Boy Erased – Quando pais não aceitam a orientação sexual dos filhos

Único filho de um vendedor de carros e pastor batista numa pequena cidade no estado do Arkansas, aos 19 anos, Jared (Lucas Hedges) está assustado e confuso sobre sua sexualidade. Depois de um ataque sexual que sofreu na escola, sua homossexualidade é revelada aos pais.
Sem direito a ouvir qualquer argumento do filho, o pai (Russell Crowe) o obriga a se internar num programa de (suposta) conversão sexual chamado ‘Love in Action’, para ‘curar’ sua homossexualidade. Esse é o ponto de partida do filme Boy Erased – Uma Verdade Anulada.

Primeira informação: no dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Ou seja, se não é doença, não tem o que tratar. Homossexualidade é uma Orientação do Desejo. Nada além.

Segunda informação: O programa do Love in Action foi criado por evangélicos que se basearam em distorções e equivocadas interpretações da Bíblia em 1973 numa minúscula cidade americana na Califórnia, ao norte de São Francisco por três pessoas Frank Worther, John Evans e Kent Philpott. Quando Jack McIntyre, um amigo de John cometeu suicídio por sua impossibilidade de ‘mudar’, esse deixou o programa Love in Action e o denunciou como perigoso. Revelou ao Wall Street Journal (Abril de 1993): ‘Eles destroem as vidas das pessoas. Se você não fazer o que eles exigem, você não é de Deus e irá para o inferno. Eles vivem num mundo de fantasias’.

Voltando ao filme. Assim que Jared entra no programa, conhece rapazes e moças com estórias diferentes, mas origens iguais: pais que não aceitam a orientação sexual dos filhos. Em alguns casos, são agredidos fisicamente como forma de punição.
No começo do ‘tratamento’, ele participa de atividades focadas em ‘despertar a masculinidade’, ‘correção de postura’ e ‘apagamento do desejo’. No término do dia, volta ao hotel com a mãe (Nicole Kidman), que vai se interessando em saber o que ele está ‘aprendendo’. Será nesse momento que ele encontrará uma aliada.

Comentário

Confesso que, quando li as primeiras resenhas de ‘Boy Erased – Uma Verdade Anulada’ esperava uma atualização de clássicos como ‘Estranho no Ninho’ ou até um ‘Garota Interrompida’, com uma forte carga dramática e cenas de impacto. Nada disso. É um filme sobre intolerância. Até tem uma cena chocante, mas é muito bem conduzida. Você ficará indignado pelo absurdo da situação.
A condução da trama foi me conquistando pela delicadeza que trata de um assunto absurdo, porém, muito mais real do que imaginava existir. Acredito que tenha sido uma opção do diretor Joel Edgerton – que também atua na trama como o diretor do programa, para deixar que o filme mais palatável a todos os públicos, sem abusar de ativismos ou levantar de bandeiras.
É um ponto favorável, sem dúvida.
Tem alguns defeitos, principalmente na questão ao misturar o passado e presente e também uma clareza sobre o que realmente aconteceu entre Jared e seu colega de escola que o atacou. Porém, nada que tire o interesse da trama.
Com boas atuações (principalmente de Lucas e Nicole), é um filme que merece ser conhecido.
Recomendo.

PS: Curiosa participação de Flea, o guitarrista do grupo Red Hot Chilli Peppers.