Se em outras edições as estantes surgiam como complemento da decoração, na CASACOR São Paulo 2026 elas ganham status de protagonistas. Bibliotecas monumentais, módulos artesanais e estruturas expositivas demonstram como a marcenaria contemporânea tem sido utilizada para muito mais do que organizar objetos: ela organiza histórias, memórias e experiências, transformando-se em um dos grandes destaques da mostra.
A mostra segue até 09 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo.
A monumental estante desenvolvida pela Evviva São Paulo para o ambiente Casa Coral Celeiro Alvorada, assinado por Nildo José e pela NJ+ Arquitetura chama a atenção. Concebida como uma biblioteca com aproximadamente quatro mil livros, a estrutura se transforma no principal elemento organizador do projeto. Mais do que delimitar funções, ela constrói a narrativa emocional do espaço ao reunir fotografias, poemas, objetos pessoais e uma extensa coleção de livros que evocam memória, acolhimento e pertencimento.
No centro dessa grande composição, a cozinha e a sala de jantar ocupam posição de destaque, reforçando a ideia da casa como lugar de encontro e convivência. A solução executada pela Evviva evidencia a capacidade da marcenaria planejada de unir monumentalidade e intimismo em uma mesma linguagem.

A força das estantes também aparece na Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex, de João Panaggio. No ambiente de 250 m², uma grande estante modular ocupa toda a altura do pé-direito e se torna a principal expressão do ofício da marcenaria. Produzida em MDF Carvalho Brun, da Duratex, a peça funciona como um grande arquivo visual da madeira e de seus processos construtivos, revelando a precisão técnica e a lógica dos encaixes que estruturam o projeto.

No Living Ritmo Vital, da Maai Arquitetura Integrada, a estante do bar reforça a ideia de permanência e celebração presente no projeto. Produzida em pinus natural, a peça ocupa toda a extensão da parede e exibe uma coleção de cachaças organizadas em nichos modulares. A composição valoriza a verticalidade do espaço e transforma as garrafas em elementos expositivos que remetem à memória, aos saberes e às tradições brasileiras.

Já na Casa Cosentino Sanare, assinada por Natan Gil, a estante assume uma função mais contemplativa. Integrada à atmosfera sensorial do ambiente (defumação com palo santo), ela recebe as pedras naturais da linha Sensa®, incorporando textura, materialidade e conexão com a natureza. O elemento reforça a proposta de introspecção e acolhimento que permeia todo o espaço.

No ambiente Torre Paulo, Victor Niskier transforma a estante em peça cenográfica. Revestida em couro envelhecido marrom e desenhada pelo próprio arquiteto, a imponente estante colmeia atravessa os níveis superiores da instalação, conectando visualmente os pavimentos e reforçando a verticalidade da proposta arquitetônica.

A madeira também conduz a narrativa do Home Office Entre Veios, estreia do Studio Marina Salles Arquitetura e Interiores na mostra. No espaço de 31 m², uma estante modular construída em pinus natural e madeira carbonizada ocupa a parede principal e se torna o eixo visual do ambiente. Além de valorizar as características naturais da matéria-prima, a peça incorpora princípios de sustentabilidade ao permitir desmontagem e reaproveitamento integral após o encerramento da exposição.

