira parada, elas param num bar de beira de estrada para tomar uns drinks. Na animação, Thelma dança com um estranho, Harlan (Timothy Carhart). Respirando a empolgação pela ‘nova liberdade’, ela aceita acompanha-lo para o estacionamento. Lá, começam nos beijos, porém, ele começa a se tornar violento. Ele quer sexo. Ela se recusa. Ele não aceita a negativa.
Com uma arma em punho, Louise aparece e ameaça atirar. Ele recua, porém, quando elas estão se afastando, ele grita que deveria tê-la estuprado, dizendo-lhes “Eu deveria ter ido em frente e fodido com ela”. Em reação, Louise atira no peito de Harlan, matando-o instantaneamente. Elas fogem do local.
Em um motel, elas discutem como lidar com a situação. Thelma quer ir à polícia, mas Louise teme que ninguém acredite na alegação da tentativa de estupro: o casal foi visto dançando e bebendo.
Sendo assim, decidem fugir, mas Louise insiste que elas viajem de Oklahoma para o México sem passar pelo Texas. Algo aconteceu com Louise no Texas anos antes, e Thelma suspeita que foi algo semelhante ao que aconteceu com Harlan, mas a amiga não entra em detalhes.
O FBI entra no caso, assim como um investigador da polícia (Harve Keitel), que assim que descobre que Louise foi estuprada no Texas, torna-se simpático ao caso. Mesmo mantendo o desejo de captura-las.
E assim, as amigas continuam na estrada. Só tem uma certeza: serão donas de seu destino. Seja ele qual for.

Prêmios

1991 era o ano do impactante ‘O Silêncio dos Inocentes’. E as atuações de Anthony Hopkins e Jodie Foster eram celebradas.
Mesmo assim, Susan e Geena dividiram o prêmio de Melhor Atriz pelo National Board of Review, que colocou o filme entre o Top Ten do ano. Elas repetiram o feito no David di Donatello Awards (prêmio do cinema italiano).
O filme também recebeu oito indicações ao 45.º British Academy Film Awards, dentre as quais a de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Davis e Sarandon) e Melhor Roteiro Original.
No 49.º Globo de Ouro, foi nomeado a Melhor Filme Dramático, Melhor Atriz (Davis e Sarandon). Assim como o Oscar, ganhou Melhor Roteiro Original (Khouri).
O filme foi exibido fora de competição no Festival de Cannes de 1991. O British Film Institute publicou um livro sobre o filme em 2000 como parte de uma série Modern Classics.
Na lista dos 101 melhores roteiros do Writers Guild of America Award, ele ficou na posição 72.
Em 2016, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos selecionou-o para preservação no National Film Registry, considerando-o “cultural, histórico ou esteticamente significativo”.

“Sempre me pareceu absurdo que as pessoas tenham visto (a cena final) como um suicídio. Nunca pensei que estivessem mortas. Não era um final literal. Fizemos todo o possível para não mostrar uma morte literal. Não se vê o carro bater, não se vê fumaça. Na imagem final elas voam, diretamente à memória coletiva, sendo mulheres completamente livres e liberadas de qualquer algema”, comentou a roteirista Callie Khouri.