Studio 54 definiu o conceito de cultura da noite

Studio 54 foi um lendário nightclub localizado na 54th West Street, em Manhattan, Nova York. Inaugurada em 26 de abril de 1977 (O filme ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ estrearia no final do ano), a discoteca foi um sucesso até 1980 – entre fechamentos e reaberturas, oficialmente, encerrou suas atividades em março de 1986.
O club foi ideia de um garoto do Queens, Steve Rubell, junto com um amigo, Ian Schrager, e a promoter peruana Carmem D’Alessio. Rubell era o maestro da noite. Em pé sobre o hidrante na calçada, ele selecionava quem poderia ou não ultrapassar seu cordão de veludo. Sem uma regra definida, só era vetada a entrada de ‘caretas’.
Produtor executivo, Schrader era o responsável pelas finanças e Carmem D’Alessio era responsável pela contratação dos go-go boys e bartenders, que atendiam a clientela com tudo o que fosse necessário – bebida, drogas, sexo…

Inauguração

No dia da inauguração, o título da manchete no jornal USA Today perguntava: “Studio 54, onde fica isso?”. Naquela manhã, a casa ainda era mais uma entre as dezenas de clubes que abriam e fechavam em Nova York. Por volta de 23h, quando os repórteres chegaram para a inauguração, a certeza o fracasso era grande. Eles viram a chegada de meia dúzia de pessoas que ficaram perdidas no espaço enorme e foram embora. Uma hora depois, foram chamados de volta por seus editores: o Studio 54 estava lotado! Frank Sinatra e Warren Beatty não conseguiram entrar.

Studio 54 Opening Night @ Reprodução

Em certo momento, o empurra-empurra da fila de entrada era tão grande, que as pessoas ficaram coladas umas às outras, que, para aproveitar melhor a situação, os homens resolveram colocar seus pênis para fora da calça e as mulheres os seios. O strip-tease e a esfregação na fila de entrada ganharam as capas de todos os jornais nova-iorquinos. Nascia uma lenda.

Studio 54 Brooke Shields aos 11 anos na inauguração @ Getty

Clientes

A socialite e ex-esposa de Mick Jagger, Bianca Jagger, a atriz Liza Minnelli, o artista Pop-Art Andy Warhol e os estilistas Halston e Calvin Klein lideravam o A-List. Eles brilhavam ao lado de Cher, Elizabeth Taylor, Grace Jones, Farrah Fawcett, Gina Lollobrigida, Gloria Swanson, Brooke Shields, Jackie Kennedy, Diana Vreeland, Truman Capote, Rod Stewart, Dolly Parton, Andy Warholl, Jerry Hall, Lauren Hutton, Iman, Debbie Harry, Margaux Hemingway, Paloma Picasso, Yves Saint Laurent, Gia Carangi, René Russo, Anjelica Huston e Divine. Falando em Divine…

Studio 54 Divine e Karl Lagerfeld @ Reprodução

Drag-queens eram muito bem recebidas no local, assim como Sally Lippman, uma senhora de 75 anos, apelidada de Disco Sally.

Studio 54 Sally Lippman or Disco Sally @ Reprodução

Estar na boate era uma questão de status, garantia fotos em colunas sociais e certeza que você ‘era alguém na fila do pão’.

Studio 54 Tina Turner @ Reprodução

Festas

O Studio 54 também se tornou famoso por suas festas inusitadas. Na homenagem ao estilista Halston (assídio na casa), o lugar se transformou numa pequena Pequim e os V.I.P. eram carregadas em liteiras. Para a festa de Dolly Parton foi recriada uma fazendinha, com porcos e ovelhas vivos.

Studio 54 Dolly Parton @ Reprodução

No aniversário de socialite (esposa de Mick Jagger de 1971 a 1979), Bianca Jagger, um homem pintado de purpurina prateada cavalgava um pônei, enquanto Bianca surgia como Lady Godiva.

No aniversário do italiano Valentino, foi instalada uma arena de circo com areia e sereias nos trapézios com figurinos emprestados de filmes de Fellini. O produtor Allan Car promoveu a première americana do filme ‘Grease – Nos Tempos da Brilhantina’ no club, com os clientes vestidos como adolescentes dos anos 50.

Studio 54 Première filme Grease – Olivia Newton-John e Allan Car – Grace Jones ao fundo (1978) @ Reprodução

No aniversário de Carmen D’Alessio, uma brigada dos Hell’s Angels acelerava suas motos NA PISTA. Na festa para Elizabeth Taylor em 1978, o bolo era um enorme retrato da atriz. O primeiro corte foi na reprodução dos enormes seios da atriz.

Studio 54 Elizabeth Taylor @ Reprodução

Música

Auge da Disco Music, Gloria Gaynor, Donna Summer, Sylvester, Sister Sledge, Evelyn Champagne King, Diana Ross, Alicia Bridge, Village People, entre outros lançavam músicas para se jogar sob a luz estrobo, junto à decoração em néon com o totem da lua cheirando uma colher de cocaína, que subia e descia na pista.

Studio 54 Grace Jones @ Ron Galella

Dress-code

Auge da Disco Music, os macacões de Halston, o ‘Wrap Dress’ de Diane Von Fursterberg e os ‘terninhos’ Calvin Klein, eram alguns dos preferidos ao lado da profusão de sintéticos, brilhos, plumas e paêtes. Para os mais ‘soltos’, ‘não usar nada’ também era permitido.

Studio 54 Dress Code @ Reprodução

Sexo

Hétero, gay, bissexual e curioso. Não havia definição ou regras. No ‘coach’ do porão, celebridades se misturam com desconhecidos para rir, conversar, contar sobre o novos projetos, beber e… Trocar fluídos corporais! Valia usar os balcões dos bares, as escadas de incêndio… Não tinha tempo quente! Neste espaço, a imprensa era proibida de entrar.

Studio 54 Busboys @ Reprodução

Os rapazes do bar faziam às vezes de go-go boys, dançando ao entregar as bebidas e ganhando todo tipo de ‘pagamento’.

Drogas

A cocaína era o conceito do Studio 54 – definindo o final dos anos 70 e a década de 80. No restrito porão, ela era comprada livremente. Andy Warhol não cheirava cocaína: consumia speed. O ecstasy, na época, era conhecido por MDMA. Outras drogas populares eram o angel dust (hoje Special K), o quaalude (potente anfetamina – que Rubell distribuía na chegada) e os poppers – o ar do clube ficava impregnado pelo aroma no final da noite. As reuniões de diretoria do Studio 54 eram defumadas com um baseado gigante, da mais legítima “kaya” jamaicana.

Studio 54 Diana Ross (1980) @ Reprodução

Certa noite, ‘toda calibrada’, Diana Ross foi cantar na cabine do DJ. Começou: “I’m coming out…” e… Caiu pra trás… Desmaiou! A foto varreu o mundo.

Fim de festa

A festa parecia sem fim. Até que o fisco norte-americano entrou em cena. No dia 14 de dezembro de 78, trinta agentes entraram no clube e encontraram no porão sacos de lixo cheios de dinheiro, cocaína e notas fiscais. Estimava-se que o Studio 54 gerava US$ 70 mil por noite e que seus donos já haviam sonegado US$ 2,5 milhões.
Rubell e Schrager foram presos, pagaram fiança de US$ 50 mil cada e saíram no dia seguinte. A casa permaneceu aberta. Em janeiro de 1980, porém, eles foram condenados a três anos e meio de prisão. No dia 2 de fevereiro, o clube fechou, com Liza Minelli cantando “New York, New York” na festa de despedida. Foi o canto do cisne da era disco. A casa voltaria a abrir e fechar, no mesmo ritmo, até 1986.

Studio 54 Pista @ Reprodução

Filme

Em 1998 foi lançado ‘Studio 54’, com direção do desconhecido Mark Christopher e estrelado por Ryan Philippe, Salma Hayek, Mike Myers, Neve Campbell, Sela Ward. Apesar de alguns defeitos, o filme contava a estória de um bonito rapaz do subúrbio de Nova York, que foi contratado para trabalhar como garçom no Studio 54. Sua vida se transformou quando começa a servir bebidas, drogas e sexo para as clientes famosas. Ele experimenta o que seria os primeiros conceitos sobre o que era uma celebridade instantânea.

Legado

‘Até Que Enfim é Sexta-feira’ é o título de um filme de 1978 que define a importância do Studio 54 no imaginário popular. Definiu um conceito cultural da preocupação de ‘se vestir para jogar na noite’, como a roupa ganhando um status de diferenciador social. O antigo ‘roupa para a missa de domingo’ ganhou uma versão alternativa para ‘roupa para a balada’.
Além disso, Studio 54 celebrou o conceito da ‘balada’, ‘sair para dançar’ ou qualquer outra representação desse tipo de evento que aconteceria nas sextas ou sábados – tanto nas grandes capitais quanto nas cidades do interior.
A palavra Discoteca ganhou o mundo. Renomeado como Danceteria na década seguinte. Nos últimos anos, porém, Club define o lugar com pista de dança, DJ, luzes, refletores, espelhos, bares, bebidas e diversão.
(Fonte: Blog Simão Pessoa / Wikipedia)


4 comentários

  1. Passei a gostar mais desse clube “efêmero” através do filme de nome homônimo e sua trilha sonora…adorei a matéria! bjo

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