Jack Nicholson completa 80 anos

Ao lado de Daniel Day-Lewis, Jack Nicholson é meu ator preferido. Eles têm alguns pontos em comum: ambos são taurinos e são donos de três Oscars (a diferença é que Daniel ganhou todos como protagonista e Jack um como coadjuvante). O primeiro é um camaleão – seria uma versão masculina e irlandesa de Meryl Street. O segundo tem uma intensa persona cinematográfica – irônica, debochada e selvagem – que conseguiu transformar em qualidade para dezenas de atuações memoráveis. Mas o assunto aqui é Jack… Completará 80 anos no sábado, 22 de abril.

Jack Nicholson @ Reprodução

Nascido em 22 de abril de 1937, em Neptune, Nova Jersey, ele cresceu em Manasquan, no litoral do estado, acreditando que seus pais eram John e Ethel May Nicholson. Ele também acreditava que sua irmã mais velha era June Nicholson, que morreu em 1963 de câncer, quando Jack tinha 26 anos.
Após mais de uma década da morte da irmã, em 1974, um repórter da revista Time, que pesquisava a vida de Nicholson, descobriu que June era, na verdade, sua mãe, e Ethel May e John seus avós. A garota engravidou 17 anos. Sem saber direito quem era o pai, Jack, Ethel e John concordaram em criar Jack como filho, mantendo o segredo. Anos depois, um dos ex-namorados de June, Don Furcillo-Rose, declarou ser o pai de Jack, mas Nicholson decidiu não fazer o teste de paternidade. Apesar disto, ele contou que essa revelação não causou nenhum trauma.
Ele se casou em 1962 com a atriz Sandra Knight e tiveram uma filha, Jennifer. Eles se divorciaram em 1968. Em 1970, a atriz Susan Anspach revelou que ele seria o pai de Caleb Goddard. Jack não concordou, mas também não se preocupou em fazer qualquer teste de DNA.

Jack Nicholson em ‘A Última Missão’, 1973 @ Academy Film Archive

Entre 1973 e 1990, ele namorou Anjelica Houston. Apesar de badalados pela imprensa, ele não fazia questão de esconder que tinha dezenas de amantes, entre elas, a modelo Rebecca Broussard, que se tornou o ponto final do relacionamento com Anjelica. Eles tiveram dois filhos, Lorraine e Raymond. O namoro durou cinco anos. De 1999 a 2000, ele namorou Lara Flynn Boyle (que fazia sucesso na época pelo papel na série de TV ‘O Desafio’). Desde, então, ele fechou as portas de sua vida privada.

Jack Nicholson Chinatown (1974) @ Reprodução

Nicholson teve notas boas para entrar na Universidade, mas lhe faltou interesse. “Eu não tinha grandes desejos por nada naquela época. Então, como eu tinha só 16 anos, imaginei que teria mais muito tempo para ir para a Universidade mais tarde. Aí, eu fiquei por Jersey por mais ou menos um ano. Fiz um pouco de dinheiro com corridas de cavalo e trabalhei como salva-vidas na praia por um verão”, diz o ator.
Em 1954, ele se mudou para Los Angeles, Califórnia, onde June, a mãe/irmã tinha um apartamento. Lá ele trabalhava meio período em uma loja de brinquedos e também como um bichinho no departamento de animação dos estúdios da MGM. Nessa época, Nicholson se tornou um jovem atraente e despertou interesse no produtor da MGM, Joe Pasternak, que o ajudou a entrar no curso de atuação e atuação de Jeff Corey.

Sua estreia aconteceu em 1958, com o filme de baixo orçamento The Cry Baby Killer, no papel de um adolescente que acredita erroneamente que cometeu um assassinato. Depois, apareceu em filmes de terror de baixo orçamento, como A Loja dos Horrores (1960), Sombra do Terror (1963), Guerrilheiros do Pacífico (1964), A Vingança de um Pistoleiro (1965) e Disparo para Matar (1966). Foram 19 filmes completamente dispensáveis.

A mudança de rumo aconteceu com o papel do advogado alcoólatra George Hanson, no clássico ‘Sem Destino (1969)’. Seu personagem virou um sucesso e ele foi indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante. Em 1970, Jack estrelou ‘Cada um vive como quer’, um sucesso de público, no qual ele vive um problemático ex-músico prodígio. Novamente, ele recebeu nova indicação ao Oscar, dessa vez como protagonista. Em 1973, ele interpretou um oficial naval profano na comédia A Última Missão (1973), o que o valeu novamente uma indicação ao Oscar de melhor ator.
Em 1974, Nicholson interpretou o detetive particular Jake Gittes no filme ‘neo-noir’ ‘Chinatown’, de Roman Polanski, ao lado de Faye Dunaway. O papel rendeu sua quarta indicação ao Oscar.

O prêmio (assim como um Globo de Ouro e um BAFTA) chegou em 1975 com o filme ‘Um Estranho no Ninho’, no papel de R.P. McMurphy, um condenado em uma instituição psiquiátrica. A partir daí, sua carreira deslanchou. Em 1980, ele interpretou Jack Torrance no clássico ‘O Iluminado’, baseado no romance homônimo de Stephen King, com direção mediúnica de Stanley Kublick. É uma atuação adorada pelos fãs e detestada pela crítica, que a considera ‘exagerada’ e ‘caricata’.

Jack Nicholson O Iluminado (1980) @ Reprodução

Porém, os anos 80 são marcados por excelentes atuações: ‘Reds (1981)’, dirigido pelo amigo Warren Beatty, ‘O Destino Bateu a Sua Porta (1981)’, ao lado de Jessica Lange, ‘Laços de Ternura (1983), ao lado de Shirley McLaine, levou o Oscar de Melhor Coadjuvante.
Em ‘A Honra do Poderoso Prizzi’, de 1985, ele é dirigido pelo grande John Huston, atuando ao lado de Kathleen Turner (uma das grandes estrelas da década) e Anjelica Huston (que levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante). Ano seguinte, esteve com Meryl Streep em ‘A Difícil Arte de Amar’.
Três ótimas atuações em 1987: ‘As Bruxas de Eastwick’, ao lado de Susan Sarandon, Cher e Michelle Pfeiffer, ‘Bastidores da Notícia’ e o melancólico ‘Ironweed’, com direção de Hector Babenco, novamente ao lado de Meryl – ambos foram indicados ao Oscar.

Jack Nicholson Batman (1989) @ Reprodução

Com o Curinga em ‘Batman’, de Tim Burton, de 1989, Jack se tornou o ator mais bem pago da história de Hollywood. Dispensando um grande cachê, negociou uma porcentagem na bilheteria. Resultado: o filme rendeu mais de 400 milhões de bilheteria mundial e Jack ganhou algo entre 60 a 90 milhões – valores que ninguém nunca soube ao certo. O papel também o revelou a uma nova geração – os netos dos seus primeiros fãs. Sobre o papel, ele revelou: ‘Eu considero (a atuação) parte da cultura pop’. De fato!

Jack Nicholson @ Reprodução

Na década seguinte, se destacou em ‘Questão de Honra (1992)’ e ‘Melhor é Impossível (1997)’, pelo qual recebeu seu terceiro Oscar. Em 1999, ele ganhou o prêmio honorário Cecil B. DeMille no Globo de Ouro.

Confissões de Schmidt (2002)’, ‘Alguém tem que Ceder (2003)’ e ‘Os Infiltrados (2006)’ são considerados suas últimas boas atuações. Depois, ele esteve em ‘Antes de Partir (2007)’, ‘Eu Ainda Estou Aqui’ e ‘Como você Sabe (2010)’, atuações consideradas ‘preguiçosas’. Claramente, o ator mostrava sinais de cansaço. Desde, então, não fez mais nada.

Jack Nicholson @ Reprodução

Há dois anos, surgiram boatos que estava num estado avançado de Alzheimer, que não foi comprovado. Alimentando ou não o boato, ele se manteve recluso em sua casa. Sumiu até das premiações ao Oscar, que sempre contavam com sua participação com seus conhecidos óculos solares.
No começo de 2017, foi anunciado que ele estará na versão americana da comédia alemã ‘Toni Eardman’ – indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em março passado. Até o momento, só se sabe que atuará ao lado da comediante Kristen Wiig, nada mais.

“Eu não sou nenhum deles e todos eles. Tem algo de mim, eu suponho, em cada personagem. Você pode atuar inserindo-se no personagem, principalmente se você ama atuar”, ele contou sobre se ele se parece com alguns dos personagens que interpretou.

(Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira)

Um comentário

  1. Adoro o personagem dele em Sem Destino. Sem dúvida um contraponto interessante aos protagonistas. Também adoro As Bruxas de Eastwick. Impagável e sedutor. Um grande ator.

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