Otimismo é bacana!

Não lembro quando começou, mas faz um bom tempo que estava sem paciência para ler qualquer revista de moda brasileira. Talvez a palavra ‘moda’ andasse tão sem expressão que as publicações sobre o assunto tenham ficado obsoletas. Com isto, transferi meu interesse para outras praias, principalmente o fértil campo das séries de TV, dos filmes de heróis vingadores ou do ‘momento cinza’ da decoração. Enfim… Depois de ler um post do meu amigo, Juliano Silveira, comprei a revista ELLE de maio, edição de aniversário, com a modelo sudanesa Alek Week na capa. Aliás, Alek está em quatro capas diferentes, todas reforçando o tema da edição: Otimismo. Escolhi a capa no qual Alek veste um modelo Prada branco bordado com maxi placas de resinas. Achei mais divertida.

Alek Wek na Elle Brasil Maio 2016 @ Gustavo Zylberszatajn
Alek Wek na Elle Brasil Maio 2016 @ Gustavo Zylberszatajn

Depois de dois dias intocada, comecei a folhear… Aquela preguiça de sempre nas infinitas e aborrecidas campanhas atuais, aquele bla-bla-bla das primeiras matérias, chego ao caderno Otimismo com a foto do Smiley na abertura. Começo a ler e… Surpresa total na proposta criativa para abordar a esperança no futuro.
A revista surpreende pela abordagem que mistura mantras que todos deveriam invocar para espantar o mau-humor. Por exemplo: a palavra ‘crise’ atingiu a sociedade brasileira como um vírus que espalhou para contaminar tudo de forma devastadora. Imagine um filme de ficção que retrate um futuro caótico, onde a sociedade se segmentou em ‘bons’ e ‘ruins’. Pois bem, estamos vivendo este futuro!
Não precisa estar num cenário de destruição – apesar de que, isto existe no Oriente Médio – mas o Brasil se tornou igual aqueles estados totalitários de filmes dos anos 80, onde cada precisa ter um lado: ou você é contra ou a favor do PT! A coisa ficou tão, mas tão chata que nem eventos sociais, que antigamente serviam para a diversão, escapam destes fanáticos. Em determinado momento, um trouxa sobe no banquinho para defender seu lado e querer que você concorde. Aí, pergunto: na vida real, o que isto importa? Quando vou pagar a conta da luz, existe algum desconto se for deste ou daquele partido? Pois é…
Voltando a revista, que delícia saber que existem pessoas mais preocupadas com ações mais eficazes pensando num futuro melhor do que ficar debatendo nas redes sociais sobre um assunto tão imediatista.
SmileyAdorei ler sobre o cantor Liniker. Desde Ney Matogrosso, não me lembro de outro artista brasileiro que questionasse a questão do ‘gênero’. Ele chega num momento fantástico, no qual esta discussão está no dia a dia de milhares de jovens, que adotaram posturas mais tranquilas sobre isto – muito diferente de seus pais. Que bom saber que os filhos destes trouxas, que ficam perdendo tempo em levantar bandeiras políticas nas redes sociais, estão anos luz de seus pais! A esperança está nas gerações futuras.
No campo da moda, adorei saber sobre os novos rumos dos estilistas Amir Slama, Isabela Capeto e Marcello Sommer, das modelos Michelle Provensi, Luciana Martinez – que se tornou uma bem sucedida modelo Pluz Size na Inglaterra e Valentina Sampaio, a trans que deu uma guinada na vida e hoje sonha em desfilar para Victoria’s Secret, Gucci e Givenchy.
Também ficou demais a matéria sobre os designers que transformaram a diversão em estilo, como Jeremy Scott, Betsey Johnson, Dudu Bertholini, Amapô, House of Holland, Sibling, Sonia Rykiel, Alessa, entre outros. São figuras essenciais num campo tão preso a conceitos e tradições. Sim, apesar de, a moda pensar no presente e no futuro, existe uma legião que se prende no clássico, pois acreditam em fórmulas prontas e morrem de medo de ousadias.
Ótima matéria com a blogueira Camila Coutinho, esclarecendo sobre o momento atual e o qual o futuro dos blogs de moda, beleza e gastronomia. É uma aula. Garota Estúpida que vive no olho do furacão, Camila não é mais uma das deslumbradas sem conteúdo que povoa este universo.

Baddie Winkle - Dimepiece @ Nikko La Mere (2)
Baddie Winkle – Dimepiece @ Nikko La Mere (2)

E… Para fechar, a entrevista com a It Girl de 87 anos, a americana Baddie Winkle, musa do Instragram, com 1,8 milhões de seguidores e fãs. Detalhe: sem comprar nenhum! É uma estória de vida surpreendente sobre uma mulher que, no auge da terceira idade, sem seguir qualquer fórmula de sucesso, acabou se tornando uma figura disputada pelas marcas. Detalhe 2: usando as roupas, acessórios e maquiagens mais extravagantes possíveis! Nas palavras da própria Baddie: “Nunca deixei de me sentir sexy, em nenhuma fase da vida. Mas acho que a mídia tem muita a ver com o fato de muitas mulheres odiarem seus corpos. Algumas ideias e padrões são empurrados sobre nós todos os dias. Revistas, TVs, filmes e campanhas deveriam valorizar mulheres de todos os tipos, especialmente de todas as idades! Isso é muito importante”.

O momento é para colocar a palavra Otimismo na testa e sair desfilando por aí como bem quiser. Infelizmente, conheço poucas pessoas que pensam assim. Estou numa idade que me afasta, por diversos motivos, delas. As poucas que conheço, como meus assistentes de produção, Júlia Magalhães e Renan Gazotto, se tornaram referências para mim. Talvez eles não saibam, mas admiro a forma como se vestem, comportam e agem nas redes sociais. São diferentes em essência, mas semelhantes na forma que se posicionam. Curioso como ambos têm uma preocupação com os cabelos. Também fazem as melhores selfies. Sabe o motivo? Em cada foto, existe uma emoção. Não são fotos com sorrisos artificiais só para ‘agradar’. Estes dois, para mim, representam o que pensar para o futuro. Espero que não mudem!
Otimismo deve ser a base para pensar no futuro. O presente está massacrado por notícias ruins. Ok, a vida real é caótica. Todo mundo sabe isto, mas… Olha só: que tal ler as notícias ruins e deixa-las quietinhas? Que tal virar a página, encontrar alguma bacana e compartilha-la? Somente ficar repetindo as notícias de desgraças é alimentar a depressão, o medo, a ansiedade e a amargura!
Pense nisto!
(Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira)