Hollywood adora uma ‘Liberdade criativa’

Hollywood é a fábrica de sonhos. Na realidade, é uma poderosa indústria de entretenimento que alimenta nossa alma com variadas emoções.
Desde 1914, ano da criação da Paramount – o primeiro estúdio cinematográfico em Hollywood, filmes nos divertem, nos emocionam, fazendo rir ou chorar. Em alguns casos, também são uma fonte de história – pelo menos, uma ‘introdução’, digamos assim. Quantas pessoas não se interessaram pelo naufrágio do Titanic depois do premiado com o Oscar de 1997?
Além das salas de cinema e do sofá das casas, filmes também são exibidos em salas de aula, cursos, workshops e seminários, tornando-se até material para livros sobre sociedade, moda, gastronomia, decoração, etc.
Porém… Nem sempre o que é exibido nas telas ‘realmente aconteceu’.
Nesse momento, entra a famosa ‘liberdade artísticas’, no qual, produtos, diretores, roteiristas, cenógrafos e figurinistas ‘reinterpretam’ um fato em detrimento ao que realmente aconteceu.
Hollywood seria a primeira indústria de entretenimento a trabalhar com as Fake News? Pois é…

Um famoso exemplo é o filme Cleópatra, um dos mais famosos filmes da atriz Elizabeth Taylor.

Elizabeth Taylor como Cleópatra @ divulgação

Versão de 1963 dirigida por Joseph L. Mankiewicz (inicialmente, Rouben Mamoulian, demitido depois de 16 dias de filmagens), o filme custou uma fábula (U$ 44 milhões… Hoje, com os ajustes, U$ 340 milhões). Só os figurinos da protagonista (Elizabeth Taylor) custaram U$194 mil, hoje 1,6 milhão de dólares.
Segundo o desejo dos produtores, Cleópatra teria sido uma espécie de estrela do pop com visual extravagante, cores berrantes e muito dourado. Sem contar o cenário luxuoso (para os padrões dos anos 60, lógico).

Elizabeth Taylor como Cleópatra @ divulgação

Porém, as coisas não eram assim.

“A civilização egípcia era bastante estática, estilisticamente falando. Lá usavam tecidos muito simples, principalmente linho, porque a lã era considerada impura por sua procedência animal, e, embora bordassem e tingissem, faziam-no com sobriedade. Os objetos que vestiam eram túnicas ou panos leves drapeados”, explica Carlos Primo, professor de Sociologia e História da Moda na Escola de Design IADE.

Elizabeth Taylor como Cleópatra @ alamy stock photo

É verdade que Cleópatra era de ascendência grega, mas, como observa Primo, nem sequer essas origens sustentam a ideia de que uma soberana egípcia vestisse trajes tão elaborados.

“O vestuário da Cleópatra de Liz Taylor é uma mistura de diferentes influências: as representações teatrais e operísticas da personagem no século XIX (desde a de Shakespeare à Aida de Verdi), o vestuário das primeiras bailarinas de dança oriental que triunfaram nos Estados Unidos no começo do século XX e, obviamente, a moda da época. Há citações literais a Dior ou Charles James no figurino do filme, silhuetas trazidas literalmente dos anos cinquenta e sessenta e maquiagens similares às que podiam aparecer na capa da Harper’s Bazaar ou Vogue”, aponta o especialista em moda.

Elizabeth Taylor como Cleopatra @ alamy stock photo

(Fonte: El País Brasil)