A história das pin-ups – do século XIX aos dias atuais

Quando se pensa em modelo ‘gostosa’ – mas com ares infantis, poses sensuais – mas com ares de ingenuidade e roupas dos anos 30, 40 e 50, a imagem da Pin-up é a primeira referência. Hoje, ela se tornou um conceito de moda. Contudo, seu começo não foi tão nobre. Lá no final do século XIX, auge dos teatros de revista (leia-se ‘Moulin Rouge’, por exemplo), as dançarinas se tornaram estrelas, sendo fotografadas para revistas, anúncios, post cards e maços de cigarros. Em Paris, Alphonso Mucha e Jules Cheret, criaram as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para pôsteres em trabalhos marcados pela presença de contornos e detalhes.
A arte dos pôsteres influenciou artistas até as primeiras décadas do século 20, quando os calendários também passaram a trazer desenhos de mulheres com silhuetas idealizadas pela imaginação masculina da época. E é justamente a partir do ato de pendurar ilustrações nas paredes que o nome pin-up (em inglês, pin up) surgiu.
Foi na década de 40, contudo, que as pin-up girls viveram o auge do sucesso. Nesta época, o vestido já tinha diminuído o comprimento, mostrando do joelho para baixo. Mostrar as coxas era atitude subversiva. Ser fotografada nua, então, atentado ao pudor. Desta forma, lápis e tinta davam forma a essas mulheres, carinhosamente chamadas de “armas secretas” pelos soldados americanos nos campos de batalha na Segunda Guerra Mundial.
O conceito das garotas pin-up era bastante claro: eram sensuais e ao mesmo tempo inocentes. A verdadeira pin-up jamais poderia ser vulgar ou oferecida, apenas convidativa. Asseguradas pelos traços sofisticados vindos do movimento art-nouveau, elas vestiam peças de roupa que deixavam sutilmente à mostra longas pernas, definidas cinturas e alguma coisa dos seios. Das ilustrações de papel, as pin-ups logo ganharam vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable, Rita Hayworth e Marilyn Monroe, ou fotografadas por modelos voluptuosas como Bettie Page. Ela encarnava a mulher independente do pós-guerra. Segundo uma frase da época: ‘Bettie era a pin up subversiva enquanto Marilyn Monroe a pin up mainstreen’. Interessante é a revelação que boa parte dos desenhos foram criados a partir das fotos com modelos que posavam em estúdio – como nas fotos que ilustram este artigo.
Com o final dos anos 50, as pin-ups foram perdendo o interesse. Uma nova mulher estava surgindo graças ao surgimento da pilula anticoncepcional, que coincidiu com o avanço do segundo movimento feminista (o primeiro ocorreu entre o final do século XIX e início dos XX), que chegou com muita força com a bandeira da igualdade de gêneros, fim da discriminação e queima de suitã em praça pública. Assim, as sexys-inocentes pin-ups foram execradas como meros símbolos do sexismo e do machismo. Somente, no século XXI, seu valor ganhou reconhecimento. Apesar de vistas como objetos sexuais, eram mulheres que questionavam os valores de uma época propondo uma liberdade sobre seu corpo. É uma discussão interessante, que ainda provoca reações contrárias.
(Artigo de Jorge Marcelo Oliveira – Fonte de pesquisa: blog Imagens & Letras | Wikipédia)

Um comentário

Os comentários estão fechados.