O Círculo retrata a homossexualidade na Suíça nos anos 50

Na Suíça, de 1950, O Círculo era uma uma associação fundada por um ex-ator, que publicava uma revista voltada aos homossexuais. Com uma lista de mais de mil assinantes, também promoviam um Baile de Gala anual, de grande sucesso. Numa delas, o professor Ernst Ostertag conheceu a transformista Röbi Rapp e se apaixonam no meio da opressão e medo da época. O Círculo (2014) (1)
Encontraram tranquilidade num bar, que se tornou um gueto que os acolhia para beber, dançar e namorar. Porém, a aparente tranquilidade começou a ser abalada por sucessivas mortes de gays, assassinados por michês. Isto desperta a atenção da polícia, que começou a persegui-los, prendendo-los e coagi-los a revelar os nomes dos homossexuais do Círculo.
O Circulo é contado a partir dos relatos de Ernst e Röbi, que vivem até hoje, em Zurique. Eles foram o primeiro casal gay a se casar na Suíça.
Filme suíço que reproduz com emoção uma época de repressão, numa Europa se recuperando dos efeitos da Segunda Guerra Mundial, focando num grupo, que realmente existiu e vivenciou os dramas da época. Curiosamente, apesar daquele tipo de repressão policial não existir no Brasil (mesmo sabendo do continuo e alarmante número de homossexuais mortos anualmente em todo o mundo), além de uma suposta ideia de liberdade vivida pela nova geração, os guetos continuam a existir como espaço para a população gay e lésbica. Bares, boates e restaurantes são uma realidade nas metrópoles e nas cidades menores daqui e de boa parte do resto do mundo.
Liderado pelos atores Mathias Hungerbühler (Ernst), Sven Schelker (Röbi) e Peter Jecklin (Max), o elenco é sincero. Bacana a participação especial de Marianne Sägebrecht (mãe de Röbi), que foi a estrela do sucesso cult dos anos 80 ‘Bagdá Café’.
O filme está na programação LGBT do Netflix.

(Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira)