Revisitando os anos 90 | Madonna e Whitney Houston

O cenário da música pop dançante dos anos 90 foi dominado por duas rainhas: Madonna e Whitney Houston. Tiveram outras, como Mariah Carey, mas sua especialidade sempre foi a balada romântica com pegada R&B no qual poderia mostrar seus trinados de Soprano Dramático Coloratura que alcança 5,2 oitavas, que fascinam quanto incomodam na mesma medida.
Herdeiras das Divas da Disco Music, ambas conseguiram se manter em evidência durante a década, lançando trabalhos de qualidade, batendo recordes de vendas e lotando estádios no mundo todo – inclusive no Brasil.
Madonna

Madonna Vogue 1990 @ Reprodução
Madonna Vogue 1990 @ Reprodução

Madonna lançou ‘Vogue’ em 27 de março de 1990, com canção que encerra o álbum ‘I’m Breathless’, trilha sonora do filme ‘Dick Tracy’. Foi inspirada nas coreografias feitas por gays, negros e latinos das pistas de dança da ‘Casa do House’, no Harlem (tema do documentário ‘Paris Is Burning’, que chegou às telas em 13 de março daquele ano, ou seja, duas semanas antes do single), em especial nos passos de Jose Gutierezes Xtravaganza e Luis Xtravaganza. A coreografia foi criada para imitar as poses das modelos dos editoriais de moda, em especial da revista Vogue americana.
Com forte influência da disco music, Vogue citava nomes da Velha Hollywood, como Marilyn Monroe, Veronica Lake, Greta Garbo, Marlene Dietrich, Katharine Hepburn, Jean Harlom, Marlon Brando, James Dean, Laurenn Baccall.
Dirigido por David Fincher, o videoclipe é um celeiro de inspirações do movimento de Art Deco da década de 20, das obras da artista plástica polonesa Tamara de Lempicka e do fotógrafo alemão Horst P. Horst. Ele estreou na MTV em 29 de março e rapidamente arregimentou uma legião de fãs. Em 1999, a emissora colocou Vogue no segundo lugar entre as ‘100 Maiores Videoclipes Já Realizados’, perdendo para ‘Thriller’ de Michael Jackson.

Em novembro de 1990, ela lançou ‘The Immaculate Collection’, com os singles remixados de 1983 a 1990, além de duas novas canções ‘Justify My Love’ e ‘Rescue Me’. O álbum vende históricos 30 milhões de cópias.
‘Justify My Love’ é um trip hop escrito em parceria com Lenny Kravitz e Ingrid Chavez, com fartas doses de sensualidade. Dirigido por Jean-Baptiste Mondino, o videoclipe é uma homenagem a atriz Jeanne Moreau no filme francês ‘La Baie des Anges’ e faz referências aos filmes europeus dos anos 60, numa clima de voyeurismo, bissexualidade e sadomasoquismo, que chocou os conservadores da época.
Lançado em 03 de dezembro de 1990 durante o programa Nightline, da ABC, ele foi banido pela MTV. Na época, ele foi lançado num VHS, que se tornou um sucesso de venda. Foi a primeira vez que um artista lançava um único vídeo nesse formato.

No embalo da polêmica, em outubro de 1992, Madonna lança o livro ‘Sex’ e o álbum ‘Erotica’. O livro de fotos assinadas por Steven Meisel e quadros de filmes por Fabien Baron. Ele se transformou na grande polêmica internacional do ano, graças ao seu alto teor erótico claramente sadomasoquista e flertando com o pornográfico. Com participações especiais da modelo Naomi Campbell, da atriz Isabella Rossellini, Apesar das críticas conservadoras, dos grupos feministas contra a pornografia e do valor (U$ 50), ele vendeu 1,5 milhões de cópias. Mesmo assim, ele se tornou um cult na comunidade gay.
‘Erotica’ destacou seis singles, entre eles ‘Erotica’, ‘Fever’ e ‘Deeper and Depper’, que viram hits nas pistas. O Sucesso de crítica, mas também detonado pelos conservadores, o álbum vendeu sete milhões de cópias em todo mundo, considerado, até então, o menos vendido de sua carreira. Mesmo assim, ele rendeu ‘The Girlie Show World Tour, que começou sua trajetória em setembro de 1993 no Wembley Stadium, em Londres.
Em 03 de novembro, pela primeira vez, Madonna se apresenta no Brasil, com dois shows, o primeiro no Estádio do Morumbi, em São Paulo e três dias depois no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Deixando de lado a fase provocativa, ‘Bedtime Stories’ chegou em 1994 como um álbum pop com elementos do R&B contemporâneo. Entre os singles dançantes, ‘Human Nature’, um confessional desabafo contra as críticas ao livro Sex e ‘Bedtime Story’, escrito em parceria com a cantora Bjork, que resultou num incrível videoclipe dirigido por Mark Romanek.

No ano seguinte, ela lançou ‘Something to Remember’, um álbum de baladas novas e antigas, como uma versão de ‘Love Don’t Live Here Anymore’. Não teve hits dançantes, mas vendeu 10 milhões de cópias.
Entre 1995 e 1996, ela centrou energias para estrelar a versão do musical da Broadway, ‘Evita’. Com intensas aulas de vocal, ela surpreendeu pela excelente interpretação das canções num filme chato e longo. Mesmo assim, ela ganhou um inacreditável Globo de Ouro de Melhor de Melhor Atriz (oi?) de Comédia/Musical. A trilha sonora também não tem hits dançantes.
De volta ao estúdio, lançou em 1998 ‘Ray of Light’. Definido pela crítica como seu melhor álbum da década, ele foi produzido com maestria pelo inglês William Orbit, que o transformou num trabalho forte, maduro e contemporâneo. Resultado: três Grammys como Melhor Álbum Pop, Gravação Dance e Melhor Videoclipe para a canção título ‘Ray of Light’ e seis prêmios no VMA’s 98, incluindo Vídeo do Ano.
Outros singles dançantes foram ‘Nothing Really Matters’, ‘Sky Fits Heaven’, ‘Skin’ e os remixes de ‘Frozen’.

Whitney

Whitney Houston It's Not Right, But it's ok @ YouTube
Whitney Houston It’s Not Right, But it’s ok @ YouTube

Whitney Houston lançou ‘I’m Your Baby Tonight’ em novembro de 1990, destacando a canção título, que se tornou um sucesso das pistas, principalmente pelos remixes. O mesmo aconteceu com ‘My Name is Not Susan’, um pop com pegada no rap dos anos 80 que se transformou numa ótima canção nas versões remixadas.

Em novembro de 1992, o mundo seria tomado pela trilha sonora do filme ‘O Guarda-Costas/The Bodyguard’, estrelado por Whitney e Kevin Costner. Surpreende sucesso de vendas, o álbum figura em quarto lugar como o mais vendido da história com 44 milhões de cópias – é a trilha sonora de um filme mais vendida.
Ela interpreta seis das canções, incluindo as dançantes I’m Every Woman’ e ‘Queen of the Night’. A balada ‘I Will Always Loving You’, lançada originalmente pela cantora country Dolly Parton em 1973, rendeu 16 prêmios internacionais, incluindo o Grammy, Billboard, American Music Award, VMA, MTV Movie Award e People’s Choice.
Passada a avalanche ‘Bodyguard’, Whitney voltará às telas com a comédia romântica ‘Falando de Amor’ em 1995. Na trilha sonora, ela interpreta duas baladas.

Ela voltará ás pistas em 1996 com a canção ‘Step by Step’, da trilha sonora do filme ‘The Preacher’s Wife’, composta por Annie Lennox, que tem vocais não creditados no videoclipe.

Em 1998, Whitney lança o álbum ‘My Love Is Your Love’. A canção de abertura ‘It’s Not Right, But’s It’s Ok’ era uma canção do neo-R&B que surgiu no final da década. Era bonitinha… Mas, quando ganhou um remix de Thunderpuss, ela bomba nas rádios e nas pistas de dança, tornando-se um Hino da comunidade gay. O remix foi tão poderoso que entrou na coletânea lançada pela cantora em 2000 ‘Whitney: The Greatest Hits’. Oficialmente, a canção ganhou 12 versões remixadas – fora as não creditadas.

As outras baladas ‘Heartbreak Hotel’, ‘My Love Is Your Love’ e ‘I Learned from the Best também ganharam remixes que dominaram as pistas.
‘It’s Not Right…” inaugurou uma fase que ficou conhecida como ‘Bate Cabelo’, no qual, nos shows de drag queens, as artistas se ‘jogavam’ em coreografias que desafiavam o lei da gravidade de suas perucas.

Com Whitney abrindo portas para um tipo específico de hit dançante, voltaram às pistas, cantoras do passado, como Jennifer Holliday (A Woman’s Got The Power e Think it Over), Loleatta Holloway (You Burnin Me Up), Jocelyn Brown (Believe), Pepper Mashay (Dive in a Pool e I Got My Pride), Martha Wash (Keep on Jumpin, Catch the Light, Lister to the People, Somethin’ Goin On), Taylor Dayne (Naked Without You), Cher (Believe, All or Nothing e Strong Enough) e Gloria Estefan (Heaven’s What I Feel e Don’t Let This Moment End). Entre as novatas, Deborah Cox (Nobody’s Supposed To Be e Things Ain’t the Same) chamou atenção.

Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira

Jorge Marcelo Oliveira @ Selfie
Jorge Marcelo Oliveira @ Selfie

Um comentário

  1. Amei!!! Quanto ao The Girlie Show World Tour em setembro de 1993 em Londres é ótimo saber que foi a abertura da turnê, pois eu estava lá… 😉

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