Entenda o conceito da bolsa 2.55 da Chanel

Num evento em Campinas, surge a pessoa toda pimpona com uma bolsa 2.55 Chanel. Faço um elogio. Ela responde que ganhou de presente da última viagem que o filho fez para a China. Acende a luz amarela.

Não é que eu ache que ela não poderia ter uma 2.55. Ela é rica, mas… Sei lá! Algo me diz que tem errado nisso.

Aí… A pessoa coloca a bolsa no braço da cadeira e meu olho biônico enxerga uma linha solta. Hum… “Coitada! A bolsa é fake!”

Bolsa Chanel 2.55 @ Divulgação

Anualmente, cerca de 20 novos modelos são produzidos, aparecendo numa das sete coleções anuais da Maison. De seis a quinze pessoas trabalham 18 horas por dia (dependendo do material) para produzir a bolsa 2.55, da Chanel.
Enquanto no passado, 80% das peças produzidas eram pretas, hoje, elas representam metade da produção.

“Nós fazemos diferentes graduações do bege para as bolsas não ficarem sem graça”, explica um dos supervisores. “Com o desenvolvimento da internet, as coisas ficaram mais fáceis para os designers que não precisam ir até o estúdio de Karl Lagerfeld”.

A casa desenvolve 200 a 300 protótipos para cada coleção. O Kaizer, morto em fevereiro de 2019, escolhia 30. Hoje, a função cabe a equipe de produção de acessórios da grife francesa.

Bolsa Chanel 2.55 @ Divulgação

O arquivo do site da Chanel mostra cerca de três mil diferentes bolsas, que mapeiam a história da grife. Muitas das antigas criações servem como inspiração para os novos designers.
Assim que um modelo é aprovado, um time de artesãos, engenheiros e cortadores de couro irão trabalhar para abastecer as lojas com 10 modelos diferentes toda a semana.
Contudo, antes de ser produzida, ela passará por outros caminhos, como a seleção do couro – que será preparado e testado – tanto manual, quanto por máquinas especializadas. Este é um processo extremamente preciso, com medições em frações milimétricas.
80% do tempo da produção é gasto nas mesas de avaliação, onde os artesões da Maison utilizam toda sua experiência para finalizar um produto sem um único erro. Ele precisa ser muito resistente, submetido por 72 horas a uma temperatura de 60 graus e a 95% da unidade relativa do ar.

Bolsa Chanel 2.55 – parte interna @ divulgação

Depois que o corpo é costurado (a costura jamais soltará uma linha – se isso acontecer, pode acreditar que sua bolsa é fake), aplica-se os acessórios, como o fecho com o logo dos “C” invertidos e a alça de couro mesclado com corrente dourada ou prateada.
Cada peça – tanto por fora, quanto por dentro – recebe a mesma atenção. Mademoiselle Chanel exigia que seus produtos fossem tão bons por fora, quanto por dentro.

Bolsa Chanel 2.55 – parte interna @ divulgação

A história da Bolsa 2.55 Chanel

Inspirada nas pastas utilizadas pelos carteiros durante a Segunda Guerra Mundial, Coco Chanel criou a primeira bolsa tiracolo em fevereiro de 1955. Ou seja, 2.55 (mês e ano). Não foi a primeira bolsa a ser lançada pela Maison francesa, mas sim uma evolução das suas anteriores, com alterações que a transformaram num ícone.

Chanel 2.55 Reissue @ divulgação

Segunda conta a lenda de que o bolso interno da Chanel 2.55 foi minunciosamente idealizado para que Mademoiselle guardasse suas cartas de amor. E não se esqueça que a cama de Coco Chanel era muito movimentada… De milionários à nazistas… Mulher emponderada!
Quando Karl Lagerfeld assumiu a marca em 1983, foram lançadas 30 versões da lendária da bolsa, como a Chanel Classic Flap e a Chanel 2.55 Reissue, esta uma reprodução da original, em comemoração aos 50 anos do lançamento da peça.

No site da Chanel da França, a bolsa custa 5 350 € (cerca de R$ 33.848,50).

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