Canções Que Marcaram Minha Vida

Jorge Marcelo Oliveira @ Selfie
Jorge Marcelo Oliveira @ Selfie

Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira

No final dos anos 90, eu assistia ‘Ally McBeal’, que era uma série que misturava comédia com drama – regadas com farta dose de músicas. Num dos episódios, a terapeuta da personagem principal sugeriu que, cada vez que ela se sentisse frágil, confusa ou deprimida, pensasse numa canção-tema – que seria aquela que, pelos mais inexplicáveis motivos pessoais, remetessem a um momento importante de sua vida. Aquilo ficou na minha cabeça. Imagina só: uma pessoa que sempre adorou música, escolher apenas uma? Encontrei.
Anos depois, comecei a assistir um programa no GNT, no qua Sarah Oliveira colocava canções e seus convidados contavam o significado de cada uma. Achei o máximo. E aquilo me inspirou a relacionar As Canções Que Marcaram Minha Vida. Demorou muito. Lembrei-me de pessoas que fizeram e outras que fazem parte da minha vida, além de situações e momentos que foram importantes.
live-music-bgComo qualquer situação subjetiva, nada é 100% verdadeiro. Afinal de contas, a memória é algo que precisa ser ‘estimulada’. A música é um bom elemento para isto, mas ela também pode nos enganar.
De qualquer forma, em setembro de 2005, minha viagem musical resultou em 50 canções. O tempo passou e revendo a lista, percebi que, para a lista ter validade, ela precisava ser real. Eu precisa mostrar as canções reais e não aquelas que são ‘bacanas’ pelo senso comum. Emoção não tem filtro. Não pode pensar ‘nossa, mas isto é muito cafona’! É óbvio que a emoção passa pelo cafona – na realidade, dependendo do ponto de vista, qualquer emoção é cafona! Portanto, não pode se preocupar com isto. Em 2010, fiz uma revisão e a lista se ampliou para 63, afinal de contas, o tempo passou e muita coisa aconteceu na minha vida. Curiosamente, desde 2006, nenhuma canção me marcou… Será que estou ficando velho ou certas coisas não tem mais tamanha importância?
Tem uma questão chata, porém, importante. Canções lembram momentos e pessoas. Seja pela morte, rompimento, decepção, pessoas saem de nossa vida. É a lei da vida. Mas, para me manter honesto comigo mesmo, eu preciso deixar a canção – mesmo que, hoje, talvez, ela deixe de ter tanta importância. Enfim… Vamos lá:

1. Meu mundo caiu (Maysa) – Minha mãe é muito musical. Cresci ouvindo-a cantar uma infinidade de canções dos anos 50. Esta é uma de suas preferidas.
2. Me Dê Motivos (Tim Maia) – Depois de dois casamentos complicados (bom, do segundo teve uma coisa boa… Eu!), minha mãe encontrou a felicidade emocional no terceiro, com o Geraldo. Eles adoravam esta canção… Assim, na minha cabeça, ela representa um grande momento de felicidade de minha mãe.
3. Theme from Mahogany (Do you know where you’re going to) (Diana Ross) – Perdas… Principalmente pela morte. Sempre quando alguém próximo morre, sinto vontade de ouvia-la.
4. Hot Stuff (Donna Summer) – Fui uma criança com vontade de dançar numa pista de dança… Mas criança quando a Disco Music existiu!
5. Nosso Estranho Amor (Marina Lima) – Minha lembrança desta música remete a uma novela chamada “Plumas & Paetês”, de 1979, que se passava no universo da moda… Jamais imaginei que fosse trabalhar com isto!

  1. Aquarius (Ren Woods) – Vi “Hair” na TV Bandeirantes. Não lembro o ano… Mas fiquei impressionado. Precisei comprar o Álbum Duplo de Vinil. A trilha sonora era espetacular, mas a imagem de Ren Woods, no Central Park, com flor no cabelo black power, ficou na minha cabeça. Sem contar que, adoro a filosofia “paz e amor” da contracultura do final dos anos 60.
  2. And I Am Telling You I’m Not Going (Jennifer Holliday) – Anos 80… Adolescente, gay e confuso se encanta com a voz de uma cantora poderosa, que grita aos quatro cantos seu direito de não ser abandonada. Adorava um drama!
  3. Eu queria ter uma bomba (Cazuza) – Anos 80… Comecei a entender minha sexualidade quando ouvi Cazuza.
  4. Decadence Avec Elegance (Lobão) – Anos 80… A rebeldia gritava em minhas veias e Lobão cantava aquilo que queria dizer. Quando ele foi preso, apesar de indignado, minha admiração só aumentou.
  5. Sweet Dreams (Are made of this) (Eurythmics) – Anos 80… A canção é um abuso. O clipe idem. Até hoje eu me emociono, pois a canção eletrônica estava gritando! E eu não imaginava o quanto ficaria contaminado. E para completar, eu amo Annie Lennox!
  1. Veneno (Marina Lima) – Anos 80… Eu me apaixonei por um colega de classe, que nem sabia da minha existência…
  2. Esse seu jeito sexy de ser (Sempre Livre) – Anos 80… Eu era “tão” apaixonado pelo primeiro, que logo me apaixonei por um segundo. Tudo platônico, of course!
  3. Walk on the wild side (Lou Reed) – 1983… Quando estreou o filme “Querelle”, de Rainer Warner Fassbinder, conheci Jean Genet… Depois Lou Reed… Entendi que o caminho não seria fácil – mas igualmente saboroso.
  4. Borderline (Madonna) – 1984… Meu caso de amor por Madonna começou a partir desta canção. Depois que minha amiga, Tocco, contou que é sua canção preferida, ela ganhou duplo significado.
  5. Sem Pecado Sem Juízo (Baby Consuelo) – 1985… Primeiro Beijo – intenso e caloroso. Num banheiro de um bar gay em Piracicaba. Lembro que o apelido dele era Amarelo (pode?).
  1. Small Town Boy (Bronsky Beat) – 1985… Primeira vez que pisei numa boate gay: Bub’s. Era um cubículo no centro de Campinas.
  2. Viajante (Ney Matogrosso) – Quando descobri Ney Matogrosso… Ousado, abusado, criativo e assumidamente gay! Tudo o que eu precisava conhecer!
  3. Atrás da Porta (Elis Regina) – 1987… Remete a um dia muito emocionante… Na época da PUC, minhas amigas, Elaine, Carmen e Márcia fizeram uma festa surpresa. Na trilha-sonora, a voz de Elis. Chorei muito. A partir desta data, anualmente celebro meu aniversário com festa. Tive uma certeza: dia do aniversário é para celebrar o seu nascimento! E não para se preocupar com sua idade!
  4. Someone to watch over me (Roberta Flack) – 1987… Canção de George Gershwin que tocava num filme policial com a estética visual da década. O jazz entrou em minha vida e jamais me abandonou. Anos depois, pesquisei e encontrei diversas versão antigas da canção lançada em 1926.
  5. Pense Dance (Barão Vermelho) -1988… Tema da vilã Maria de Fátima (Gloria Pires) na novela Vale Tudo. Marcou também o “Grupo do Veneno” da PUC, quando éramos populares… Lembro o quanto aquilo foi importante para minha formação!
  1. Paradise (Sade) – 1988… Escolher apenas uma música desta cantora é difícil. Esta era a canção-tema internacional da Maria de Fátima (Gloria Pires), da novela “Vale Tudo”… Mesmos motivos citados anteriormente.
  2. Proud Mary (Tina Turner) – Assisti ao show de Tina no gramado do Pacaembu, em 1988. Foi o primeiro show de uma estrela internacional que assistia ao vivo. E ir ao show foi outro momento… Sem conhecer o caminho, fui sozinho… Na cara e na coragem… Aos 21 anos, eu tive a certeza de uma coisa: você pode fazer tudo o que tem vontade… Só precisa ser ousado – e dinheiro, né?
  3. Escrito nas Estrelas (Tetê Espindola) – 1989… Foi no Tênis Clube que conheci a Ludmila, que vivia cantando e encantando!
  4. You´re the first, the last, my everything (Barry White) – Ainda sobre a Ludmila… Ela adora este cantor. Qualquer canção dele… Evoca lembrança da minha querida amiga.
  5. Twist and Shout (Beatles) – 1989… Quando João Paulo (filho da Ludmila) era criança… Éramos fãs do filme “Curtindo A Vida Adoidado”, que usava a antiga canção dos Beatles na cena final. Cada vez que ouvíamos a canção, começávamos dançar enlouquecidos – provocando a ira da Marilene…
  1. La Vie Rose (Grace Jones) – 1989… Além da Ludmila, o Tênis me apresentou outro amigo, o Roberto. Ele adorava esta música. Foi uma amizade com prazo de validade!
  2. Mandika (Sinead O´Connor) – 1989… A primeira imagem desta irlandesa foi na sua apresentação no Grammy. Ela usava jeans rasgados, top preto, coturno e tatuagem na cabeça raspada – parecia uma ex-presidiária. Parou a festa! O povo ficou bege. Adorei… Entendi uma verdade: ser mais ‘um’ não tem a menor graça!
  3. Victims (Culture Club) – Esta música era uma das preferidas do meu inesquecível amigo, Sérgio. No trágico fim de sua vida… Ele também foi uma vítima!
  4. Vogue (Madonna) – 1990… Momento pista de dança noutra boate gay, Sintonia Bar. E todo mundo queria dançar igual o clipe…
  5. Go West (Pet Shop Boys) – 1993… Outro hino gay. Lembra minha distante amiga Lisete Veiga… Companheira semanal de sessões de cinema durante alguns anos!
  1. Call Me (Chris Montez) -1992… A canção dos anos 60 foi o tema da Heloisa (Claudia Abreu), na minissérie Anos Rebeldes. Um ano depois, conheci minha amiga, Marta – que também adorava!
  2. Doce Veneno (Nana Caymmi) – 1993… Esta canção tem dois significados: o já citado Sérgio me “apresentou” a esta cantora maravilhosa. Em seguida, surgiu meu primeiro namorado, o Marcelo Borges.
  3. La Habanera (Maria Callas) – 1993…. Através do Marcelo, descobri uma grande paixão: a ópera Carmen, de Bizet.
  4. Erótica (Madonna) – 1993… Canção que eternizou o primeiro show que assisti de Madonna, no Morumbi, em Outubro daquele ano.
  5. Kosmic Blues (Janis Joplin) – 1994… Aquelas coisas, né? Quando Janis morreu, eu tinha dois anos… Nem cresci ouvindo… Mas, graças aos meus amigos, Sandra e Sérgio, Janis entrou no meu universo. Ela me inspirou a escrever um conto.
  6. Trilha Sonora do filme Betti Blue ( Maurice Jarre) – 1995… O filme é de 1986 e eu o “redescobri”, graças a minha amiga Sandra, que se identificou totalmente com a Betti Blue… Copiei o cd numa fita K7.
  1. Missing (Everything But The Girl) – 1994… Eu e Marta ralando numa produção de um média-metragem em São Sebastião,.. E a sucessão de situações absurdas que vivemos… E nos ensinaram muito!
  2. You ought know (Alanis Morissette) -1995… Outra canção que marcou minha relação com a Marta… E também minha primeira campanha política. E… E eu virei um produtor!
  3. Fire Up (Funky Green Dogs) – 1996… Momento jogação na pista da The Club, ao lado dos amigos Juliano e do João Carlos.
  4. You Got It (Bonnie Raitt) – 1997… Graças a Ally McBeal, descobri minha canção-tema…
  5. Believe (Cher) – 1998… “Barbies on Fire”, Gelayah Jackson e Nyarchas.
  1. It´s Oh… So Quiet (Bjork) – Apresentei esta canção num show no GAPA, em São Paulo, ao lado de um namoradinho, Dagoberto, que me fez chorar muito na separação!
  2. Criminal (Fiona Apple) – Apresentação de Barbies On Fire no apartamento da Sandra, no Cambuí.
  3. Violet (Hole) – 1998… Barbies On Fire num momento roqueiro… Juliano se jogando numa das festas do Guará…
  4. One Night in Heaven (M People) – 1998… Outro momento das festas no Guará… Auge de Nyarchas… É a cara do Marcos!
  5. Hunter (Bjork) – 1999… Marcou uma longa fase de solidão e seus tristes atenuantes… Quando furtaram dois relógios de pulso… Bad vibes!
  1. History Repeating… (Properheads Feat. Shirley Bassey) – 1999… Minha festa de 32 anos na casa da “morta”… Lista de convidados… Lotação total… Show… E minha mãe aplaudindo tudo.
  2. Nobody´s Supposed to be here (Deborah Cox) – 1999… Jogação na pista da The Club… Um amigo que conheci na militância adorava.
  3. Chão de Giz (Elba Ramalho) – 1999… Deliciosas tardes de domingo na casa do João Paulo (que adorava a canção)… Os deliciosos almoços… Os primeiros (e intermináveis) desfiles de Barbies… Tudo era festa!
  4. Out of Control (The Chemical Brothers) – 1999… Desfiles das coleções para as barbies ganharam novo cenário: o apê da Gabi e da Mona. Virou atração pública…
  5. Folhetim (Gal Costa) – 1999… Unicamp… O Drama é Meu… Uma galera disposta a estudar cinema… Monalisa, Rodrigo, Paulo Reis, Camilinha… E ainda Gabi!
  6. A Woman’s Got The Power (Jennifer Holliday) – 2000… Outro momento pista da The Club, ao lado do Juliano e do João Carlos. Eu fazia até performance, me jogando no chão… E eles eram obrigados a me segurar…
  1. Lovely Head (Goldfrapp) – 2001… Para acalmar minha ansiedade, ouvi esta canção umas 200 vezes naquele ano!
  2. Sexercise (Altar feat. Katrina K) – 2003… Militância… Sede na 11 de agosto… Janaína Lima…
  3. Proud (Heather Small) – 2003… Queer As Folk… Grupo Identidade… Militância…
  4. Sympathy for a Devil (Rolling Stones) – 2003… Canção tema da vilã Laura Prudente da Costa (Claudia Abreu) na novela “Celebridade”. Marcou a fase ‘Marcelovilão’ da Militância!
  5. Hope There’s Someone (Antony and The Johnson) – 2004… Este excepcional grupo entrou na minha vida numa das tardes com muito trabalho na sede do Grupo Identidade. Dividi esta paixão com uma pessoa muito querida, que me apoiava muito na época, o Marcelo Silva.
  1. The Blower’s Daughter (Damien Rice) – 2004… Em setembro conheci o amor da minha vida, Flávio Casagrande.
  2. Meus Primeiros Erros (Capital Inicial) – 2004… Música preferida do meu gatinho lindo e loiro.
  3. More More More (Andréa True Connection) – 2004… Quem diria que um remake (a original é de 1967) da era disco fecharia o último episódio de “Sex And The City”, na TV? Em fevereiro, ano seguinte, o primeiro presente de aniversário que ganhei do Flávio foi a caixa com as seis temporadas da série.
  4. Meu Nome é Zezé (Zezé Motta) – 2005… Comprei o ‘Zezé: Muito Prazer’ na livraria do Poupatempo do Campinas Shopping. Li tantas vezes que acho que decorei uns trechos. Eu já adorava Zezé desde o filme ‘Xica da Silva’, que virou tema de um trabalho no curso sobre ‘Negros no Cinema Nacional’, que fiz quando era aluno especial no Multimeios, na Unicamp. Depois do livro, redescobri sua musicografia e essa canção se tornou meu tema para todas as manhãs que sai de carro daquele ano.

  5. Caso Sério (Rita Lee) – 2006… Este clássico da Rita Lee marcou um belo final de semana de fevereiro daquele ano, ao lado do Flávio. Clima de lua-de-mel eterno.
    63 Jump (Madonna) – 2006… Depois de um longo inverno, finalmente a moda entra na minha vida definitivamente. Revista Residenciais… MONDO MODA…

  1. Seven Wonders (Fleetwood Mac) – 2013… Canção antiga que entrou na terceira temporada de American Horror Story: Coven, redescobri o quanto Stevie Nicks era incrível. Uma feiticeira. Tenho certeza!

  2. The Skye Boat Song (Kathryn Jones) – 2015. O tema de abertura da série Outlander ficará na minha memória, pois me causou um impacto. O clima da série… A dança dos druidas… Caitriona Balfe… Sam Heugh… Não sei explicar me fascínio.
    (Lista produzida em setembro de 2005 – Revisada em novembro de 2011 e em janeiro de 2017)