Figurinos se destacam em ‘O Cavaleiro Solitário’

O Cavaleiro Solitário
O filme O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, EUA, 2013) conta com figurinos da britânica Penny Rose.
Ela trabalhou nos quatro filmes da franquia Piratas do Caribe, além de Evita, Rei Arthur e em Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo (Prince of Persia: The Sands of Time), entre outros. Mesmo com a experiência com diversas produções de época, ela nunca havia feito um faroeste. “Foi um grande desafio. Já que eu sempre faço os figurinos o mais autêntico possível e depois insiro um pouco de diversão”.
Rose conhecia os trajes da antiga série de TV ‘Cavaleiro Solitário e de Tonto’, contudo, não quis repetir o conjunto campestre usado por Clayton Moore. “Uma das coisas que eu observei assistindo a faroestes dos anos 1950 e 1960 foi que eles eram, muitas vezes, um indicador do tempo em que foram feitos. Então nós decidimos que certamente faríamos com o máximo de autenticidade possível ao ano 1869”.
O funcionamento do departamento de guarda-roupa de Rose incluía mais de 1.500 figurinos e centenas de chapéus, sapatos e outros acessórios, criados especialmente para o filme ou alugados e alterados de acordo com a necessidade. Escondida num enorme armazém no Estúdio Albuquerque, Rose trabalhou ao lado de pequenos exércitos de figurinistas, cortadores/ajustadores, costureiras, finalizadores e especialistas em envelhecimento/tingimento.
Penny se preocupou em transformar os tecidos iguais aos usados da época e do lugar. “Eu não gosto de nada artificial. Então tudo é em algodão, lã e seda. Eu posso enganar um pouco e usar um tecido que pareça lã, mas que seria mais confortável para os atores naquele calor terrível em que filmavámos, mas eu nunca uso nada falso. Não há nenhum zíper, os botões só têm dois furos de acordo com a época e todas as figurantes usam corpete”.
Personagens
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São basicamente dois trajes para o Cavaleiro Solitário, um no início do filme quando ele é apresentado como o jovem estudante de direito John Reid, e o segundo quando se torna um ranger do Texas pelas mãos de seu irmão Dan, e se junta ao grupo em busca de Butch Cavendish. “John Reid é um advogado que vem da cidade grande no leste com um terno de três peças, muito apropriado, então quando ele se transforma no Cavaleiro Solitário, decidimos que ele deveria virar instantaneamente um caubói”, diz Rose. “Deve haver uma transição entre os dois. Além disso, quando se tem um ator com 1,94 metro de altura, como Armie, as coisas mudam”.
Assim, Rose desenhou as calças de época, um colete de linha, uma jaqueta de lã inglesa, uma camisa de linha branca e, em uma sutil homenagem ao traje de Clayton Moore, um lenço de pescoço e um chapéu branco, que foi feito sob encomenda por Stetson de modo autêntico incluindo a etiqueta dentro do forro. “Eles, muito gentilmente, nos deram mais de trinta chapéus. O que é bom por causa do uso e desgaste nas cenas de ação”.
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A longa associação de Penny Rose com Johnny Depp significou que haveria outra eletrizante colaboração para o figurino de Tonto. “Nós já temos um ótimo entendimento, e Johnny é realmente bom com figurinos”, diz ela. “Ele logo sabe o que dá e o que não dá certo, então não precisamos de muitas reuniões. Eu ofereço a ele uma seleção de coisas e a decisão é bem rápida”.
“A história indica que Tonto é um integrante da tribo comanche que foi banido”, explica ela, “que está vagando sozinho há anos. Joel Harlow, o maquiador-chefe, desenvolveu o corvo que fica em cima da cabeça de Tonto e a maravilhosa maquiagem corporal de Johnny, então meu trabalho abrange, na verdade, da cintura para baixo, exceto pela peça de peito que eu dei a ele. O conceito é que Tonto pegou diferentes peças em sua jornada, pequenos pedaços de sua história pessoal”.
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Para Rebecca Reid, a mulher da fronteira interpretada por Ruth Wilson, Rose observa que “eu a desenhei como uma esposa da fronteira autêntica, com um toque de As Vinhas da Ira (Grapes of Wrath), mas felizmente, mais tarde na história ela usa um vestido feito de tafetá de seda roxo muito bonito; então durante boa parte do filme Ruth tem um visual glorioso”.
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Rose descreve a extravagante Red Harrington como “obviamente, a mais divertida. “Nada é exagerado demais quando se desenha para Helena Bonham Carter! Não existem fitas, contas, bordados ou qualquer coisa que seja suficiente para Helena. Eu decidi que ela deveria se vestir de vermelho, e Helena gostou”. Para acomodar a perna de marfim de Red, Rose e sua equipe “fizeram uma espécie de calçola que cobre tudo de um lado, e vai até a altura do joelho no outro”.
As meninas de Red, Rose observa: “São bastante glamorosas nessa época e tinham um visual atraente para os homens da ferrovia, então dei a elas um ligeiro toque de ironia. Algumas delas usam robes longos com muitas penas e rendas. E outras usam vestidos de noite que já foram gloriosos, mas que perderam o glamour e estão bem apagados e ligeiramente puídos. Com a bela maquiagem do departamento de Joel Harlow, e as perucas fabulosas do departamento de cabelo de Gloria Casny, foi um bom momento de colaboração entre as três equipes”.
Finalmente, Penny Rose diz que a sequência do Inferno sobre Rodas “foi quase como o presente do filme para a equipe criativa, porque pudemos deixar a imaginação correr solta, e nós deixamos! Eu fiz o Inferno sobre Rodas quase que exclusivamente com tecidos, o que foi bem desafiante porque há acrobatas, contorcionistas e pessoas de baixa estatura, mas foi tudo uma grande diversão. Eu sei que foi um pouco atrevido para uma britânica fazer um faroeste porque não é a minha cultura, mas foi empolgante fazer algo novo”.