Melhores filmes e minisséries sobre os primeiros anos do HIV-AIDS

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de São Francisco ou Nova York, que apresentavam sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune.
Em pouco tempo essa população se tornou alvo de acusações como responsáveis de disseminar uma doença. Rapidamente a imprensa estampou manchetes como títulos: ‘Peste Gay’ ou ‘Câncer Gay’.
Isso causou uma irreversível onda de preconceitos nunca superada. Não se iluda: vira e mexe, evangélicos e conservadores utilizam esse expediente para atacar homossexuais.
Milhares de gays morreram. Foi um holocausto sem precedentes para essa população. Seja pelo desconhecimento no tratamento, no preconceito ou simplesmente pelo descaso. Esse é um fato.
Lógico que muita coisa mudou. Mesmo assim, a pergunta: “Por que não descobriram a cura do HIV-AIDS?” continua sem resposta.

It’s a sin (2021)

Enfim… A série limitada (minissérie) inglesa ‘It’s a Sin’ (HBO Max) é a mais recente obra da ficção a retratar o recorte específico do surgimento do HIV entre os gays daquela época. Com cinco episódios, a trama é centrada num grupo de amigos que moram numa mesma casa na Londres de 1981. Apesar da falta de novidades, é emocionante e eficiente para as novas gerações. Destaque para a sensacional trilha sonora com alguns clássicos, como ‘Smalltown Boy’ (Bronsky Beat), ‘Love is a Tear Us Apart’ (Joy Division), ‘Tainted Love’ (Soft Cell), ‘Mickey’ (Toni Basil), ‘Call Me’ (Blondie), ‘Karma Chamaleon’ (Culture Club) e ‘Gloria’ (Laura Branigan).

Outros títulos de ficção específicos sobre o tema

Com bons ou médios resultados, Hollywood produziu filmes e séries que retrataram os primeiros anos do vírus entre essa população. Alguns envelheceram bem… Outros, nem tanto. De qualquer forma, vale a pena conhecer.

Aconteceu Comigo’ (An Early Frost, 1985) – Pioneira obra sobre o assunto, o filme foi feito para a TV americana. Estrelado por Aidan Quinn, Gena Rowlands e Ben Gazzara, conta a estória de um rapaz que retorna à casa dos pais depois que descobre que está contaminado pelo HVI-AIDS. Foi assistido por 34 milhões de pessoas. Recebeu 14 indicações ao Emmy e venceu quatro (incluindo melhor roteiro). É emocionante, tem uma excelente atuação de John Glover e retrata muito bem o contexto da época.

Aconteceu Comigo – An Early Frost (1985) @ Reprodução

‘Meu Querido Companheiro’ (Longtime Companion, 1989) – Também é pioneira ao se tornar a primeira produção feita para o cinema sobre o assunto. Grupo de amigos vivenciam as dores e perdas causadas pelo vírus (é a principal inspiração da minissérie ‘It’s a Sin’). O título foi retirado de uma definição criada pelo jornal New York Post para descrever pessoas que se tornaram cuidadores de seus parceiros na fase final da doença (lembre-se que não existia coquetel ou retrovirais na época). O elenco contou com Campbell Scott, Mary-Louise Parker e Bruce Davison (indicado ao Oscar e premiado no Globo de Ouro como Melhor Ator Coadjuvante). A sequência final foi uma das mais emocionantes da época.

E a vida continua’ (And the Band Played On, 1993) – É um filme/documentário feito para a TV com direção de Roger Spottiwoode, a partir do livro homônimo de grande sucesso em 1987. Protagonizado por Matthew Modine, ele teve um desfile de estrelas em participações especiais, como Richard Gere, Phil Collins (sim, o cantor), Anjelica Huston e Lily Tomlin. O ponto de partida acontece com a chegada do epidemiologista Don Francis à uma vila próxima ao rio Ebola no Zaire, em 1976, onde uma doença misteriosa estava matando moradores e médicos. Em 1981, trabalhando no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), ele se assustou com crescente número de gays mortos em Los Angeles, Nova York e San Francisco. Mesmo sem dinheiro, espaço reduzido, sem equipamento necessário, ele articula uma rede de contatos com políticos, membros da comunidade médica e ativistas LGBTQ. Enquanto o governo americano não dava a menor atenção, ele ainda teve que enfrentar a resistência entre os próprios gays e proprietários de saunas. Eles se recusavam a fechar um espaço considerado de liberdade sexual. Paralelo a isso, começa uma briga de patentes sobre a descoberta do vírus entre o médico americano Dr. Robert Gallo e a equipe do francês Luc Montagnier. É longo (2h21), mas vale muito a pena.

‘Filadélfia’ (Philadelphia, 1993) – Advogado é demitido quando revela a empresa ser portador do HIV-AIDS. Resolve processa-la. Contrata colega negro e homofóbico para defendê-lo. Tom Hanks tem uma linda cena ao som de ‘La Mama Morta’ na voz de Maria Callas que garantiu seu primeiro Oscar de Melhor Ator. E é isso. É uma obra fria, medrosa e superficial que só se tornou relevante ao levar o assunto para o tribunal.

Somente Elas’ (Boys on the Side, 1995) – Mary-Louise Parker vivia uma mulher contaminada pelo HIV-AIDS que aceita viajar com duas amigas, uma lésbica (a fase boa atriz de Whoopi Goldberg) e uma jovem que fugia de um relacionamento abusivo (Drew Barrymore). É um emocionante road-movie sobre companheirismo e sororidade. Um dos primeiros filmes de Matthew McConaughey. Entre os destaques, a cena no qual Whoopi delicadamente interpreta ‘You Got It’, uma das belas canções da ótima trilha sonora somente com cantoras, como Bonnie Raitt, Melissa Etheridge, Sheryl Crow, Stevie Nicks, The Pretenders, Annie Lennox, Sarah McLachlan, Joan Armatrading, Indigo Girls, The Cranberries e Jonell Mosser.

‘A Última Festa’ (It’s My Party, 1996) – Eric Roberts interpreta um homem que perde namorado e seguro de saúde assim que descobre que está contaminado. Quando sua saúde piora, resolve convidar amigos para uma festa de despedida, pois pretende se matar. O filme foi baseado na vida de Harry Stein, ex companheiro do diretor Randal Kleiser. O elenco também contou com Olivia Newton-John, Marlee Matlin e Bruce Davison.

‘Anjos na América’ (Angels in America, 2003) – Série limitada (minissérie na época) da HBO baseada na premiada peça de Tony Kushner sobre os primeiros anos da epidemia em Nova York. Em 1985, Ronald Reagan está na Casa Branca e o HIV-AIDS causa mortes sem precedentes nos Estados Unidos. Em seis episódios, a trama relata como isso afeta um grupo de pessoas. O elenco é liderado por Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson, Justin Kirk, Ben Shenkman, Mary-Louise Parker e Patrick Wilson. Venceu 60 prêmios, como 11 Emmy e cinco Globos de Ouro.

Anjos na America – Angels in America (2003) @ Reprodução

‘Um Coração Normal’ (The Normal Heart, 2014) – Baseado na peça de 1985, é um excelente filme da HBO com direção de Ryan Murphy e roteiro de Larry Kramer. É estrelado por Mark Ruffalo, Matt Bomer, Taylor Kitsch, Jim Parsons, Alfred Molina, Joe Mantello, Jonathan Groff e Julia Roberts. A obra se passa entre 1981 e 1984 – auge da crise do HIV-AIDS em Nova York pelos olhos do escritor e ativista Ned Weeks (Ruffalo), fundador de um dos primeiros grupos de direitos humanos a tratar do assunto. Ele optou pela confrontação do que a discrição dos outros ativistas, amigos e seu companheiro Felix (Bomer). As diferenças de opiniões serão fundamentais para as primeiras mudanças no tratamento da doença. O filme venceu 28 prêmios (Emmy, Globo de Ouro e SAG Awards).

The Normal Heart (2015) @ Reprodução
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