Crítica: HBO surpreende com a minissérie Big Little Lies

Sabe quando você se interessa por um filme, série ou minissérie unicamente pelo nome dos atores envolvidos? Pois bem. A primeira vista, Big Little Lies foi assim. Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Shailene Woodley, Laura Dern e Alexander Skarsgard reunidos numa estória baseada num livro de sucesso, descrito como “dramédia”, numa versão atualizada da série ‘Desperate Housewives’.

Big Litlle Lies @ divulgação

Claro que fiquei empolgado, mas fiquei com o pé atrás. Logo no primeiro capítulo, porém, surgiu uma curiosa estória de disputa de território envolvendo mães envolvidas em rotinas com maridos, ex-maridos e filhos. Acrescida com farta dose de segredos, mentiras e falsidade.
Na cena chave do episódio, na saída do primeiro dia de volta às aulas, um incidente: uma das crianças (filha de Renata Klein, uma das Abelhas Rainhas do local) revela que foi agredida. Aponta para um garoto que acabou de chegar à cidade com a mãe (Jane Chapman) jovem e solteira. Elo mais fraco da comunidade. Desconhecida e, visivelmente, não é rica quanto às outras. Porém, pouco antes, ela ajudou outra Abelha Rainha, Madeline (numa excelente composição de Reese, que poderia ser classificada como sua “redenção” depois daquele questionável Oscar de Melhor Atriz em 2006). Desta forma, torna-se sua protegida.
A guerra é declarada entre duas das principais figuras do local: Renata e Madeleine. Cada uma vai usar suas armas para atacar a outra. É disputa de território. Sabe coisa de gang? Então, é a mesma coisa – só que com outro tipo de personagem, cenário e armas.
O quarto elemento é a linda, loira, alta e sexy Celeste Wright (Nicole Kidman). Mãe de gêmeos, é casada com um homem com seus mesmos atributos físicos (Alexander Skarsgard, o eterno vampiro Eric da série True Blood). É o casal mais comentado, admirável e invejável.

Big Litlle Lies @ Getty

O primeiro episódio também é intercalado com a revelação de um assassinato numa festa, que acontecerá mais tarde. Personagens secundários são chamados para depor. Relevam muita inveja, despeito e toda a sorte de preconceitos em relação às quatro mulheres, principalmente porque são ricas, bonitas e, aparentemente, felizes.
O primeiro episódio já me conquistou. O mesmo aconteceu com os próximos, que mantém sua qualidade ao desnudar o “lado real” dessas pessoas, principalmente a relação violenta do lindo casal de loiros, donos de ousadas e realísticas cenas de sexo e agressão. Nicole Kidman tem um papel ousado, com direito a mostrar muita ‘pele’.
Ai… Chegamos ao sétimo (e derradeiro) episódio. Confesso que fiquei alguns minutos digerindo cada detalhe da excepcional sequência final. Pouco antes, quando foi sendo montada, até me ocorreu que pudesse acontecer, mas achei que seria muita ousadia. Pois bem… Eu acertei, mas mesmo assim, me surpreendi pela forma que foi feita.
Lembro-me daquela época, que terminou há uns 20 anos, quando Hollywood fazia filme de gente grande graças aos roteiros de qualidade. Pois é.
A minissérie Big Little Lies bebeu nessa fonte para desnudar nuances dos relacionamentos entre mulheres, que transitam de pequenos jogos do poder e domínio, ao crucial momento de sororidade. Elenco feminino em seu melhor momento.
Foi um tipo ‘final feliz”, mas bem questionável. Chocante, mas perfeitamente compreensível.