Cynthia – a primeira ‘manequim’ da história

Existem variadas versões das estórias que envolvem o nome de Lester Gaba e sua manequim Cynthia, criada em 1937. Uma das mais próximas à verdade é a seguinte: nascido em Hannibal Missouri, Lester fazia esculturas de sabonetes para a Proctor & Gambles e para a Du Ponts.

Num coquetel na cidade de Chicago, ele encontrou Miss Mary Lewis, vice-Presidente da Best Co. Department Store. Ela o conheceu depois de ler um artigo no qual ele falava da ‘falta de estilo’ dos vestidos exibidos nas vitrinas das lojas e perguntou se ele não gostaria de criar algumas manequins para suas lojas.
Ele ficou surpreso com a proposta, pois só havia criado pequenas esculturas feitas de sabonete, mas ele aceitou. Miss Lewis disse: “… Se você conseguir a mesma qualidade em peças maiores, elas serão maravilhosas. Se você cria-las, eu irei compra-las”.

Cynthia by Alfred Eisendaedt para a Life Magazine em 1937

Ao lado do namorado, o diretor Vincente Minnelli (antes dele se casar com Judy Garlard… e do nascimento de Liza Minnelli), Lester se mudou para Nova York para criar as “Gaba Girls”, esculturas em tamanho realistíco em sabonetes reproduzindo rosto e corpo de debutantes e socialistes. Logo se tornaram o ‘assunto das rodinhas’.

Cynthia e Lester Gaba @ divulgação

Naquela época, a maioria dos manequins eram importados principalmente da França, não tinham um bom acabamento e eram feitos de cera, cílios e dentes humanos, que derretiam quando expostos ao calor.

Sucesso

Assim, inspirado no nome de uma modelo e mulher de um famoso empresário, nasceu Cynthia. Feita em gesso, rosto com sardas, magérrima, expressão blasé e ostentando um cigarro entre os dedos. E o cabelo loiro e curto – assim como as estrelas de Hollywood da época. Ela foi o primeiro manequim realista na prática.

Cynthia e Lester Gaba @ Reprodução

Cynthia era carregada para todos os lugares badalados que Lester frequentava, principalmente o Stork Club. Numa era pré influencers, ela começou a receber joias Cartier e Tiffany’s, sapatos e vestidos de marcas famosas, casacos de pele (originais) e chapéus (em especial da designer Lilly Daché – a mais poderosa da década de 1930 e 1940). Ganhou um cartão de crédito do magazine Saks e uma cadeira própria no Metropolitan Opera House.

Cynthia e Lester Gaba @ Reprodução
Cynthia e Lester Gaba no Metropolitan Opera House @ Reprodução

Com o sucesso, foi convidada para o casamento do casal Wallis Simpson e Edward VIII. Foi capa de julho da revista Life e ainda ganhou nova matéria na publicação reforçando o conceito da ‘mais famosa socialite de Nova York’. No ano seguinte, ela apareceu num filme chamado “Artistas e Modelos”, estrelada pelo comediante Jack Benny.

Cynthia, Lester Gaba e Vincente Minnelli no casamento entre Edward VIII e Wallis Simpson 1937 @ Reprodução
Cynthia na Life Magazine @ reprodução

Morte

Aí… Lester Gaba foi convocado a lutar na Segunda Guerra Mundial. Deixou ordens para Cynthia continuar sua vida de glamour. Porém. num certo dia, o manequim escorregou de uma cadeira em um salão de beleza e se despedaçou. Jornais anunciaram o incidente como ‘a morte de Cynthia.

Cynthia fazendo as unhas @ Reprodução

Com o final da Guerra, Lester gastou quase U$ 10 mil para refazer Cynthia. Aperfeiçou seus traços, mudou o penteado, entre outras mudanças. Ela conseguiu um programa de rádio e quase ganhou um Talk Show na TV. Porém, os tempos eram outros. A brincadeira perdeu a graça. Cynthia sumiu de cena. Era 1952.
Lester continuou se tornou colunista do Women’s Wear Daily, professor da faculdade LIM sobre Visual Merchandising.

Lester Gaba vestindo Cynthia @ Reprodução

Apesar da bizarice em torno de Cynthia, o legado de Lester é a mudança no conceito do VM e das vitrinas das lojas que utilizam manequins para expor roupas.
Também foi o pioneiro na arte performática na criação de aproximar o produto do cliente final.