Sobre Moda, Arte e Fotografia

Fernando Consoni @ Facebook

Artigo assinado pelo arquiteto Fernando Consoni – Especial para o MONDO MODA

Quando era criança, minha mãe me tolhia de escolher determinada roupa alegando que “era só moda” e depois eu enjoaria. O mesmo acontecia quando afirmava (ao lado de meu pai) que determinado móvel era bom porque duraria para o resto da vida.
Na época, eu pensava: ‘Olhar para mesma cômoda a vida inteira… Sentar no mesmo sofá? Que coisa chata, né?’
Não defendo a efemeridade dos objetos – móveis com qualidade são essenciais, assim como as roupas. Mas, convenhamos: a vida muda. Nossa maneira de viver muda, assim como os gostos mudam. Sendo assim: ‘Por que nossa roupa e casa devem durar para sempre? E pior: por que precisam serem iguais?’

Tendência

Moda, arte e arquitetura datam a história através da tradução do comportamento. Essas adaptações exprimem nosso comportamento que está em constante mudança durante a vida e se comunica na maneira como vestimos e vivemos.
Moda é comportamento, portanto não há nada errado em se expressar na maneira como se vestir. Afinal, ela também é discurso.
Os Bureaus de Tendência estudam o comportamento das pessoas nas áreas de criação. Esses estudos do comportamento geram aquilo que conhecemos como Tendência, que criará uma demanda e se tornará o que chamamos ‘está na moda’.

Moda = modus = mode.

Fashion = factio = façon

Decoração

Na decoração, uma pergunta que sempre aparece é: Arte é Moda? Não. Quer dizer, ‘não exatamente’. Obra de arte não é para combinar com o sofá. Arte é expressão. Seja do sentimento do artista e de seu entendimento frente a determinado assunto. Obra que combina com o sofá não é exatamente arte. Nesse caso, o quadro/escultura/instalação se torna um objeto. Escolher um quadro para combinar com a decoração é o mesmo que comprar um livro pela cor da capa.
Aí, você pode justificar: “mas obra de arte é cara!”. Sim, toda obra tem seu valor. Isto é diferente de preço. Mesmo assim, há inúmeros artistas que fazem trabalhos valorosos a preços mais justos.

Fotografia

Um bom exemplo de arte (na maioria das vezes acessível), que valoriza qualquer ambiente, é a fotografia. Ela é a transposição do olhar do fotógrafo a algo que o tocou. Um portal para a sensibilidade do artista ao captar aquele momento único e imortal e revelá-lo no papel.

Fotografia é uma arte que funciona a qualquer projeto de decoração. Mesclar pintura, escultura e fotografia enriquecem e trazem personalidade ao ambiente. Dica: aposte naquilo que é exclusivo para você. Que transmita uma emoção. Que desperte uma memória. Este é o segredo!

Exposição EQUALS de Leo Faria na SPFWN44 @ Divulgação

SPFW

Prova de que a moda e arte podem caminhar lado a lado é a exposição do fotógrafo Léo Faria, que esteve no Pavilhão Ciccillo Matarazzo – popularmente conhecido como Prédio da Bienal, durante o SPFW N44 – Edição Verão 2018.
Na série EQUALS, Léo – um dos principais fotógrafos de Street Style do mundo – oculta a identidade do retratado através da pintura de seus rostos e corpos. O resultado é a ‘despersonalização’ do conceito da moda e ainda provoca uma estranheza ao olhar castigado pelas Selfies, megaexposição e egos aflorados.

Exposição EQUALS de Leo Faria na SPFWN44 @ Divulgação

Ao convidar o espectador para uma análise e uma leitura mais profundas do cotidiano, ele propôs uma nova camada de significados às imagens que produziu.
Meu escritório de Arquitetura foi convidado a elaborar o layout e disposição das peças que ficaram expostas. Partimos do princípio de que, assim como as fotografias impactam a quem olha, as fotos ficariam dispostas de forma angulada e não rítmica, de forma a despertar a curiosidade de quem passou pelo local.
Com o término do evento de moda, a exposição poderá ser vista no estúdio/galeria do fotógrafo que fica na Alameda Jaú, 189 em São Paulo, cujo projeto também leva nossa assinatura.

Exposição EQUALS de Leo Faria na SPFWN44 @ Divulgação