Juliana Freitas desabafa: “Eu venci a obesidade e encarei a vida”

Depoimento da jornalista e empresária Juliana Freitas em especial para o MONDO MODA.

Eu tive coragem de enfrentar a obesidade… E a perda de 50 kg me deu coragem de enfrentar o mundo.

Cheguei aos meus 38 anos com uma situação que me incomodou a vida toda: eu não conseguia emagrecer. E de tanta dieta e remédios que me causaram danos psicológicos, cheguei aos meus 115 kg.
Em mais um dia de furo à academia (torturada), pensei: “Preciso é tratar da minha cabeça”.
Procurei a psicanálise e foi no divã, um ano e meio depois, que resolvi fazer a cirurgia bariátrica.
Eu não achava que era gorda o suficiente para fazer uma cirurgia dessas. Achava que faltava força de vontade (porque é isso que todo mundo insiste em jogar na sua cara) e achava que era feliz. Embora chorasse toda vez que ia fazer compras de roupas ou me via nas fotos de aniversário das minhas filhas… Sim, eu era infeliz! E me sentia uma miserável… Mais uma vítima da gordofobia.

Juliana Freitas em dois momentos @ Acervo Pessoal

No dia 12 de fevereiro de 2017, entrei na faca. Foi a minha melhor decisão. Junto com os quilos extras, eliminei medos e me vi. Ao me enxergar, percebi que passei anos da minha vida anestesiada.
Eu me apaixonei por mim. Cresci profissionalmente. Pedi o divórcio. E, sim, eu me apaixonei pela vida.
Saí, conheci bares, restaurantes, pessoas… Eu me entreguei ao vício do amor. Redescobri o sexo, a amizade, o diferente… Viajei mais, para outras cidades e mentes.
Chorei até desidratar e ri até ter dor de barriga.

Juliana Freitas @ João Casatti

Um ano depois da minha decisão (cirurgia e dieta), perdi 50 quilos. Continuei comendo o que queria, mas sem desespero, e bebendo novas águas.
Hoje, continuo minha guerra comigo mesmo. Nunca mais descansei, porque não me canso mais. Tenho muitas batalhas, mas estou nelas inteira. Enfrento com medo e coragem. Assim me descobri. Acredito que cada um de nós tem algo que nos paralisa, no meu caso era a gordura.

Juliana Freitas @ Acervo Pessoal

Há pessoas que utilizam a religião, o companheiro, a família, os filhos ou a sociedade. Há medos que estão escondidos sob sentimentos e desejos, como inveja, poder, ambição, consumismo e até de sexo.
Todos são quebráveis, porque somos frágeis e múltiplos. Muito melhor ser vários. Eu garanto.

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