RAYE vence o Mercury Prize 2026

Com o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “This Music May Contain Hope”, a cantora e compositora RAYE levou para casa um dos prêmios mais prestigiados da música do Reino Unido, o Mercury Prize 2026. A cerimônia, realizada na Utilita Arena, em Newcastle, coroou uma obra que reafirma o poder de um disco completo frente a uma indústria obcecada por singles rápidos.
This Music May Contain Hope é uma epopeia de 73 minutos que transita com fluidez por diversos gêneros. O júri destacou a dimensão, a estrutura e a imaginação do projeto, afirmando que a obra servirá como uma imensa inspiração para os próximos anos. RAYE trouxe para o disco uma entrega passional e letras afiadas, abordando desde frustrações românticas no hit “Where Is My Husband!”, até temas mais densos e pessoais, refletindo as complexidades de sua própria vivência.

A disputa pelo prêmio de 25 mil libras foi acirrada. Para levar o troféu, RAYE superou outros 11 álbuns de enorme peso na cena musical. A lista de finalistas contava com nomes fortíssimos como Olivia Dean, com “The Art of Loving”; Dave, buscando sua segunda vitória com “The Boy Who Played the Harp”; e Nia Archives, com “Emotional Junglist”. A cantora também deixou para trás lançamentos de veteranos e grandes estrelas, como Florence + The Machine, com “Everybody Scream”, e Jade, com “That’s Showbiz, Baby”.

RAYE – Mercury Prize 2026 @ picture allianca, pa images, owen humphreys

Para RAYE, esta vitória representa muito mais do que um troféu na estante. Durante anos, a artista enfrentou duras batalhas com sua antiga gravadora, que a pressionava por lançamentos efêmeros e engavetava seus projetos de álbuns. Ao receber o prêmio, visivelmente emocionada e cercada por sua banda, ela refletiu sobre sua jornada. Estar em um lugar de destaque, celebrada pela crítica em uma premiação que valoriza a obra fechada, sela sua independência criativa e a consolida como uma das vozes mais importantes e visionárias de sua geração.

Sobre o prêmio

RAYE – Mercury Prize 2026 @ picture allianca, pa images, owen humphreys

O Mercury Prize nasceu no ano de 1992, idealizado pela British Phonographic Industry e pela British Association of Record Dealers. A indústria buscava uma alternativa artística ao BRIT Awards, uma premiação que colocasse os holofotes exclusivamente no álbum como uma forma de arte coesa, independente de números de vendas ou apelo estritamente comercial. Desde sua fundação, o prêmio tem sido um farol para a música britânica e irlandesa, catapultando talentos independentes e referendando obras-primas.

Ao longo de mais de três décadas, a lista de laureados formou um verdadeiro panteão da excelência musical. Para relembrar a rica história do Mercury Prize, acompanhe todos os álbuns que já conquistaram o troféu desde a primeira edição.

Década de 1990
1992: Primal Scream, com Screamadelica
1993: Suede, com Suede
1994: M People, com Elegant Slumming
1995: Portishead, com Dummy
1996: Pulp, com Different Class
1997: Roni Size e Reprazent, com New Forms
1998: Gomez, com Bring It On
1999: Talvin Singh, com Ok

Década de 2000
2000: Badly Drawn Boy, com The Hour of Bewilderbeast
2001: PJ Harvey, com Stories from the City, Stories from the Sea
2002: Ms. Dynamite, com A Little Deeper
2003: Dizzee Rascal, com Boy in da Corner
2004: Franz Ferdinand, com Franz Ferdinand
2005: Antony and the Johnsons, com I Am a Bird Now
2006: Arctic Monkeys, com Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not
2007: Klaxons, com Myths of the Near Future
2008: Elbow, com The Seldom Seen Kid
2009: Speech Debelle, com Speech Therapy

Década de 2010
2010: The xx, com xx
2011: PJ Harvey, com Let England Shake
2012: Alt-J, com An Awesome Wave
2013: James Blake, com Overgrown
2014: Young Fathers, com Dead
2015: Benjamin Clementine, com At Least For Now
2016: Skepta, com Konnichiwa
2017: Sampha, com Process
2018: Wolf Alice, com Visions of a Life
2019: Dave, com Psychodrama

Década de 2020
2020: Michael Kiwanuka, com KIWANUKA
2021: Arlo Parks, com Collapsed In Sunbeams
2022: Little Simz, com Sometimes I Might Be Introvert
2023: Ezra Collective, com Where I’m Meant To Be
2024: English Teacher, com This Could Be Texas
2025: Sam Fender, com People Watching
2026: RAYE, com This Music May Contain Hope

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