American Horror Story Hotel foi muito fraca

American Horror Story: Hotel terminou com um louvável episódio numa temporada muito fraca. Tirando dois ou três episódios geniais, a série pecou por propor algo que porcamente cumpriu, além de deixar muitas arrestas soltas.
Misturar vampiros, serial-killers e fantasmas num hotel amaldiçoado não rolou. Sem contar que fantasma foi o assunto abordado na primeira temporada, assim como serial-killer foi um dos destaques da segunda. Aqui, salvo os dois episódios das reuniões de assassinos, misturando ficção, como James Patrick March foi baseado em duas pessoas do final do século 19 e começo do 20 e com realidade, Richard Ramirez, Jeffrey Dahmer, John Wayne Gacy e Aileen Wuornos (Lily Rabe foi incrível), o assunto ficou jogado. O responsável pelos crimes baseados nos Dez Mandamentos não convenceu, principalmente pela fraca atuação do bonitão Wes Bentley, como o atormentado John Lowe.
Denis O'Hare como Liz Taylor em American Horror Story Hotel (2015) @ Divulgação
Denis O’Hare como Liz Taylor em American Horror Story Hotel (2015) @ Divulgação
No último episódio de Hotel, o destaque foi para Liz Taylor, que se revelou a personagem mais interessante e complexa da temporada. Denis O’Hare segurou muito bem as rédeas por manter a coerência em sua construção cênica. Além dele, Evan Peters também teve bons momentos por sua composição de James March, principalmente pelo sotaque de ator de cinema dos anos 20.
Evans Peters como James Patrick March em American Horror Story Hotel (2015) @ divulgação
Evans Peters como James Patrick March em American Horror Story Hotel (2015) @ divulgação
Por outro lado, lamentável os personagens de Sarah Paulson, Kathy Bates e Angela Basset – três boas atrizes que não tiveram o que fazer. A primeira teve mais sorte, pois, no começo, sua composição como ‘fantasma junkie devota ao demônio do desejo’ chamou a atenção, contudo, ela foi sumindo na trama, surgindo, vez ou outra, como um figurante de luxo. Kathy esteve em praticamente todos os episódios, mas sua personagem era péssima. Angela, coitada, precisaria pedir ressarcimento pela pior personagem de sua carreira.
O burburinho pela participação de Lady Gaga foi eficaz para atrair um novo público, mas sua participação foi ‘poser’. Nada mais. Salvo o episódio que contou a origem de sua personagem, seu reduzido talento interpretativo permitiu que ela caminhasse por dez episódios vertendo glamour e nada mais. Seu Globo de Ouro como Melhor Atriz em Minissérie ou Série Antológica entrará para a história como aquelas aberrações que aparecem, de tempos em tempos, nas premiações americanas (como os Oscars de Sandra Bullock, da Resse Witherspoon, do Roberto Benigne…). Volta Jessica Lange! American Horror Story precisa de uma grande atriz, que, se segura em qualquer personagem meia boca.
Lady Gaga - American Horror Story Hotel - Entertainment Weekly (3)
Lady Gaga – American Horror Story Hotel – Entertainment Weekly @ Reprodução
Enfim… No balanço geral, os primeiros episódios da temporada contaram com uma excepcional seleção de canções, principalmente dos anos 70 e 80, que funcionaram muito bem. Conforme a temporada foi piorando, as canções também foram sumindo. No último episódio, porém, ‘The Ballad of Lucy Jordan’, na voz de Marianne Faithfull, garantiu a emoção envolvendo a personagem Liz Taylor. Mas foi muito pouco.
(Artigo Jorge Marcelo Oliveira)