Confira alguns absurdos da história do Oscar

Oscar é um prêmio da indústria americana. Seus premiados, segundo a lenda, representam o ‘melhor’ trabalho do ano anterior.

Seja nas categorias principais (Filme, Diretor, Atores Principais, Coadjuvantes e Roteiro Original e Adaptado), seja nas técnicas (Fotografia, Montagem, Desenho de Produção, Trilha Sonora, Canção Original, Figurinos, Maquiagem, Som e Efeitos Especiais).
Ganhar um Oscar pode alavancar a carreira de um ator novato (Tatum O’Neil tinha 10 anos quando venceu por ‘Lua de Papel’ em 1973 e Anna Paquin, 11 por ‘O Piano’, em 1993). Também pode celebrar a vitalidade (e persistência) de um veterano (Christopher Plummer, 88 anos, em ‘Todo do Dinheiro do Mundo’, em 2017 e Jessica Tandy, 80 anos, em 1993 por ‘Conduzindo Miss Daisy’).
Porém, como qualquer premiação, o nem sempre quem ganhou foi o mellhor. Oscar erra. E muito.

Derrotados

No passado escrevi um artigo analisando a derrota de Glenn Close no Oscar passado. Com sete indicações, todo mundo esperava sua vitória pela atuação em ‘A Esposa’. Naquele ano, Glenn venceu o Globo e Ouro (Drama), o SAG – prêmio do Sindicato de Atores, o Independent Spirit Award e o Critic’s Choice, contudo, Olivia Colman levou o prêmio por ‘A Favorita’. A britânica tinha ganhado o Globo de Ouro (Comédia), o BAFTA e outros 13 prêmios das associações de críticos.
Apesar de tudo, a vitória de Olivia não foi injusta. Era um ótimo trabalho de composição. Coisa que os acadêmicos adoram, assim como o público médio entende como ‘atuação’.
Composição é quando o ator ‘se transforma’. Engorda (Robert De Niro em ‘Touro Indomável’), emagrece (Tom Hanks em ‘Filadélfia’), enfeia- se a ponto de ser tornar irreconhecível (Charlize Theron em ‘Monster – Desejo Assassino’), modifica seu corpo graças à alguma doença degenerativa (Eddie Redmayne em ‘Teoria de Tudo’ ou ‘Daniel Day-Lewis em ‘Meu Pé Esquerdo’) ou utiliza de recursos de produção, como maquiagem pesada (Gary Oldman em ‘O Destino de Uma Nação’).
Em 92 anos de sua existência, porém, o Oscar cometeu atrocidades. A sétima derrota de Glenn não foi a única.
Alfred Hitchcock, um dos mais influentes diretores da história, ganhou um Oscar Honorário em 1968. O mesmo aconteceu com Charlie Chaplin, que também só ganhou um honorário em 1972. Al Pacino venceu em 1993 por ‘Perfume de Mulher’ depois de sete indicações.
Caso curioso pertence à Meryl Streep. Apesar das três vitórias (2011, 1982 e 1979), também é campeã de derrotas, pois concorreu 21 vezes.

Confira algumas das maiores injustiças da história dos prêmios da Academia.

  • Crash derrotar O Segredo de Brokeback Mountain (2006) – A cara Jack Nicholson anunciando o Oscar de Melhor Filme era a prova que a academia comprovava sua homofobia ao não reconhecer a grandiosidade da obra de Ang Lee. O próprio diretor, Paul Haggis, admitiria mais tarde que ele não achava que Crash era tão bom quanto sua competição.
  • Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) derrotar Cate Blanchett (Elizabeth) ou Fernanda Montenegro (Central do Brasil) – Em 1999, os acadêmicos estavam encantados por Shakespeare Apaixonado, uma porcaria financiada por uma milionária campanha publicitária orquestrada por Harvey Weinstein – o mesmo das centenas de acusações de assédio e violência sexual. Muita gente acredita que ele ‘comprou’ o prêmio para sua querida estrelinha que prometia ser a próxima Julia Roberts – fato que não aconteceu, alias.
  • Rocky derrotar Taxi Driver, Rede de Intrigas e Todos os Homens do Presidente (1977) – A noite do Oscar daquele ano foi cheio de surpresas, porém, nenhuma seria pior do que a derrota dos três clássicos do cinema em detrimento a um obra menor sobre um lutador de boxe estrelada por um ator canastrão.
  • Kevin Costner derrotar Martin Scorsese (1991) – ‘Os Bons Companheiros’ foi o grande filme daquele ano, porém, a academia acreditava que além de ator (mediano), Kevin poderia ser considerado um diretor. Então…
  • Forrest Gump derrotar Pulp Fiction (1995) – o tempo respondeu qual ficou na memória dos cinéfilos, se tornou objeto de estudo nos cursos de cinema e Tarantino transformar seu sobrenome numa referência de Hollywood.
  • Roberto Benigni derrotar Ian McKellen ou Edward Norton (1999) – o filme italiano ‘A Vida é Bela’ é emocionante, porém, Benigni é caricato ao extremo. Era o ano que finalmente a Academia poderia reconhecer a maestria do britânico Ian McKellen em ‘Deuses e Monstros’ ou a sensacional atuação de Edward Norton em ‘A Outra História Americana’.
  • Beatrice Straight derrotar Jodie Foster ou Piper Laurie (1977) – Ok, Rede de Intrigas era sensacional, mas Beatrice tem cinco minutos em cena. Piora quando na categoria de atriz coadjuvante concorriam Jodie (que brilhava em ‘Taxi Driver’) ou Piper (aterrorizante em ‘Carrie, a Estranha’).
  • Marisa Tomei vencer o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por ‘Meu Primo Vinny’ (1993) – Vanessa Redgrave (Retorno à Howard’s End), Judy Davis (Maridos e Esposas), Miranda Richardson (Perdas e Ganhos) e Joan Plowrigh (Um Sonho de Primavera) eram as concorrentes. Todas estavam excelentes, em especial Judy. Porém, Jack Palace anunciou o nome de Marisa. Foi o maior choque da noite. Fofocas garantem que ele errou no nome. Fato que a Academia nega de pé junto.
  • Adrien Brody derrotou Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson como Melhor Ator em ‘O Pianista’ (2003) – Embora todo mundo tivesse ficado chocado quando o nome de Adrien foi anunciado, o próprio ator era o mais surpreso. Dizem que os votos ficaram tão divididos entre Daniel e Jack que os acadêmicos não sabiam o que fazer. O tempo foi a resposta: Cite o nome de outro filme com Adrien como protagonista. 
  • Juliette Binoche derrotou Lauren Bacall (1997) – Na segunda autobiografia de Lauren, a atriz condena a campanha orquestrada por Harvey Weinstein para promover o fraquíssimo ‘O Paciente Inglês’. Afinal, sua atuação em ‘O Espelho Tem Dois Lados’ era sensacional, além de seu nome ter sido uma lenda de Hollywood.