Oscar 2020: Judy – Muito Além do Arco-Íris

Com estreia agendada para 16 de janeiro, Judy: Muito Além do Arco-Íris retrata a vida da atriz e cantora Judy Garland, eternizada como Dorothy no clássico de 1939 ‘O Mágico de Oz’.
O filme é uma adaptação da peça teatral “End of the Rainbow” de Peter Quilter e acompanha o inverno de 1968 quando Judy aceita fazer uma turnê em Londres, mesmo enfrentando a distância dos dois filhos pequenos, o vício em álcool e remédios e, principalmente, os graves problemas financeiros.
Para piorar, aceita se casar com um homem muito mais jovem que a engana com uma falsa promessa de um negócio que iria ajuda-la com suas finanças.
Paralelo à isso, surgem flashbacks da jovem Judy, quando aos 16 anos, se preparava a estrear ‘O Mágico de Oz’, enquanto enfrentou a tirania de Louis B. Meyer, o dono do estúdio Metro, que a pressionava para adequá-la as exigentes condições de estrela do período. Entre elas, substituir a comida e o sono por remédios que a viciaram pelo resto da vida.

Quando surgiu o primeiro trailer de ‘Judy’, fãs de cinema da velha Hollywood se empolgaram. Parecia que a dramática vida da querida atriz ganharia uma emocionante história nas telas. Alguns se questionaram se o filme conseguiria apresentar alguma novidade esquecida pela minissérie ‘Minha Vida com Judy Garland’, de 2001, quando Judy Davis arrasou no papel.
Infelizmente as coisas não saíram tão bem.

Renée Zellweger é uma atriz mediana. Teve bons momentos no filme ‘Enfermeira Betty’ e virou estrela graças à comédia ‘O Diário de Bridget Jones’. Em ‘Chicago’, em 2003, foi bem como Roxie Hart, porém, foi ofuscada pelo carisma de Catherine Zeta-Jones, que roubou a cena. Um ano depois, aceitou um papel secundário num fraco filme com a Nicole Kidman chamado ‘Cold Mountain. Apesar de uma atuação caricata, ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante. Muitos críticos a detonaram.

Sumida por alguns anos, voltou às telas com o terror ‘Caso 39’, em 2009. Apesar de ser um bom filme, ela voltou a sumir. Seu nome voltou a aparecer quando surgiu com o novo rosto modificado por muitas plásticas.
Em ‘Judy’, Renée continua fiel aos seus maneirismos, caretas e um vício em fazer biquinho com a boca em diversos momentos. Graças a ótima maquiagem, ela até se esforça para dar alguma dignidade, mas sua atuação parece uma cópia mal feita do que Marion Cottilard fez brilhantemente em ‘Piaf’.
Seu único mérito, de fato, é cantar com a própria voz as canções imortalizadas por Judy. Mesmo sem a mesma potência vocal, funciona, pois remete a decadência vocal que a atriz vivenciava na época.
Se isso já não fosse um problema, o filme é fraco, arrastado e repetitivo.

Raras são os textos baseados em peças teatrais que viram bons filmes. São veículos completamente diferentes. Enquanto o teatro se apropria do diálogo para contar uma estória, no cinema… Ele pode ser até dispensável. O sucesso de 2018 ‘Um Lugar Silencioso’ está aí para provar. De qualquer forma, ele precisa de um bom roteiro.
É triste quando um diretor tem em mãos uma rica estória sobre seu personagem principal, mas não sabe como conta-la.

Uma obra cinematográfica não é apenas um ‘fan-service’, ou seja, só os fãs irão entender detalhes da trama porque conhecem a origem do personagem. Isso é um erro.
Cinema é para ser assistido por todo tipo de gente.

Fãs ou não de Judy Garland, todos mereciam outro tipo de lembrança.

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