BBB21 e as pautas sociais

O BBB21 terminou com a vitória de Juliette. Com seu delicioso sotaque, a carismática e divertida paraibana foi um dos destaques dos 100 dias do programa da TV Globo.
Não assistia ao reality desde a vitória do Jean Wyllys no BBB05, em 2005. Na época, a votação era feita pelo telefone e foi emocionante ver um gay assumido ter tamanho destaque.
Porém, passei os próximos anos distantes deste universo. Com tantas possibilidades de outros programas nas TVs à cabo, o programa foi se tornando desinteressante. Com o tempo comecei a desenvolver uma antipatia, principalmente porque, graças a ele, a cerimonia do Oscar era picotada no mesmo domingo do último paredão. Para um fã de cinema, era a morte.
Pior: tornei-me mais um destas pessoas que condenavam ao programa baseando-me no eterno preconceito com o popular. Usava os mesmos discursos conservadores que ‘a TV Globo aliena, manipula, empobrece, etc, a população’. Isto é tão ridículo que me deixa com vergonha. Como julgar e condenar a um programa sem ao menos assisti-lo, aprender sobre sua dinâmica e entender sua importância como fenômeno cultural brasileiro.
Ano passado, o anúncio da participação do ator Babu Santana me despertou curiosidade. Porém, ainda estava montado no cavalo da ignorância de uma intelectualidade que diverge da realidade. Contentei-me em acompanhar algumas coisas pelas redes sociais. Mesmo assim, reconheci a importância da vitória da médica Thelma.
Em 2021, com a confusão envolvendo os nomes da Karol Conká e do Lucas Penteado li os comentários de dois amigos, João Paulo Faccio e Nelcy Tocco. Aquilo me chamou a atenção. Quis palpitar, porém, precisava entender o que estava acontecendo e não parecer leviano.
Sendo assinante do Globo Play, maratonei as duas primeiras semanas do programa, devorando ‘os clicks’, ‘as últimas’, etc. Gostei. Despertou meu interesse. Era o início de uma jornada que me arrebatou nos últimos meses. Assistir ao programa tornou-se obrigatório.
Aliada a ótima forma de entretenimento, o BBB21 teve méritos ao destacar temas relevantes: a desistência (Lucas Penteado), o racismo (o cabelo do João), a xenofobia (o sotaque de Juliette), a orientação sexual (Gil do Vigor), o romance disfuncional (Carla Diaz e Arthur), o destempero emocional (Karol Conká), a militância (Lumena), a sonsice (Viih Tube), a vilania (Projota), a amizade (Caio e Rodolffo e João e Camila), entre outros.
Impossível outro programa na TV aberta despertar tantas pautas que movimentaram as redes sociais e as (possíveis) rodas de conversas na hora do cafezinho ou pausa nas empresas em tão pouco tempo.
Soube que o programa mudou sua dinâmica em 2020 quando misturou famosos com anônimos. A pauta do feminismo e do racismo deu a tônica daquela edição. Em 2021, o segundo tema voltou a estar presente nas discussões.
Ainda estamos engatinhando em pautas que mexam no conservadorismo e tradicionalismo de uma parcela da população que congelou no tempo.
Vejo mudanças, lógico, mas ainda existe um longo e doloroso caminho para vivenciarmos a plenitude de uma sociedade mais justa e igualitária.

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